O Oeste de Santa Catarina tem mais um indicador para mostrar a força do agronegócio regional. São Miguel do Oeste aparece entre os municípios que mais geram riqueza a partir da atividade agropecuária no Estado, em um cenário de recuperação da produção após períodos marcados por adversidades climáticas.
O município do Extremo-Oeste movimentou, segundo o levantamento apresentado com base nos dados do PIB dos Municípios 2023 do IBGE, cerca de R$ 1,72 bilhão em valor relacionado à atividade agropecuária. Na liderança estadual está Lages, na Serra, com aproximadamente R$ 1,79 bilhão. Juntos, os dois municípios ultrapassam R$ 3,5 bilhões.
O IBGE disponibiliza, para cada município, as estimativas do valor adicionado bruto da agropecuária, indústria e serviços, além do PIB e do PIB per capita. A série de 2023 é a mais recente disponível na base do PIB dos Municípios.
No caso de São Miguel do Oeste, o resultado evidencia a importância do campo para uma economia que também possui forte presença do comércio, serviços e indústria. O prefeito Vardelídio Edenilson Zanardi (PL) comemorou o desempenho do município e destacou que a força econômica do campo não está concentrada em uma única atividade.
“A produção de milho, a suinocultura e a bovinocultura de leite são os verdadeiros pilares da nossa economia no campo”, enfatizou em uma rede social.
Milho ganha protagonismo no Extremo-Oeste
Entre os fatores que ajudam a explicar o desempenho de São Miguel do Oeste está a produção de milho, atividade que possui forte ligação com outras cadeias do agronegócio, especialmente a produção de suínos e leite.
A dinâmica é característica do modelo agropecuário catarinense: a produção de grãos não termina na lavoura. O milho, por exemplo, serve de base para a alimentação animal e movimenta uma extensa cadeia que envolve produtores, cooperativas, transportadores, agroindústrias, fornecedores de insumos e trabalhadores.
Estudo da Epagri/Cepa mostra que o milho e a soja estão entre os principais grãos produzidos em Santa Catarina e que, ao longo da última década, a soja apresentou forte expansão de área, enquanto o milho passou por mudanças importantes em área e produtividade. O milho para silagem, por sua vez, avançou associado ao crescimento da produção leiteira.
Agro catarinense bate recorde
O desempenho de São Miguel do Oeste ocorre em um momento especialmente positivo para a agropecuária catarinense.
De acordo com o levantamento mais recente da Epagri/Cepa, o Valor da Produção Agropecuária (VPA) de Santa Catarina chegou a R$ 74,9 bilhões em 2025, crescimento de 15,4% em relação aos R$ 64,8 bilhões registrados em 2024. O avanço foi resultado da combinação entre aumento do volume produzido e melhora dos preços recebidos pelos produtores.
Os principais responsáveis pela expansão foram justamente produtos importantes para a economia do Oeste e do Extremo-Oeste. O milho em grão teve aumento de 50,5% no valor produzido, enquanto o milho para silagem cresceu 46%. A soja avançou 24,3%.
Também registraram crescimento expressivo a maçã, com 34,3%, o tabaco, com 33%, os bovinos, com 32,6%, e os suínos, com 20,1%.
As cidades que mais movimentam o agro de SC
- 1º Chapecó – R$ 4,09 bilhões | Destaque na suinocultura
- 2º Concórdia – R$ 2,72 bilhões | Referência na avicultura
- 3º Xanxerê – R$ 2,31 bilhões | Forte atuação na bovinocultura
- 4º Lages – R$ 1,79 bilhão | Destaque na produção de soja e outras culturas agrícolas
- 5º São Miguel do Oeste – R$ 1,72 bilhão | Expressiva produção de milho
- 6º Joaçaba – R$ 1,61 bilhão | Importante polo da pecuária e da produção de leite
Recuperação depois de um período difícil
O resultado representa uma recuperação importante para o setor depois de anos em que o clima prejudicou parte das lavouras. A Epagri/Cepa aponta que clima, área cultivada, produtividade, preços, custos de produção, demanda e tecnologiaestão entre os fatores que determinam o desempenho econômico da agropecuária.
Em 2025, a combinação foi favorável: além de maior produção, os agricultores receberam preços melhores por diversos produtos.
No caso dos grãos, o desempenho foi especialmente relevante. Milho e soja foram protagonistas da recuperação, enquanto outros produtos apresentaram comportamentos distintos.
Arroz e feijão tiveram aumento no volume produzido, mas a queda nos preços limitou o impacto financeiro. O trigo apresentou boa produtividade e qualidade, porém teve redução de 11% no volume total em razão da diminuição da área cultivada.
Nas lavouras temporárias, tabaco e mandioca tiveram valorização. Entre as culturas permanentes, a maçã se destacou pelo crescimento da produção e pela melhora dos preços, enquanto banana, uva e maracujá também contribuíram para o resultado estadual.
Produção animal mantém peso decisivo
Embora os grãos tenham sido fundamentais para a recuperação recente, a produção animal continua sendo a principal base econômica do agronegócio catarinense.
Segundo a Epagri/Cepa, os produtos de origem animal representam mais de 60% do VPA estadual. Em 2025, seis produtos concentraram quase 70% de todo o valor produzido pela agropecuária catarinense: suínos, frangos, leite, soja, tabaco e bovinos.
Os suínos respondem por 21,9% do VPA, os frangos por 15,4%, o leite por 11,5%, a soja por 9%, o tabaco por 6,1% e os bovinos por 5,3%.
É justamente nessa combinação entre grãos, criação animal e agroindústria que está parte da explicação para a força econômica do Oeste e do Extremo-Oeste.
Um setor que envolve centenas de milhares de pessoas
A dimensão do agronegócio catarinense também pode ser medida pela quantidade de pessoas e propriedades envolvidas na atividade.
Segundo a Epagri, Santa Catarina possui mais de 140 mil estabelecimentos agropecuários, com aproximadamente 480 mil pessoas envolvidas nas atividades de lavouras, florestas e criações animais. A produção primária da agropecuária responde por cerca de 7% do valor adicionado da economia estadual.





