O icônico Caldo de Cana Catedral pode ter que deixar o ponto onde está localizado há mais de 50 anos atendendo moradores e turistas no Centro de Joinville, no Norte de SC. A decisão de sair do local não foi de Michele Nunes, proprietária do negócio, mas sim da Catedral São Francisco Xavier, que pediu de volta o imóvel que aluga para a família dona do empreendimento. “Não sei nem por onde recomeçar”, desabafa Michele após ter sido pega de surpresa pela decisão.
O ponto do tradicional caldo de cana existe há mais de 50 anos. Há 30, o pai de Michele comprou o negócio que, depois da sua morte em 2021, é tocado pela filha.
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O empreendimento sempre funcionou no mesmo local, um imóvel ao lado da Catedral São Francisco Xavier, na Rua do Príncipe. A igreja é dona do ponto e aluga o pequeno quiosque para a família. Além deles, outras lojas pagam aluguel para a Catedral, proprietária de outros imóveis vizinhos.
Pedido de devolução do imóvel pegou de surpresa a família dona do Caldo de Cana Catedral
Foi em meados de agosto que o Padre Adenir José Ronchi chamou Michele e a filha dela para uma reunião junto com outro sacerdote e um advogado, momento em que foi informado que elas teriam que deixar o quiosque, já que a Catedral instalaria ali uma subestação elétrica.
“Foi uma notícia muito impactante pra gente, que não esperava essa ação por ser a igreja. […] A gente já se sentiu constrangida porque não fomos preparadas. Imagina duas mulheres, a gente. Mas, de qualquer forma, a gente ficou lá, aí eles nos colocaram que a gente teria 30 dias pra sair, que aqui [quiosque] será uma subestação elétrica, que o projeto foi aprovado”, diz Michele com indignação.
Entretanto, mais tarde, a família soube que não seria instalada uma subestação elétrica no local. “A gente não sabe o que que tá acontecendo porque uma hora eles querem uma coisa, outra hora eles querem outra, então a gente não sabe. A gente também está, assim, abalada, não sabe o que está acontecendo, não sabe o que vai acontecer”, desabafa a mãe.
Michele conta que a igreja deu 30 dias para que elas desocupem o local. A família ainda não sabe o que vai fazer e explica que o negócio é a única fonte de renda da casa, já que é tocado por mãe e filha. “A gente não sabe nem por onde recomeçar”, diz Michele. Elas repassaram o caso a um advogado, que irá dar apoio jurídico à família.
O comunicado, além de deixar a família desamparada, ainda trouxe revolta aos moradores e clientes. Enquanto a reportagem do NSC Total esteve no local, diversos clientes que por ali passaram manifestaram indignação, já que o Caldo de Cana Catedral virou um negócio tradicional e histórico em Joinville. Por enquanto, a família segue com a empresa funcionando no local.
Em nota, a Arquidiocese de Joinville informou que a relação existente entre a Catedral São Francisco Xavier e a empresa Caldo de Cana Catedral é de natureza privada, estabelecida entre locador e locatário mediante contrato, no qual estão previstas, entre outras disposições, as condições para o encerramento da locação e a retomada do imóvel pelo locador.
“Assim, observando integralmente o pactuado, a locação encontra-se em processo de encerramento, tendo em vista que a área será destinada à continuidade dos trabalhos de revitalização da Catedral”, informou. Segundo Michele, a igreja pediu um distrato do contrato, ou seja, o cancelamento dele.
Errata: Inicialmente a reportagem informou que o empreendimento fecharia, mas foi confirmado pela proprietária não irá fechar, apesar do pedido da igreja.









