Mais de 10 mil empregos foram cortados no último ano pela Organização das Nações Unidas (ONU) em meio a dívidas milionárias de países como os Estados Unidos, que deixou de pagar 1,6 bilhão de dólares nos últimos dois anos. O corte no orçamento ameaça a ajuda a refugiados no mundo todo, além de programas e ações humanitárias.
Mais da metade das agências e organismos da ONU sofreram com demissões em 2025, segundo informações do g1. Entre eles, estão o Alto Comissariado para Refugiados (ACNUR), a Organização Internacional para as Migrações (OIM) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), conforme dados do Conselho de Chefes Executivos da ONU.
O relatório aponta que eram 130.948 postos de trabalho em 2024, enquanto em 2025 o número caiu para 120.176, o que representa uma queda de 8%. Outros 2,9 mil cargos devem ser extintos em 2026. Além disso, também foi instituído um programa de demissão voluntária e de aposentadorias antecipadas.
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Cortes deixam milhões de pessoas sem assistência
Na ACNUR, a solicitação era de 10,6 bilhões de dólares para que fosse possível dar suporte humanitário para quase 130 milhões de pessoas em todo o mundo. No entanto, foi arrecadado menos de 50% do valor, o que faz com que o Comissariado para Refugiados não consiga cumprir todas as operações.
Na agência, um terço dos empregos foram cortado, com encerramento de operações em 15 países. Em 2026, 8,3 milhões de pessoas de países como Afeganistão, Síria e Etiópia podem deixar de receber assistência por causa dos cortes.
“Estamos fazendo tudo o que podemos para minimizar o impacto sobre os refugiados e direcionar os recursos para proteção que salva vidas, assistência emergencial e apoio que ajude os refugiados a se tornarem autossuficientes”, afirmou um porta-voz do ACNUR ao g1.
No Brasil, até o final de agosto, a ACNUR tinha recebido apenas 22% dos recursos necessários para operar durante o ano de 2026.
Atraso de pagamento pelos EUA
Entre os maiores devedores da ONU estão os Estados Unidos, país que mais contribui para o orçamento da organização. Em setembro, o país devia 1,3 bilhão de dólares para a ONU em contribuições anuais, o que não inclui repasses para as missões de paz, também obrigatórios.
Em setembro, os Estados Unidos pagaram 725 milhões de dólares das contribuições anuais, e outros 102 milhões de dólares para as missões de paz.
Até o início de outubro, 143 dos 193 países-membros quitaram os repasses previstos para 2026. O Brasil está na lista, concluindo em março o pagamento de 44,8 milhões de dólares, o que equivale a R$ 223 milhões.




