A retração do dólar frente ao real alterou o planejamento de viagens e os hábitos de consumo na metade inicial do ano. A queda nos custos de passagens aéreas, reservas de hotéis e despesas operacionais fez o volume gasto em moeda estrangeira atingir o patamar mais elevado já registrado em dados oficiais do país.
Os números do Banco Central
Segundo dados do relatório de Estatísticas do Setor Externo divulgados pelo Banco Central (BC), as despesas de brasileiros no exterior totalizaram US$ 12,61 bilhões entre janeiro e junho. O montante representa um avanço de 22,5% na comparação com o mesmo período do ano passado e consolida a maior marca da série histórica iniciada em 1995 pelo BC.
Variação cambial e fatores de mercado
No primeiro semestre, a moeda norte-americana acumulou recuo de 6,87%, caindo do patamar de R$ 5,49 no início do ano para R$ 5,16 no encerramento de junho. A oscilação reduz diretamente a pressão sobre os preços finais de viagens e serviços cotados em dólar e euro.
De acordo com o Banco Central, a valorização do real foi influenciada pelo papel do Brasil como exportador de petróleo no cenário de tensões geopolíticas no Oriente Médio, o que ampliou o fluxo de capital estrangeiro para o mercado nacional.
Câmbio mais favorável movimenta agências e aeroportos catarinenses
O impacto da cotação menor reflete diretamente no comportamento do consumidor. Agências de viagens e operadoras relatam aumento na procura por destinos internacionais tradicionais, como Estados Unidos, Europa e países da América do Sul.
Paralelamente a isso, em Santa Catarina, a busca por rotas internacionais a partir de terminais como o Aeroporto Internacional de Florianópolis (Floripa Airport) acompanha o aquecimento da demanda por voos para o exterior no período.
Balanço das viagens em junho
No mês de junho, os desembolsos de brasileiros fora do país somaram US$ 2,2 bilhões. Em sentido oposto, os gastos de turistas estrangeiros no Brasil totalizaram US$ 800 milhões no mesmo mês, gerando um saldo negativo de US$ 1,4 bilhão na conta de viagens internacionais.
Tráfego internacional e turismo receptivo
Ao mesmo tempo que as despesas lá fora aumentam, o turismo no Brasil ganha força com a alta no desembarque de estrangeiros. Levantamentos da Embratur indicam avanço no fluxo de viajantes internacionais por via aérea no primeiro semestre, impulsionado pela ampliação de frequências de voos e conexões vindas da América do Norte, América Latina e Ásia.
*Com edição de Luiz Daudt Junior.
