Pouco conhecida, a maior fábrica da Coca-Cola no mundo está localizada no Brasil, mais especificamente em Jundiaí, no interior de São Paulo e produz mais de 2 bilhões de litros de bebidas por ano.
Com um aporte R$ 360 milhões da multinacional norte-americana, a megafábrica em São Paulo está recebendo, desde 2024, investimentos para ampliar a capacidade industrial e modernizar processos.
Uma das principais linhas de expansão é a de garrafas retornáveis e dos sistemas voltados ao tratamento e reaproveitamento de água.
Segundo a Coca-Cola, o investimento foi estruturado principalmente nessas duas frentes, sendo: R$ 191 milhões destinados à nova linha de embalagens retornáveis e a processos associados a esse tipo de garrafa e outros R$ 97,5 milhões aplicados na infraestrutura de tratamento de água.
Ao portal Exame, Mario Schafascheck, diretor de Supply Chain da Coca-Cola FEMSA Brasil, informou que a decisão de investir veio acompanhada da necessidade de atender ao aumento da demanda e, ao mesmo tempo, atualizar os equipamentos utilizados na operação.
“A demanda está pedindo, e aí investimos”, afirma Schafascheck, que completa: “Foi uma oportunidade que a gente teve de aumentar a capacidade e renovar a tecnologia”.
Maior fábrica da Coca-Cola expande linhas de garrafas retornáveis
Com o investimento na nova estrutura, a capacidade de envase das garrafas retornáveis mais que dobrou em produção de unidades por hora.
“Com a nova linha a capacidade de envase de garrafas retornáveis passou de cerca de 24 mil para 50 mil unidades por hora”, disse Schafascheck ao Exame.
A unidade de Jundiaí distribui sua produção por 14 centros de distribuição e cerca de 90% do volume fabricado no local permanece dentro do estado de São Paulo.
Como funciona o sistema de garrafas retornáveis?
O modelo de embalagem também está relacionado à estratégia de reaproveitamento dos materiais utilizados pela indústria.
Após o consumo, as garrafas retornam à fábrica, onde passam por etapas de separação, higienização e inspeção. Quando estão em condições adequadas, são novamente utilizadas na linha de produção. As embalagens que deixam de apresentar condições para retornar ao processo são retiradas da operação e encaminhadas para reciclagem.
Além do aspecto relacionado ao reaproveitamento, as embalagens retornáveis representam uma alternativa de preço mais acessível ao consumidor e estão inseridas em um sistema baseado na chamada economia circular.
Para a empresa, ampliar esse modelo também permite elevar a produção sem necessariamente aumentar na mesma proporção a utilização de recursos naturais.
“Eu vou produzir mais nessa linha nova de retornável, mas vou gastar menos água. Eu aumento a capacidade, melhor a eficiência e não estresso a fonte”, informou o diretor da Coca-Cola FEMSA Brasil.
Tratamento de água como economia produtiva
A água é outro ponto central do projeto de modernização da fábrica. Dos mais de R$ 360 milhões previstos para o período entre 2024 e 2026, aproximadamente R$ 97,5 milhões foram direcionados aos sistemas de tratamento de água.
A estratégia inclui modernizar estruturas responsáveis pelo tratamento de água e efluentes e ampliar o reaproveitamento do recurso dentro da própria operação industrial.
Ao Exame, Mario Schafascheck afirmou que parte da água utilizada durante os processos industriais pode ser direcionada posteriormente para atividades que não exigem água potável.
“A lógica é reaproveitar água utilizada no processo industrial em atividades que não exigem água potável, como refrigeração, limpeza e etapas da lavagem das embalagens”, diz Schafascheck.
Com a modernização, a companhia estima uma economia de 30 mil litros de água por dia na unidade. Segundo o diretor, a redução passou a ser observada na operação em agosto deste ano.




