A multinacional agroindustrial Bunge, de origem holandesa, fechou uma fábrica de produtos utilizados na produção de fertilizantes agrícolas em Campana, na província de Buenos Aires, na Argentina, na última segunda-feira (26). A decisão afeta 110 trabalhadores e encerra as atividades de uma unidade industrial que funcionava havia mais de 50 anos.
As informações foram divulgadas pelo jornal argentino La Nación na terça-feira (27). A fábrica produzia amônia e tiossulfato de amônio, dois insumos utilizados na fabricação de fertilizantes. A operação também tinha participação da Associação de Cooperativas Argentinas (ACA), que detinha uma parcela equivalente a 17,5% da produção.
Segundo o La Nación, o fechamento ocorreu após um período de avaliação de alternativas operacionais e comerciais para manter a atividade. A empresa concluiu que não havia condições para continuar a produção na unidade, principalmente em razão de problemas de infraestrutura, limitações tecnológicas e mudanças nas condições do mercado e no fornecimento de insumos.
A amônia é uma matéria-prima utilizada na fabricação de fertilizantes nitrogenados, como a ureia granulada, aplicada em lavouras para fornecer nitrogênio às plantas. O nutriente é importante para o desenvolvimento de culturas como trigo, milho, cevada e arroz. Já o tiossulfato de amônio é utilizado na composição de fertilizantes líquidos que fornecem nitrogênio e enxofre. Os produtos são aplicados em culturas como trigo, milho, girassol e soja.
Fechamento afeta 110 trabalhadores
Um dos principais impactos da decisão envolve os 110 funcionários da fábrica e suas famílias. A decisão foi anunciada na tarde de segunda-feira (26) e pegou de surpresa tanto os trabalhadores quanto a liderança sindical. O sindicato afirmou que não houve avisos prévios e que a empresa impediu a entrada da equipe do turno da noite nas instalações.
“Ninguém que começou a trabalhar hoje sabia que seria demitido esta tarde. Nós também não ”, disse o secretário-geral do sindicato, Oscar Casco, em declarações divulgadas pelo iProfesional.
Segundo o La Nación, está previsto um processo de acompanhamento dos trabalhadores afetados, com o compromisso de cumprimento das obrigações trabalhistas. Até a publicação da reportagem, a empresa não havia informado quando ocorrerá o encerramento definitivo das atividades nem como será resolvida a situação de cada funcionário. Também não havia detalhes sobre possíveis transferências para outras unidades da companhia.
Em nota, a Bunge afirmou que o encerramento se restringe à fábrica de Campana e não altera suas demais atividades na Argentina. A empresa também disse que continuará investindo em infraestrutura e ativos produtivos ligados ao processamento de matérias-primas agrícolas no país.
Bunge lidera exportações agrícolas na Argentina
O fechamento da fábrica ocorre em um ano de expansão da presença da Bunge no mercado argentino. Após a integração com a Viterra, a companhia se consolidou como a principal agroexportadora do país.
Segundo levantamento da Bolsa de Comércio de Rosário (BCR), a empresa registrou 11,6 milhões de toneladas em declarações de vendas ao exterior no primeiro semestre de 2026. Foi o maior volume registrado por uma companhia no período nos últimos cinco anos, pelo menos.
Bunge tem origem holandesa

Fundada em 1818, em Amsterdã, na Holanda, a Bunge nasceu como uma empresa de comercialização de grãos e produtos importados. Criada pelo negociante Johannpeter G. Bunge, a companhia expandiu seus negócios pela Europa e, ao longo do século 19, avançou para outros continentes. Em 1884, chegou à Argentina, onde Ernest Bunge, irmão de Edouard Bunge, criou a empresa Bunge Y Born com sócios locais para atuar no mercado de exportação de grãos.
No Brasil, a trajetória começou em 1905, inicialmente como sócia de um moinho em Santos. Ao longo das décadas, ampliou sua presença na cadeia agrícola, passando a atuar no processamento de grãos, na produção de óleos vegetais, farinhas e ingredientes para a indústria alimentícia. Atualmente, a companhia tem operações em mais de 40 países e uma rede com mais de 300 unidades industriais, silos e terminais portuários.
Apesar da origem holandesa, a Bunge tem hoje sede global em St. Louis, nos Estados Unidos. A empresa também está entre as maiores processadoras de oleaginosas do mundo e comercializa no Brasil marcas conhecidas, como Soya, além de farinhas e outros produtos destinados ao consumidor e à indústria.





