Resultados mostram divisão de data centers em alta enquanto o mercado de petróleo ainda se recompõe das interrupções no Oriente Médio (Foto: Casa Rosada)
Uma experiência feita em 1912 para localizar ruínas medievais acabou ajudando a criar uma das maiores empresas da indústria do petróleo. Mais de um século depois, a SLB, antiga Schlumberger, tenta repetir a lógica de sua origem: usar tecnologia desenvolvida para um problema e encontrar nela um negócio muito maior.
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Em julho de 2026, a companhia aparecia avaliada em cerca de US$ 70 bilhões, com aproximadamente 109 mil funcionários e presença em mais de 100 países. E, com o seu tamanho, ela prevê dois mercados críticos, petrolífero e de data centers.
Antes de existir uma empresa, Conrad Schlumberger já estudava como a eletricidade poderia revelar o que estava escondido sob a terra. Em 1920, ele publicou este trabalho dedicado à prospecção elétrica subterrânea. (Foto: Joop van Bilsen / Internet Archive via Wikimedia Commons)A técnica logo encontrou um novo destino. Em 1927, Pechelbronn, na França, tornou-se cenário do primeiro registro elétrico de poço, episódio hoje lembrado por esta estela no Museu Francês do Petróleo. (Foto: Ji-Elle / Wikimedia Commons)Da França, a tecnologia atravessou fronteiras. Em 1938, uma equipe da Schlumberger já realizava levantamentos em Fairbanks Field, no Texas, enquanto a companhia construía sua presença internacional. (Foto: Robert Yarnall Richie / DeGolyer Library, SMU)A expansão ganhou estrutura própria. Este prédio de Houston, ocupado pela Schlumberger em 1938, acompanhou o crescimento das operações da empresa no mercado petrolífero norte-americano. (Foto: Jim Evans / Wikimedia Commons)O trabalho dependia cada vez mais de instrumentos capazes de transformar sinais vindos do subsolo em informação. Em 1948, funcionários aparecem entre painéis, medidores e equipamentos da Schlumberger em Houston. (Foto: Robert Yarnall Richie / DeGolyer Library, SMU)Conforme os serviços se espalhavam pelos campos de petróleo, cresciam também equipamentos e instalações. Este registro de Pierce Junction, no Texas, em 1954, mostra uma etapa dessa expansão. (Foto: Robert Yarnall Richie / DeGolyer Library, SMU)Um ano depois, a escala já podia ser vista do alto. A fotografia de 1955 registra a planta da Schlumberger em Houston e ajuda a dimensionar quanto o negócio havia crescido desde os primeiros experimentos de Conrad. (Foto: Robert Yarnall Richie / DeGolyer Library, SMU)Com o tempo, os serviços deixaram de se limitar às operações em terra. O Bigorange XVIII, ligado à Schlumberger e equipado para estimulação de poços, representa a chegada dessa engenharia a operações marítimas de outra escala. (Foto: Keld Gydum / Wikimedia Commons)A expansão internacional também levou a companhia para centros técnicos distantes dos primeiros campos franceses e americanos. Em 2012, este laboratório da Schlumberger funcionava em Tyumen, na Rússia. (Foto: Жабыш / Wikimedia Commons)Décadas de expansão deixaram uma empresa espalhada por diferentes mercados. Esta instalação da Schlumberger em Vechta, na Alemanha, foi fotografada em 2019. (Foto: Gerd Fahrenhorst / Wikimedia Commons)Se a história começou com um físico tentando compreender o subsolo, a pesquisa continuou parte da empresa um século depois. O centro da Schlumberger em Cambridge, na Inglaterra, reúne essa face tecnológica da companhia. (Foto: Julian Paren / Wikimedia Commons)A trajetória termina muito distante daquele primeiro experimento no terreno familiar. Hoje, a empresa combina conhecimento do subsolo, engenharia e tecnologia, mantendo em Houston uma de suas principais estruturas corporativas. (Foto: WhisperToMe / Wikimedia Commons)
Ormuz muda o cenário
O choque de 2026 foi excepcional. O Estreito de Ormuz ficou efetivamente fechado desde 28 de fevereiro até o acordo de 18 de junho, alterando fluxos internacionais de petróleo e elevando a volatilidade dos preços.
A perda temporária de produção chegou a 11,2 milhões de barris por dia em maio e ainda ficou em média em 8,3 milhões de barris diários em junho. Os estoques globais, segundo a EIA, diminuíram em média 5,1 milhões de barris por dia no segundo trimestre.
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Os dados são da Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA) criando pressão para recompor reservas e capacidade produtiva (Foto: MODIS Land Rapid Response Team, NASA GSFC / Wikimedia Commons)
IA abre outra frente
A oportunidade mais diferente está nos data centers. No segundo trimestre de 2026, a receita da divisão Data Center Solutions da SLB cresceu 80% na comparação anual e 33% ante o trimestre anterior, impulsionada por novos clientes de grande escala e ampliação de serviços.
A empresa já havia enviado mais de 1,3 gigawatt de infraestrutura modular para projetos de data centers desde abril de 2024 e espera ultrapassar 2 GW até o fim de 2026.
Em julho, anunciou ainda uma aliança com a Liberty Energy para unir módulos pré-fabricados, geração de energia e controles de potência instalados junto aos próprios centros de dados.
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A EIA projeta que o consumo elétrico mundial de data centers chegue a aproximadamente 945 TWh em 2030, quase o dobro do nível atual. Entre 2024 e 2030, a alta média prevista é de cerca de 15% ao ano; servidores acelerados, ligados principalmente à adoção de IA, devem consumir 30% mais eletricidade por ano no cenário-base.
Ainda assim, a transformação não apaga a dependência do petróleo. A SLB faturou US$ 8,97 bilhões no segundo trimestre, 5% acima de um ano antes, mas o avanço incorporou a aquisição da ChampionX.
Excluindo o negócio comprado em 2025, a receita global caiu 5% na comparação anual (Foto: Carl Lender / Wikimedia Commons)