A Geração Z (14 a 29 anos) e a Geração X (46 a 61 anos) concentram mais de 62% de todas as fraudes de identidade registradas no Brasil, com um pico de ataques concentrado no meio do dia. Dados inéditos do Mapa da Fraude da Serasa Experian revelam que criminosos priorizam as terças e quartas-feiras, entre 11h e 15h, para aplicar golpes do sósia e invasões digitais. A nova modalidade usa tecnologia de comparação facial para achar pessoas com características físicas semelhantes às dos criminosos. Com isso, eles burlam validações biométricas em cadastros e abertura de contas.
Mais de R$ 2,8 milhões de fraudes de identidade
A tática foi identificada pela Serasa Experian e descrita no Mapa da Fraude do primeiro semestre de 2026. No período, foram barradas 2,86 milhões de tentativas de fraude de identidade, uma alta de 32,9% ante o mesmo período de 2025, o que equivale a uma ocorrência de alto risco a cada 5 segundos.
As tentativas bloqueadas estavam associadas a um prejuízo estimado em R$ 3,77 bilhões que teria sido evitado no primeiro semestre de 2026. Datas comemorativas aumentam a pressão do crime digital no país, como durante o Dia dos Namorados, em que o risco de fraude de identidade disparou 22% acima da média nacional.
FOTOS: Como os golpes digitais se espalham no Brasil
Funcionamento do golpe do sósia
Criminosos usam “motores de comparação facial” para cruzar o próprio rosto com imagens de bases diversas, inclusive obtidas de forma ilícita. A ferramenta localiza identidades legítimas com alto grau de semelhança física.
A partir daí, o fraudador escolhe uma identidade mais propensa a passar por validação biométrica e tenta usar os dados dessa vítima em cadastros ou abertura de conta. Isso inverte a lógica tradicional, pois em vez de partir dos dados da vítima para assumir sua identidade, o criminoso começa pelo próprio rosto e procura um “sósia”.
Risco na telefonia e mercado financeiro
O setor de telefonia registrou a maior taxa de risco do mercado, atingindo 3,56%, um índice 84% superior à média nacional. A matriz financeira, formados por bancos, fintechs e cartões lidera o volume absoluto de investidas. Em 62% dos casos externos, o golpe do sósia e outras abordagens começam com anúncios fraudulentos e páginas clonadas.
A Carteira Nacional de Habilitação (CNH) (0,52%) e o Registro Geral (RG) (0,42%) figuram como os documentos mais visados por criminosos para burlar a validação biométrica e simular dados de terceiros.
O Sudeste concentra 46,5%, com 557.097 de todas as tentativas de fraude de identidade do país e mantém a maior taxa de risco do território nacional, com 0,72%.
Proteção além do reconhecimento facial
A Serasa Experian defende que o reconhecimento facial não seja usado como única camada de autenticação. A combinação com outros sinais ajuda a detectar inconsistências que a análise apenas do rosto não identifica.
Soluções eficientes exigem combinar biometria facial e prova de vida, validação e análise documental, cruzamento de dados cadastrais, análise do dispositivo e da jornada digital, monitoramento de tentativas repetidas, identificação de padrões suspeitos e atualização contínua de regras e modelos antifraude.
Para empresas, adotar prevenção em camadas é indispensável para evitar que uma única imagem ou informação seja suficiente para concluir um cadastro. A análise conjunta desses elementos pode detectar situações em que o rosto apresenta alta similaridade, mas outros dados da operação indicam uma possível tentativa de fraude.
Para o consumidor, também vale reforçar a atenção com links e mensagens, principalmente entre 11h e 15h às terças e quartas-feiras. A perda repentina de sinal do celular, consultas ou abertura de contas desconhecidas e ofertas que pedem dados de documentos são sinais que merecem verificação imediata.
*Sob supervisão de Luiz Daudt Junior.





