O fechamento de lojas e a demissão em massa de funcionários já eram esperados por funcionários da Casas Bahia, mas não para agora e nem na proporção que ocorreu. É o que conta uma ex-vendedora, pega de surpresa com o desligamento na manhã do último dia 14 de agosto. Emocionada, a mulher contou ao NSC Total Blumenau como ela e os colegas receberam e reagiram à notícia.
A vendedora entrou para a Casas Bahia há cerca de seis anos, em Florianópolis, e há dois anos estava na unidade da Rua XV de Novembro, no Centro de Blumenau. Ela conta que a equipe trabalhou como de costume no dia 13 de agosto, mas, ao fim do expediente, todos foram convocados a ir à loja na manhã seguinte às 8h, mesmo aqueles que faziam o turno da tarde. A situação acendeu o alerta.
A ex-funcionária diz que a gerente reuniu a equipe e anunciou o fechamento de várias lojas em todo o Brasil — 298 no total — e que em Santa Catarina o cenário seria o mesmo, com 21 unidades encerrando as atividades naquele exato momento. As portas nem chegaram a ser abertas para os clientes naquela manhã fatídica. Quem chegava se deparava com um recado em uma folha de ofício colada na porta. Era o fim.
Mesmo passados 14 dias da notícia inesperada, a mulher ainda se emociona. Ela conta que gostava muito da empresa, não tinha pretensão de deixar aquele emprego e os salários e benefícios sempre foram pagos corretamente. A mulher era uma das funcionárias mais antigas da unidade e diz que a gerente, inclusive, estava há três meses na Casas Bahia após deixar o emprego em outra rede varejista.
Até quem trabalhava perto se impactou com o fechamento da loja. A colaboradora de um estabelecimento próximo conta que primeiro imaginaram que a unidade ia apenas mudar de endereço, mas depois souberam o que realmente estava acontecendo. Teve quem chorou. Alguns se conheciam do momento de abrir e fechar as portas no mesmo horário. Ao longo das últimas semanas, revela, viu a loja ser esvaziada aos poucos.
Cerca de 1,9 mil funcionários da Casas Bahia foram demitidos em todo o Brasil. A demissão em massa virou alvo de impasse na Justiça. Uma decisão determinou o restabelecimento do pagamento de salários e benefícios aos ex-colaboradores. A empresa recorreu, mas ainda não conseguiu reverter a decisão. A empresa pediu recuperação judicial e informou acumular dívidas de R$ 17,3 bilhões.
