Cookies feitos para complementar renda viram negócio em confeitaria charmosa com sotaque argentino no Centro de Joinville

Confeitaria em Joinville ficou famosa pelos cookies e foi fundada pelo casal Florencia Pérez e Otávio

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Manzu

Manzu é a confeitaria que fica no Centro de Joinville (Foto: Redes Sociais, Reprodução)

Florencia Pérez e Otávio da Cunha Alcântara formam o casal de empreendedores por trás da Manzu, uma charmosa confeitaria localizada no Centro de Joinville. Quem passa pela rua XV de Novembro, na altura do número 392, vai perceber que o pequeno espaço guarda uma aconchegante história e cookies de dar água na boca.

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A história do negócio começou de maneira despretensiosa e longe de qualquer plano de abrir uma confeitaria. Florencia é argentina e Otávio, pernambucano de Olinda. Ele vive em Joinville há cerca de 10 anos e os dois namoram há dois. Em agosto de 2025, ela deixou a Argentina para morar com o companheiro no Brasil.

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Formada em Medicina no país vizinho, Florencia precisava passar pelo Revalida, exame necessário para reconhecer o diploma estrangeiro e poder exercer a profissão no Brasil. Enquanto se preparava para a prova, o casal pensou em uma maneira de complementar a renda. A ideia era vender cookies por delivery durante aquele período.

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“A ideia no início era ser uma renda extra, para complementar naqueles meses em que ela estaria se preparando para o Revalida. Só que a gente começou a marca em setembro e foi dando tão certo que fomos evoluindo até chegar como está hoje”, conta Otávio.

A Manzu começou oficialmente no fim de setembro de 2025, atendendo exclusivamente por delivery. Foram aproximadamente cinco meses entre os primeiros pedidos e a abertura da loja física, inaugurada em 7 de fevereiro deste ano. O delivery, porém, continua funcionando junto com o atendimento presencial.

O ponto bem no Centro da cidade

A escolha do ponto foi “uma jogada de sorte” com um golpe do destino. Florencia passou pelo local cerca de 30 minutos depois do proprietário ter colocado o local para alugar. “A Flor passou aqui na frente e viu a plaquinha de “aluga-se”. A placa tinha sido colocada meia hora antes de ela passar. Ela tirou uma foto, me mandou, a gente conversou com o dono e a vibe bateu. Parecia um sinal de que era para ser aqui a nossa primeira unidade”, conta Otávio.

Dali começou uma verdadeira maratona para deixar do jeitinho que eles queriam.

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“A gente não tinha muito dinheiro para investir, então fomos fazendo as coisas nós mesmos. Reformamos o ponto todo, construímos os móveis e fizemos várias coisas aqui da loja. Foram dois meses de reforma até a abertura”, relembra.

Nas redes sociais o casal chegou a compartilhar esse processo, que foi de pintura, construção das bancadas e móveis. Para ficar do jeitinho que está. Hoje, ao entrar, o cliente já se depara com uma bancada, desenhável e cheio de cookies dentro. O local também vende cafés, sodas italianas e outros aperitivos. Para complementar, incluíram no cardápio a famosa empanada argentina.

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Cookies e a paixão pela gastronomia

Se o negócio nasceu para ajudar Florencia durante a preparação para o Revalida, foi uma antiga paixão de Otávio que ajudou a transformar a ideia em algo maior. Além da Manzu, ele ainda trabalha como gerente nas áreas comercial, de marketing e projetos de uma indústria de Joinville. A gastronomia, até então, era um hobby.

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Otávio passou a estudar técnicas, ingredientes e cada etapa envolvida na produção. Foram testes com diferentes temperaturas e tempos de forno, formas de congelamento, modelagem e preparo da massa. Segundo ele, o objetivo era entender não apenas uma receita, mas o que fazia cada detalhe interferir no resultado final.

A inspiração vinha de longe. Como os cookies no estilo produzido pela Manzu têm forte referência americana, Otávio passou a observar o trabalho da Levain Bakery, famosa pelos cookies em Nova York, além de estudar tentativas de reprodução das receitas e comparar técnicas.

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“Pensei: se o cookie é uma receita nova-iorquina e eles são uma das principais referências de Nova York, eu quero atingir aquele nível de qualidade”, explica. Para ele, um bom cookie depende menos de uma lista sofisticada de ingredientes do que pode parecer. “Eu costumo falar para os clientes que os cookies são 30% ingredientes e 70% processos.”

Ainda assim, os ingredientes têm atenção especial. O casal afirma utilizar manteiga, chocolate em vez de cobertura fracionada e baunilha italiana, além de investir na padronização das receitas e da produção.

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Medicina continua nos planos

Apesar do crescimento da Manzu, a trajetória de Florencia na Medicina não ficou para trás. Ela conta que ainda pretende fazer novamente o Revalida e seguir a profissão para a qual se formou na Argentina.

A rotina da confeitaria, porém, acabou tomando mais tempo do que o casal imaginava. Hoje, Florencia está diretamente envolvida na operação diária do negócio, enquanto Otávio divide a rotina entre o emprego na indústria, as noites e os sábados na confeitaria e as funções de gestão, marketing e desenvolvimento de produtos.

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Para ela, a experiência também representa uma mudança significativa depois de anos na área da saúde. Florencia trabalhou em UTI durante a pandemia de Covid-19 e descreve aquele período como especialmente difícil.

“Eu trabalhei na época da pandemia e trabalhava na UTI, então foi uma época bem dura, difícil para mim. Acho que para todo mundo foi difícil, mas na área da Medicina e da UTI foi punk“, contou a médica. A confeitaria acabou se tornando uma espécie de intervalo da Medicina, embora, como ela mesma brinca, esteja longe de ser um descanso.

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E o futuro?

O futuro da Manzu ainda será construído passo a passo. O casal diz que pensa em abrir pelo menos mais uma unidade própria, possivelmente em um espaço maior, que permita inclusive ampliar a cozinha e desenvolver mais produtos salgados. Franquias, por enquanto, não fazem parte de um projeto definido.

A prioridade é consolidar a primeira loja.”A gente pensa em expansão, sim. Pelo menos mais uma unidade própria, talvez maior, em um ponto maior, talvez ter uma cozinha salgada e desenvolver mais receitas, sempre nessa nossa pegada criativa. Mas vamos pouco a pouco, vai depender do crescimento da marca e dessa primeira loja”, afirma Otávio