Motoristas de aplicativos que já somam 1,2 milhão de profissionais trabalham 5,4 horas a mais por semana, para empatar a renda com o mercado tradicional no Brasil, revela a Pnad Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O recorte inédito aponta que, dentro do transporte de passageiros, cerca de 1,1 milhão de pessoas atuam em plataformas como Uber e 99, enquanto 232 mil trabalham exclusivamente em aplicativos de táxi.
Para alcançar o mesmo salário médio de quem tem uma ocupação convencional, valor aproximado de R$ 3.148 por mês, quem atua no transporte de passageiros precisa esticar a rotina sobre quatro rodas. O rendimento por hora dos plataformizados equivale a R$ 16,20, um valor 12% inferior aos R$ 18,40 pagos por hora nas demais profissões.
Essa diferença no bolso faz com que 58,9% de condutores de veículos por plataformas enfrentem uma rotina semanal de 44,7 horas ao volante, e superam, em mais de uma hora diária, a média do trabalhador brasileiro.
Raio-X de motoristas por aplicativo no Brasil
- Trabalhadores totais por aplicativos de serviço: 2 milhões de pessoas
- Motoristas de aplicativo de transporte: 1,2 milhão de condutores
- Jornada de trabalho semanal: 44,7 horas (aplicativos) contra 39,3 horas (demais setores)
- Ganho médio por hora: R$ 16,20 (aplicativos) contra R$ 18,40 (demais setores)
- Renda média mensal: R$ 3.147 (aplicativos) contra R$ 3.148 (demais setores)
- Controle de preços: 80,2% relatam que a tarifa é definida inteiramente pelas plataformas
Transporte lidera trabalho em plataformas
O número dos motoristas que trabalham por aplicativos cresceu 36,8%, entre 2022 e 2025. Saltou de 1,3 milhão para 1,8 milhão de pessoas que têm a atividade como ocupação principal.
O transporte de passageiros é o grande motor dessa expansão, concentrando 58,9% de todas as vagas do setor plataformizado no país. Essa categoria reúne 1,1 milhão de condutores em plataformas de veículos particulares e 232 mil motoristas em aplicativos de táxi.
O avanço do número de motoristas entre 2022 e 2025 também foi expressivo. A quantidade de pessoas trabalhando com transporte particular por aplicativo passou de 752 mil para 1,036 milhão, crescimento de 37,8% no período.
O movimento acompanha a expansão do próprio trabalho plataformizado no país. Em 2025, cerca de 2 milhões de pessoas trabalhavam por meio de aplicativos de serviços.
Flexibilidade e falta de empregos formais
Trabalhar como motorista de aplicativo se tornou o caminho para driblar a escassez do mercado formal e garantir a renda rápida. A busca por essa autonomia atrai em sua maioria, homens, jovens adultos, com ensino médio completo e trabalhadores por conta própria.
Em média, 26,8% dos condutores escolheram a atividade impulsionados pela flexibilidade de horários, já outros 24,6% dos motoristas ingressaram na função por não encontrarem outra oportunidade de trabalho.
Jornada estendida e rendimento por hora
O valor recebido é de R$ 16,20 por hora , sem descontar despesas que saem do próprio bolso do motorista de aplicativo. Gastos com combustível, manutenção do veículo, seguro e a depreciação do carro reduzem o ganho real ao fim do mês. Além disso, o tempo investido na espera por novas chamadas entre uma corrida e outra não entra nessa conta.
A dependência das regras impostas pela tecnologia dita o ritmo da categoria. Entre os motoristas de transporte particular por aplicativo, 80,2% dos motoristas de aplicativo afirmam que as empresas determinam totalmente o valor fixado por cada viagem. Ou seja, embora o motorista esteja diretamente envolvido na execução do serviço, a maior parte declara não ter autonomia para definir quanto receberá por cada corrida.
A pesquisa do IBGE também revela o grau de dependência das plataformas. Entre os trabalhadores por aplicativo, 62,5% dos plataformizados trabalham conectados a apenas uma plataforma. Combinado a isso e a frequência de uso, o recorte mapeou que 38% do total de profissionais atuam de maneira 100% exclusiva em um único aplicativo.
A concentração da atividade em uma única empresa ou aplicativo reduz as alternativas disponíveis para quem depende desse tipo de trabalho. No transporte, essa relação ganha ainda mais peso porque a plataforma interfere diretamente na distribuição das corridas e na definição dos valores pagos pelas tarefas.
Para quem trabalha como motorista de aplicativo ou taxista e pretende trocar de carro, o Move Brasil, programa que oferece financiamento de até R$ 150 mil para a compra de veículos, abre espaço para buscar modelos mais adequados à rotina de trabalho. Em Santa Catarina, alguns veículos se destacam entre os mais procurados pelos motoristas.
FOTOS: Veja os carros de R$30 mil atendidos pelo Move Brasil mais buscados em SC
*Com edição de Nicoly Souza










