A greve dos trabalhadores dos Correios continua por tempo indeterminado e sem previsão de encerramento, segundo a Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (Findect). A greve começou na última sexta-feira (11) após os trabalhadores negarem uma proposta de negociações.
A paralisação começou na sexta (11), quando os trabalhadores rejeitaram, em assembleias, a proposta apresentada pela empresa nas negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). Segundo a Findect, um dos principais impasses nas negociações é o plano de saúde dos funcionários. De acordo com informações do g1, a entidade afirma que a direção dos Correios pretende fazer alterações no benefício.
“A decisão das assembleias ocorre depois de sucessivas rodadas de negociação e tentativas de mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST). A categoria buscou uma solução negociada, mas a empresa manteve sua posição em um tema considerado fundamental pelos trabalhadores”, diz a federação.
Em nota enviada ao portal g1, os Correios informaram que acionaram o “Plano de Continuidade de Negócios” para reduzir os impactos da greve e manter os serviços de entrega em todo o país. A empresa não afirmou se haverá alteração nas datas de entrega ou quais regiões poderão ser mais afetadas pela paralisação.
80% das atividades devem continuar
Na última sexta-feira (11), os Correios ajuizaram um pedido de dissídio coletivo no Tribunal Superior do Trabalho (TST), após o encerramento da mediação sem acordo e a rejeição da proposta para do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026/2028.
No sábado (12), o TST determinou que pelo menos 80% dos trabalhadores permaneçam trabalhando em cada unidade dos Correios durante a greve. A medida atinge trabalhadores das unidades de atendimento, tratamento, transporte, distribuição e áreas administrativas ou de suporte indispensáveis à continuidade da cadeia postal.
O julgamento do dissídio coletivo deve ser realizado no dia 21 de setembro, às 13h30, na Seção Especializada em Dissídios Coletivos (SDC). Até lá, ainda é possível que as partes cheguem a um acordo antes do julgamento.
Empresa passa por crise financeira
Os Correios estão há cerca de 15 trimestres consecutivos no vermelho, de acordo com informações do g1. Só no primeiro semestre deste ano, a empresa registrou prejuízo de R$ 5,6 bilhões.
O prejuízo do segundo trimestre deste ano, no entanto, foi menor do que os registrados nos dois trimestres anteriores: o primeiro trimestre de 2026 e o quarto trimestre de 2025. Agora, a empresa espera receber um novo empréstimo até 15 de setembro.
A nova injeção de recursos deve vir de um consórcio formado por bancos, assim como no fim do ano passado, quando a empresa recebeu R$ 12 bilhões, de acordo com o g1. Agora, o grupo deve envolver três instituições financeiras estrangeiras, Citibank, J.P. Morgan e Deutsche Bank, e o Banrisul.
Regiões que aderiram à greve
Segundo a Findect, as seguintes entidades que participam da paralisação são:
- SINTECT-AC (Acre) — assembleia prevista para hoje
- SINTECT-AL (Alagoas)
- SINTECT-AM (Amazonas)
- SINTECT-AP (Amapá)
- SINTECT-BA (Bahia)
- SINTECT-CAS (Campinas)
- SINTECT-CE (Ceará)
- SINTECT-DF (Distrito Federal)
- SINTECT-ES (Espírito Santo)
- SINTECT-GO (Goiás)
- SINTECT-JFA (Juiz de Fora)
- SINTECT-MG (Minas Gerais)
- SINTECT-MT (Mato Grosso)
- SINTECT-RO (Rondônia)
- SINCORT-PA (Pará)
- SINTECT-PB (Paraíba)
- SINTECT-PE (Pernambuco)
- SINTECT-PI (Piauí)
- SINTCOM-PR (Paraná)
- SINTECT-RN (Rio Grande do Norte)
- SINTECT-RR (Roraima)
- SINTECT-RPO (Ribeirão Preto)
- SINTECT-RS (Rio Grande do Sul)
- SINTECT-SC (Santa Catarina)
- SINTECT-SE (Sergipe)
- SINTECT-SJO (São José do Rio Preto)
- SINTECT-SMA (Santa Maria)
- SINTECT-TO (Tocantins)
- SINTECT-URA (Uberaba)
- SINTECT-VP (Vale do Paraíba)
- SINDECTEB (Bauru e região)
- SINTECT-MA (Maranhão)
- SINTECT-MS (Mato Grosso do Sul)
- SINTECT-RJ (Rio de Janeiro)
- SINTECT-Santos (Santos e região)
- SINTECT-SP (São Paulo)
Em nota, a empresa anunciou que está adotando medidas para diminuir os impactos das atividades e que a paralisação ocorre em um momento difícil.
O que diz a empresa
“Os Correios acionaram seu Plano de Continuidade de Negócios para manter os serviços em todo o país e reduzir eventuais impactos da paralisação anunciada pelas entidades sindicais no último dia 10.
Entre as medidas adotadas estão a mobilização de empregados administrativos para apoio às atividades operacionais, o remanejamento de veículos e a realização de mutirões para preservar o fluxo logístico. Vale destacar que a rede de agências permanece aberta ao público.
A estatal ajuizou, na sexta-feira (11), pedido de dissídio coletivo junto ao Tribunal Superior do Trabalho (TST). A medida foi tomada após o encerramento da mediação sem acordo e a rejeição, nas assembleias sindicais, da proposta para o ACT 2026/2028. As assembleias também aprovaram a greve.
No sábado (12), o tribunal determinou, em decisão liminar, a manutenção de 80% do efetivo em atividade, em cada unidade ou estabelecimento da empresa, abrangendo as unidades de atendimento, tratamento, transporte, distribuição e administrativas ou de suporte indispensáveis à continuidade da cadeia postal, durante a paralisação.
O julgamento do dissídio coletivo está marcado para o dia 21 de setembro, às 13h30. Ainda é possível haver acordo entre as partes no curso do processo, antes do julgamento.
A estatal reafirma o respeito ao direito de greve dos trabalhadores, porém, ressalta que a paralisação ocorre em um momento especialmente sensível.
A empresa segue diante de uma situação econômico-financeira desafiadora e mantém o foco na redução de despesas, no aumento da eficiência, na modernização da operação e na geração de novas receitas.
Para situações específicas, os clientes podem entrar em contato pelos telefones 4003-8210 e 0800-881-8210 ou utilizar os canais digitais de atendimento da empresa”.





