A consolidação do setor de infraestrutura portuária no Brasil ganha novos contornos com o plano de investimentos anunciado pela Rocha Terminais Portuários e Logística. Fundada há 162 anos em Paranaguá e com forte atuação no Sul e Norte do Brasil, a empresa prepara o aporte de mais de R$ 1 bilhão para os próximos anos. O plano visa quadruplicar a escala da companhia no prazo de 10 anos, tendo como eixos centrais a entrada no Porto de Santos e a ampliação da eficiência em terminais onde já opera, como Paranaguá, Rio Grande e São Francisco do Sul.
Estruturação financeira e governança corporativa
A governança da Rocha combina o controle familiar histórico, detentor de 42% das ações, com a participação de um fundo financeiro com 41% e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) com 17%.
Para financiar a nova etapa de expansão sem comprometer o balanço patrimonial, a empresa captou 400 milhões de reais em debêntures, alcançando a nota de crédito AA+ concedida pela agência S&P Global Ratings.
A operação permitiu alongar o perfil das dívidas existentes e assegurar liquidez para novos projetos. Em 2025, a companhia obteve receita líquida de R$ 872,4 milhões, com crescimento de 15%, e prevê fechar 2026 com EBITDA de R$ 310 milhões de reais.
Modernização tecnológica nos terminais do Sul
O ciclo recente de aportes, que somou 700 milhões de reais entre 2024 e 2025, concentrou melhorias operacionais em Paranaguá. A empresa colocou em funcionamento o terminal do Cais Oeste, voltado para grãos como soja e milho, com investimento de R$ 300 milhões e capacidade para 2 milhões de toneladas anuais.
A infraestrutura recebeu também um novo armazém de fertilizantes para 70 mil toneladas e sistemas integrados de esteiras transportadoras entre o cais e a armazenagem, eliminando gargalos de tráfego rodoviário interno e otimizando o tempo de permanência dos navios.
Estratégia de terminal bandeira branca e formação de pessoal
Ao atuar como terminal bandeira branca, prestando serviços para múltiplos exportadores e importadores, a Rocha consegue amortecer oscilações do mercado agrícola. A retração prevista na importação brasileira de fertilizantes em 2026 é absorvida pelo fluxo contínuo de grãos e produtos industrializados.
Contudo, a direção aponta a contratação de profissionais qualificados e a manutenção do padrão operacional em unidades distantes geograficamente como os principais desafios para sustentar o crescimento nas novas fronteiras portuárias.
*Sob supervisão de Luiz Daudt Junior.









