Google muda regras para anúncios financeiros e cria trava contra golpes virtuais 

Em parceria com o Ministério da Justiça, plataforma passa a exigir selo oficial de verificação; público acima de 50 anos é o alvo principal de fraudes com o Pix

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Medidas de verificação de identidade e responsabilização civil buscam conter o volume de anúncios irregulares que utilizam marcas consolidadas para enganar consumidores (Foto: Banco de Imagens)

O Google e o Ministério da Justiça assinaram um acordo de cooperação técnica para restringir a veiculação de publicidade de produtos e serviços financeiros no Brasil. A medida, que entra em vigor de forma imediata e gradual, exige que os anunciantes passem por uma auditoria de identidade para obter um selo de verificação oficial. Sem essa certificação, as contas ficam impedidas de rodar campanhas no país. Pelo acordo, o Google se compromete, a partir da garantia de acesso ao banco de dados de bancos, corretoras, seguradoras, financeiras e demais instituições do setor financeiros, a adotar procedimentos de verificação antes de autorizar a veiculação de anúncios de bancos. A iniciativa surge como uma resposta direta ao avanço das fraudes virtuais e busca proteger o consumidor ao criar travas automatizadas no sistema de buscas, enquanto a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e a Secretaria de Direitos Digitais (Sedigi) monitoram a eficácia das restrições.

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Bloqueio de anúncios fraudulentos

As novas barreiras tecnológicas apresentadas pela plataforma tentam parar um volume bilionário de irregularidades. De acordo com o Relatório de Segurança de Anúncios do Google, a empresa derrubou 374,8 milhões de propagandas fraudulentas direcionadas ao público brasileiro ao longo de 2025.

Nesse mesmo período, 1,3 milhão de contas de anunciantes baseadas no país foram desativadas por descumprirem as regras de uso. O principal motivo dos bloqueios na rede é a deturpação de conteúdo, tática em que o anúncio camufla o real destino do link clicado pelo usuário. O cenário já vinha dando sinais de alerta no ano anterior, quando as remoções por esse motivo passaram de 201 milhões em todo o território nacional.

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Armadilhas do ganho rápido

Ataques desse tipo costumam ir além dos mecanismos de busca e alcançam com força as redes sociais. Um levantamento do Observatório Lupa, que rastreou os golpes de maior circulação no país entre maio de 2024 e abril de 2026, aponta que 71% dos casos prometiam vantagens financeiras fictícias de retorno rápido. Para atrair as vítimas, 74% das infrações registradas usavam identidades clonadas de marcas consolidadas ou simulavam o apoio de figuras públicas.

O Pix consolidou-se como a principal ferramenta para o desvio de dinheiro nessas operações, sendo a única forma de pagamento exigida em um terço das fraudes mapeadas. Dados da Associação de Defesa de Dados Pessoais e do Consumidor (ADDP) mostram que, de janeiro a setembro de 2025, o Brasil registrou 28 milhões de incidentes financeiros vinculados a essa modalidade de transferência. Dentro desse ecossistema, os internautas com mais de 50 anos aparecem como o alvo mais frequente dos criminosos, concentrando 53% das ocorrências.

Nova regra de responsabilidade civil

O endurecimento das regras de publicidade de anúncios coincide com uma mudança profunda no ambiente regulatório do país. Em maio deste ano, entrou em vigor o decreto que regulamenta o Marco Civil da Internet, consolidando a orientação definida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em junho de 2025.

Com a nova base jurídica, as plataformas de tecnologia passam a responder civilmente por golpes financeiros patrocinados em suas estruturas. O modelo anterior, que exigia uma ordem judicial prévia para a retirada de conteúdos suspeitos do ar, foi substituído pela obrigação de remoção imediata assim que a empresa receber alertas diretos dos próprios usuários.

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*Com edição de Luiz Daudt Junior.