Uma crise financeira em Indaial fez o prefeito Silvio César da Silva (PL) anunciar uma série de medidas para conter os gastos públicos. Entre as ações estão a redução no número de secretarias, o corte de cargos comissionados e a diminuição da jornada de trabalho nos setores administrativos. A expectativa é conseguir economizar cerca de meio bilhão de reais, o que deve ajudar a pagar as contas essenciais.
A informação consta no decreto de contenção de despesas publicado nesta sexta-feira (30) no Diário Oficial dos Municípios. A principal mudança é a redução de 12 para sete secretarias municipais. Isso será feito através da unificação de algumas pastas, como é possível observar na lista abaixo:
- Secretaria de Administração e Finanças vai incorporar a Secretaria de Governo;
- Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Inovação vai incorporar a Secretaria de Cultura;
- Secretaria de Educação vai incorporar a Fundação Municipal de Esportes;
- Secretaria de Urbanização e Meio Ambiente vai incorporar a Secretaria de Obras;
- Secretaria de Planejamento vai incorporar a Secretaria de Desenvolvimento Social;
- Secretaria de Saúde sem alterações;
- Secretaria de Agricultura sem alterações.
O agrupamento deve refletir em uma redução na quantidade de cargos comissionados na prefeitura de Indaial. Hoje são 94 pessoas nessa condição e, de acordo com Silvio, esse número deve cair em 20%. Na prática, a quantidade deve passar a ser de 75. As gratificações de função também devem ser impactadas.
A terceira frente para economizar será a redução do horário de atendimento da prefeitura. A partir de terça-feira (3), os setores administrativos passam a funcionar das 7h30min às 13h30min, sem intervalo. A medida, claro, não interfere nos postos de saúde, creches e escolas. Conforme explicação do prefeito de Indaial, essa medida deve reduzir os custos com o vale-alimentação pago aos funcionários.
A redução das despesas com essas medidas é estimada em meio bilhão de reais ao mês. Conforme o decreto, as medidas têm validade de, pelo menos, cinco meses.
Esforços para manter os serviços essenciais
Silvio conta que Indaial tem cerca de R$ 4 milhões para pagar por mês em empréstimos feitos ao longo dos últimos 20 anos. Ele diz que a maior parte desse montante é juros. O valor se tornou pesado para os cofres da prefeitura e levou o governo a tentar um refinanciamento com os bancos, com taxas mais baixas.
A primeira reunião não teve o desfecho que o gestor esperava, mas a discussão deve continuar, garante.
A crise financeira não é inédita. Desde o ano passado, a prefeitura já enfrenta desafios, segundo Silvio, mas a situação teria se agravado em 2026. Uma das medidas adotadas pelo governo, ainda em 2025, foi a criação de um comitê para rever contratos. Isso teria promovido uma economia de R$ 20 milhões aos cofres públicos, afirma o prefeito. Entretanto, não foi o suficiente.
A administração municipal diz que tem escolhido quais contas pagar. A prioridade são os serviços essenciais e a folha de pagamento dos servidores.
Tentativa de aumentar a receita
A prefeitura de Indaial quer receber mais dinheiro do Fundo de Participação dos Municípios. Conforme a lei, o valor é repassado às cidades com base na população local. Porém, de acordo com Silvio, o número de habitantes apontado pelo IBGE, de 79,5 mil, não corresponde à realidade.
Ele aponta que os dados de atendimentos na saúde, educação, registros de ligação de água e de luz, bem como as certidões de nascimento e de óbito, mostram que são 94 mil moradores. Se a prefeitura conseguir fazer o IBGE admitir esse número, a administração municipal passa a receber R$ 460 mil por mês a mais, pois coloca a cidade em outra faixa para repasses financeiros, o que pode trazer um alívio às contas de Indaial.
