Inés Gallego nasceu e cresceu em Guadalcanal, na província de Sevilha, na Espanha, mas após tentar a vida na cidade, decidiu retornar ao campo para continuar uma tradição familiar na pecuária, criando ovelhas da raça merino. Durante os seis anos que passou em Sevilha, ela estudou fisioterapia e trabalhou como monitora de equitação, mas decidiu retornar ao seu povoado para comandar, ao lado do pai Antonio, a criação de mil ovelhas da raça merino e 200 porcos ibéricos. A história de Inés foi contada na série Los repobladores, exibida no Canal Sur em 2023, quando ela tinha 39 anos.
A localidade de Guadalcanal, que fica a cerca de 108 km da cidade de Sevilha, teve seu auge de população em 1930, quando passou de 7,3 mil habitantes. Depois disso, foi uma das regiões da Espanha que se viu afetada pelo despovoamento que aconteceu pelo êxodo rural. Entre 1960 e 1970 houve uma queda de 6.075 para 4.372 habitantes. Nas últimas décadas, Guadalcanal foi diminuindo ainda mais o seu número de habitantes até chegar em cerca de 2,5 mil, segundo o INE. Atualmente, Guadalcanal aparece no Holapueblo, iniciativa da Redeia, da IKEA e da AlmaNatura, que assessora famílias que querem morar e empreender em cidades com menos de 5 mil habitantes.
A rotina de trabalho de Inés inclui diversas atividades no campo para manter a saúde e o bem-estar do rebanho. Ela e o pai alimentam as ovelhas e os porcos diariamente, pois a seca da região muitas vezes deixa o lugar sem pastagem, o que força o fornecimento de alimentação complementar aos animais.
Pai e filha estão constantemente de olho também nas feridas ou infestações por moscas, conhecidas na região como bicheras. Assim que um animal é afetado e identificado, eles aplicam tratamentos específicos para tratar e evitar infecções maiores.
O manejo do rebanho exige olhar atento para ovelhas que são mais mansas e outras mais bravas. Todo trabalho é feito em família, mantendo uma tradição que começou com os bisavós de Inés. Ela contou ao programa em 2023 que morar no povoado era uma maneira de aproveitar a proximidade com a família e perpetuar a tradição na fazenda.
“Vir para o povoado significou, sobretudo, qualidade de vida. É profissão, porque aqui é a profissão que tenho, e uma paixão pela agricultura e pecuária. É minha profissão, o que vai dar de comer a elas [as filhas), o que me deu de comer a mim e, claro, o setor primário nunca deve ser perdido. Espero que possamos continuar lutando pela agricultura e pela pecuária e que nunca se percam”, disse ela ao Canal Sur.





