Nas concessionárias do Grupo Cometa, entre motos, oficinas e mesas de atendimento, há bibliotecas. Para participar da distribuição de lucros e resultados, os funcionários precisam ler um livro por mês e entregar um resumo ao setor de recursos humanos.
A meta soma 12 livros e pelo menos 2.400 páginas por ano. Cada obra deve ter, no mínimo, 200 páginas. Cumprir essa etapa, porém, não garante o pagamento: o funcionário também precisa atingir as metas da companhia. Conforme os resultados, a PLR pode equivaler ao 14º ou ao 15º salário.

Leitura ligada à carreira
O Grupo Cometa mantém o programa Cometa Leitura há cerca de duas décadas. O acervo físico e digital reúne mais de 11 mil títulos, e a empresa investe aproximadamente R$ 65 mil por ano na iniciativa. Em uma publicação sobre o Círculo do Livro do Grupo Cometa, a companhia mostra como os funcionários compartilham impressões e aprendizados das obras.
O fundador Francis Maris Cruz associa a leitura à formação de lideranças. “Essa base da leitura ajudou muito os nossos líderes a se formarem e crescerem”, afirmou. Por isso, quando abre uma vaga de gestão, a empresa procura primeiro candidatos entre os próprios funcionários. Só recorre ao mercado quando não encontra alguém preparado internamente.
A trajetória de Cristinei Rodrigues Melo, presidente executivo da companhia, exemplifica essa política. Ele entrou ainda adolescente, em uma função de apoio, e soma cerca de 35 anos no grupo. Outros diretores também começaram em cargos de entrada antes de assumir responsabilidades maiores.

Uma empresa bilionária
O Grupo Cometa informa faturar R$ 1,6 bilhão por ano e empregar cerca de 1.400 pessoas em cinco estados. A empresa começou em 1973, quando Francis e a família abriram uma loja de autopeças em Mirassol D’Oeste, no Mato Grosso. Na década seguinte, entrou no mercado de motocicletas.
A história do Grupo Cometa registra a abertura da primeira concessionária Honda em Vilhena, em 1984. Atualmente, a companhia também atua no setor de automóveis e no agronegócio.
O programa de leitura integra essa estrutura como critério para participar da PLR e como parte da formação profissional dos funcionários. Segundo Francis, a iniciativa ajuda a preparar pessoas para crescer dentro da empresa.
Quem também fez isso foi o “Véio da Havan”, que abriu a mão e liberou R$ 90 milhões para os 23 mil funcionários da rede.
