Com custo de até R$ 1,5 milhão cada, as mais de 70 réplicas da Estátua da Liberdade da Havan funcionam como outdoors tridimensionais para atrair clientes e impulsionar a expansão da varejista catarinense pelo Brasil. A estratégia de marketing da gigante de Luciano Hang combina apelo visual com uma complexa operação logística e financeira para erguer os monumentos em suas filiais por todo o país.
FOTOS: A Estátua da Liberdade com pé na estrada e a nova megaloja da Havan
Para se ter um panorama, o custo para abrir uma megastore como a Havan exige entre R$ 50 e R$ 100 milhões, de acordo com estimativas do empresário e investidor Wisley Anderson Vieira e do especialista em gestão de pessoas Roger Toshi, que foram ouvidos pelo jornal Diário de Pernambuco. Essa quantia de R$ 1,5 milhão, portanto, cobre apenas a ponta do iceberg visual. O montante investido pela Havan não representa uma tabela fixa da empresa. O preço final flutua drasticamente dependendo do tamanho da estátua, do peso do conjunto, do tamanho da fundação e, principalmente, do frete.
A operação rodoviária para erguer o ícone de uma nova filial em Goiás exemplifica bem essa complexidade. Uma escultura de 24 metros e oito toneladas precisou fatiar o Brasil ao meio, percorrendo 1,4 mil quilômetros ao longo de três dias de viagem a partir de Santa Catarina.
Montagem e deslocamento das peças
O trajeto consome logística pesada e exige carretas especiais antes de o corpo de fibra de vidro ser montado sobre o pedestal, onde finalmente alcança impressionantes 35 metros de altura.
A fabricação dessas estruturas exige uma cadeia produtiva engrenada. Em solo catarinense, cerca de 50 profissionais distribuídos por seis empresas parceiras trabalham durante quase um mês para erguer a alma metálica e moldar o revestimento de fibra de vidro da estátua da Havan.
Quando as peças chegam ao destino, guindastes de grande porte e equipes especializadas entram em cena para concretar bases capazes de suportar rajadas intensas de vento, erguer os módulos e realizar a instalação elétrica interna. Segundo Luciano Hang, a logística é complexa.
São mais ou menos seis empresas envolvidas em todo o processo. Dentro da estátua tem uma estrutura metálica muito forte, depois a estrutura de fibra, a fundação, até a parte de bater estaca… Envolve todo um aparato de pessoas trabalhando para cada estátua ficar pronta.
O risco dos imprevistos com estátuas da Havan
A ideia de adotar o símbolo americano nasceu em 1995 na matriz de Brusque, um ano após a rede incorporar a fachada inspirada na Casa Branca, selando a identidade visual que consagrou a marca da loja de Luciano Hang ao longo das rodovias brasileiras.
Com o passar dos anos, contudo, a manutenção e os imprevistos meteorológicos passaram a compor a planilha de custos desses monumentos. A queda da estátua da Havan de Guaíba (RS) durante uma tempestade com ventos acima de 90 km/h provou que o investimento exige vistorias constantes, seguros robustos e eventuais gastos com restauração. Na época, a rede informou que o acidente não deixou feridos e que a segurança dos clientes é prioridade.
Não houve feridos e danos a terceiros. A área foi imediatamente isolada, seguindo todos os protocolos de segurança. A empresa reforça que a prioridade é a segurança de clientes, colaboradores e da comunidade.
No fim das contas, a Havan não compra apenas uma estátua de R$ 1,5 milhão. Ela financia um complexo ativo publicitário de longa duração, desenhado para fincar a bandeira da empresa no mapa de cada nova cidade.
Investimento de R$ 250 milhões
Com investimento de R$ 250 milhões, a Havan projeta para o primeiro semestre de 2027, a inauguração da ampliação do seu Centro de Distribuição em Barra Velha, estrutura apontada como a maior da América Latina. O projeto aposta na instalação de um inovador sistema de armazenagem autoportante, tecnologia que otimiza a estocagem vertical e promete acelerar a eficiência logística da varejista catarinense.
Além disso, a Havan está construindo sua unidade de número 196 no Brasil. A inauguração está prevista para o dia 29 de agosto. A nova loja faz parte de um plano ousado de expansão que pretende chegar a 200 unidades ainda em 2026 no Brasil, com faturamento anual na casa de R$ 22 bilhões.
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*Com edição de Luiz Daudt Junior.





