Com déficit de 6 milhões de toneladas, por que SC quer trocar milho do Centro-Oeste pelo do Paraguai

Em 2025, o milho representou 15,2% das importações catarinenses do Paraguai, com US$ 70,5 milhões

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Entre os principais temas discutidos durante missão de SC ao Paraguai está a criação de uma rota para importação de milho paraguaio (Foto: Aires Mariga/Epagri e Bruno Oliveira, Divulgação)

O governo de Santa Catarina fez uma missão ao Paraguai, entre a última quinta (6) e sexta-feira (7), para discutir parcerias comerciais e logísticas entre o Estado e o país vizinho. Entre os principais temas esteve a criação de uma rota para importação de milho paraguaio.

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Em vídeo publicado nas redes sociais, o governador Jorginho Mello (PL) afirmou que Santa Catarina produz cerca de 2 milhões de toneladas de milho por ano, mas consome 8 milhões. Para compensar a diferença, o Estado precisa buscar aproximadamente 6 milhões de toneladas, principalmente no Centro-Oeste brasileiro, segundo ele.

O problema é que o Centro-Oeste está a mais de 1.500 km do nosso estado. O frete muitas vezes custa mais caro do que o próprio produto. O milho é o que alimenta os animais. Se a gente reduzir o custo, reduzirão o custo do produto final. Nossa carne fica mais barata, nosso leite mais competitivo e assim abrimos novos mercados. Comprando do Paraguai, a apenas 300 km do nosso estado, o custo pode diminuir cerca de 15%. E é sobre isso que a gente vem brigando”, diz o governador, no vídeo.

A missão liderada pelo governador Jorginho Mello foi recebida pelo presidente interino do país, o vice-presidente Pedro Alliana, pelo ministro da Indústria e Comércio Marco Riquelme e outras autoridades. A missão catarinense foi integrada também pelo presidente da Federação das Indústrias de SC (Fiesc) Gilberto Seleme, e os secretários de estado de Articulação Internacional, Paulo Bornhausen; da Fazenda, Cleverson Siewert, e da Comunicação Bruno Oliveira. 

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Paraguai já é fornecedor de milho para SC

Segundo a Fiesc, a Rota do Milho foi um dos principais assuntos da missão. Conforme a entidade, o milho já é o principal produto comprado por Santa Catarina do Paraguai. Em 2025, o grão representou 15,2% das importações catarinenses do país, com US$ 70,5 milhões.

No mesmo período, as importações de produtos paraguaios por Santa Catarina cresceram 390,5% entre 2015 e 2025, chegando a US$ 464 milhões. Para o presidente da Fiesc, Gilberto Seleme, a aproximação pode ampliar o comércio entre os dois lados.

“A aproximação estratégica traz benefícios tanto para SC como para o Paraguai. Existe um mercado com muito potencial para crescer no intercâmbio comercial com os catarinenses”, afirmou.

Além da rota do milho, a missão discutiu o uso dos portos catarinenses pelo Paraguai, transferência de tecnologias para a agricultura e possíveis investimentos paraguaios no litoral de Santa Catarina. Uma nova agenda entre os dois lados está prevista para novembro.

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Veja mais fotos da missão de SC ao Paraguai:

Sete propostas de parceria

A missão catarinense ao Paraguai tratou de sete propostas de parceria entre o Estado e o país. Além da rota do milho e do uso dos portos de Santa Catarina, estão entre os temas discutidos o compartilhamento de tecnologias para o agronegócio, a instalação de um cabo submarino passando por Santa Catarina para atender o Paraguai e a realização de um encontro entre SC e Paraguai para estimular negócios imobiliários.

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Também foi discutida uma possível colaboração de Santa Catarina para que o Paraguai amplie negócios com a China. Outro projeto envolve uma futura ligação rodoviária entre Santa Catarina, a província argentina de Misiones e o Paraguai.

Segundo o secretário de Articulação Internacional de SC, Paulo Bornhausen, está prevista para novembro uma reunião em Florianópolis com representantes do Paraguai e do governo de Misiones para elaborar um planejamento estratégico de integração entre os três territórios.

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A proposta envolve uma futura ligação entre Brasil, Argentina e Paraguai, com o objetivo de aproximar Santa Catarina dos dois países.