Depois de construir uma rede com 1.100 lojas, 45 mil funcionários e faturamento anual de R$ 12 bilhões, Ricardo Nunes não demonstra interesse em repetir a experiência que tornou seu nome conhecido em todo o Brasil.
Aos 57 anos, o empresário direciona suas atenções para o Grupo R1, negócio dedicado a treinamentos, mentorias e consultorias para outros empreendedores. Nunes afirma ainda que o negócio vem registrando taxas anuais de crescimento entre 80% e 100% desde 2021.
Principais desafios e a crise do varejo
A empresa possui atualmente 130 funcionários e 560 companhias participantes de seu principal programa, o Clube R1. Para 2027, a expectativa apresentada pelo empresário é avançar mais de 120% em relação à receita projetada para 2026.
De vendedor de mexericas a dono de gigante do varejo
A trajetória empresarial de Ricardo Nunes começou muito antes dos eletrodomésticos. Depois da morte do pai, ainda criança, ele passou a vender mexericas na porta de uma faculdade de direito, em Divinópolis, Minas Gerais, para ajudar a mãe.
Mais tarde, começou a viajar de ônibus até São Paulo para comprar mercadorias na região da Rua 25 de Março. Brinquedos e bichos de pelúcia eram levados de volta para Minas Gerais, onde Nunes fazia as vendas de porta em porta.
Essa fase durou aproximadamente cinco anos. Em 1989, aos 18 anos, o jovem abriu sua primeira loja, com apenas 20 metros quadrados. O pequeno estabelecimento acabaria dando origem à Ricardo Eletro.

O crescimento também passou por uma estratégia agressiva de negociação com fornecedores e importação. Para disputar clientes com empresas maiores, a Ricardo Eletro buscava produtos mais baratos, inclusive através de compras diretamente da China.
Rede chegou a ter 1.100 lojas
Com a expansão, Nunes precisou lidar com uma estrutura muito maior. A companhia passou a registrar dezenas de milhares de vendas por dia e milhares de entregas, exigindo uma administração mais complexa do que a de seus primeiros anos.

Um dos principais movimentos de expansão aconteceu em 2010, quando Ricardo Eletro e Insinuante se uniram para formar a Máquina de Vendas. Posteriormente, outras redes regionais também foram incorporadas ao grupo.
No auge, a operação alcançou 1.100 lojas, cerca de 45 mil funcionários e R$ 12 bilhões em faturamento anual. O tamanho colocou o negócio entre os maiores nomes do varejo brasileiro naquele período.
Por que Ricardo deixou a empresa?
Entre 2014 e 2018, a companhia enfrentou os efeitos da crise econômica enquanto concorrentes digitais ampliavam sua presença. Uma abertura de capital chegou a ser preparada, mas o plano de levar a empresa à bolsa não avançou.
Sem a operação, Nunes iniciou a procura por um investidor. Um fundo passou por cerca de dois anos analisando as contas da empresa. A negociação, inicialmente pensada para trazer um novo sócio, terminou com a venda da participação do fundador.
A saída foi concluída em 26 de dezembro de 2018. Naquele momento, a varejista já enfrentava problemas financeiros e acumulava aproximadamente R$ 2,6 bilhões em dívidas.

O passivo informado nessa etapa era de aproximadamente R$ 5,3 bilhões. Nunes sustenta que já não tinha participação na companhia quando os acontecimentos posteriores à venda ocorreram.
Em 2020, Nunes foi preso temporariamente durante uma investigação do Ministério Público de Minas Gerais sobre suspeitas de irregularidades tributárias envolvendo o grupo. Ele foi solto no dia seguinte após prestar depoimento.
Nova aposta tem 560 empresas participantes
Depois de sair da antiga rede, Nunes começou a publicar conteúdos sobre sua experiência nas redes sociais e atraiu mais de 3 milhões de seguidores. A audiência era composta em parte por empresários interessados nas técnicas de gestão e vendas de Ricardo.

O passo seguinte foi reunir antigos executivos que haviam trabalhado com ele e organizar o chamado método RGV, sigla para resultados, gestão e vendas. A metodologia passou a ser oferecida por meio de treinamentos e acompanhamento empresarial.
Uma das portas de entrada é uma imersão presencial de três dias realizada em São Paulo. As turmas recebem aproximadamente 300 novos empresários por mês, com atividades que ocupam praticamente todo o dia.
Os participantes administram negócios de diferentes portes e setores. De acordo com Nunes, há desde empresas que faturam R$ 100 mil por mês até companhias com receitas mensais de dezenas de milhões de reais.
Depois da imersão, os interessados podem ingressar no Clube R1. A primeira etapa envolve um diagnóstico do negócio. Durante três dias, executivos analisam dados da companhia e elaboram um plano de ação.
Grupo projeta acelerar crescimento
Atualmente, 560 empresas estão ativas no programa. O grupo afirma que os negócios associados somam mais de R$ 5 bilhões em faturamento e que aproximadamente 94% dos participantes renovam a assinatura anualmente.
Em toda a operação, o Grupo R1 informa ter alcançado mais de 250 mil pessoas nos 27 estados brasileiros. Para 2026, estão previstos 70 eventos relacionados à metodologia chamada Máquina de Vendas.
Com informações da Revista Exame.
















