Café solúvel ainda sofre tarifaço de 50% mesmo após decisão dos EUA; entenda

Após taxas, Rússia assumiu posto dos Estados Unidos como maior comprador de café solúvel brasileiro

Compartilhe:

Café solúvel é o 13º produto de exportação do agronegócio nacional (Foto: Banco de Imagens, Freepik, Reprodução)

Apesar dos Estados Unidos terem anunciado a retirada das tarifas de 40% sobre alguns produtos brasileiros, o café solúvel não foi contemplado. Conforme a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (ABICS), o produto ainda sofre com a taxa de 40%, que totaliza 50% quando somadas aos 10% de tarifas recíprocas.

Continua após a publicidade

— Embora celebremos a reversão das tarifas para outras categorias agrícolas, a ABICS lamenta profundamente que o café solúvel brasileiro, um produto de importância histórica e econômica fundamental para ambos os países, tenha sido mantido na lista de produtos sujeitos à taxa adicional — afirma a associação.

Veja fotos

Segundo a ABICS, desde a implementação do tarifaço, em agosto de 2025, a indústria de café solúvel brasileira tem enfrentado impactos severos, como a queda abrupta nas exportações com impacto financeiro e competitivo.

Continua após a publicidade

A associação afirma que os embarques de café solúvel do Brasil para os Estados Unidos sofreram uma redução de mais de 52% desde agosto, demonstrando o efeito direto e imediato da medida tarifária.

— Os Estados Unidos sempre foram o maior e mais tradicional mercado para o café solúvel brasileiro, uma parceria que remonta à década de 1960. Historicamente, o café solúvel do Brasil representou uma parcela significativa do consumo americano. Em 2024, por exemplo, o produto nacional correspondia a impressionantes 38% das importações totais de café solúvel dos Estados Unidos — relata a ABICS.

Além disso, o mercado norte-americano representa cerca de 20% do volume total das exportações brasileiras de café solúvel, gerando receitas anuais de aproximadamente 200 milhões de dólares, o que equivale a 800 mil sacas de café.

De acordo com a ABICS, o café solúvel é o 13º produto de exportação do agronegócio nacional, destinado a mais de 100 países e rendendo divisas anuais de mais de 1,1 bilhão de dólares. Após o tarifaço, a Rússia passou a ser o principal destino do produto brasileiro.

Continua após a publicidade

Negociações

Apesar da decisão, a ABICS afirma que continuará à frente das negociações, mobilizados para buscar a isenção completa do café solúvel das tarifas adicionais.

— Continuaremos a trabalhar incansavelmente com os governos do Brasil e dos Estados Unidos, fornecendo informações estratégicas e demonstrando a interdependência e a parceria histórica que sempre caracterizaram a relação comercial do café entre nossas nações — garante a associação.