Pacote de cortes de gastos do governo entra em pauta essa semana: “Cortar políticas ineficientes”

Mercado financeiro aguarda propostas para reduzir despesas

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Reunião deve ocorrer na próxima semana (Foto: Antônio Cruz, Marcelo Camargo, Agência Brasil)

O presidente Lula (PT) deve se reunir com o ministro da Fazenda Fernando Haddad ao longo desta semana para debater o pacote de cortes de gastos públicos. Passadas as eleições municipais e com o retorno de Fernando Haddad e Simone Tebet a Brasília nesta segunda-feira (28), o tema volta à pauta, e é aguardado pelo mercado financeiro.

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No início de outubro, a ministra do Planejamento, Simone Tebet, deu declarações em que afirmava que essas propostas seriam levadas ao legislativo depois das eleições. “Chegou a hora para levar a sério a revisão de gastos estruturais”, afirmou, na ocasião.

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Nesta segunda, Tebet defendeu o corte de políticas públicas ineficientes e disse estar fazendo o dever de casa. Porém, afirmou que é preciso “coragem” para realizar os cortes necessários.

— Não existe social sem fiscal. Os números estão aí para mostrar que tudo que tinha que dar certo deu. Só falta uma coisa: temos que ter a coragem de cortar aquilo que é ineficiente. Erros, fraudes já foram cortados em 2023 porque eles eram frutos da pandemia. Agora, é hora de acabar com políticas públicas que são ineficientes — afirmou em evento da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), em São Paulo.

A ideia é que com uma redução de despesas haja maior volume de investimentos no Brasil, em especial em infraestrutura. O objetivo seria atingir não somente o superávit, mas conseguir trazer eficiência ao gasto.

As medidas precisarão passar por aprovação do presidente Lula antes de se tornarem efetivas. Lula tem sido resistente em adotar ações que possam impactar a população mais pobre.

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Reunião com ministros

Segundo informações do jornal O Globo, a reunião dessa semana pode já bater o martelo sobre o corte de gastos. Contudo, ela também pode ser adiada para a primeira semana de novembro.

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O tema será aprofundado agora, após as eleições, já que o pacote deve gerar mudanças na legislação. O argumento da equipe econômica é que a redução das despesas obrigatórias precisa ocorrer para a manutenção do arcabouço fiscal. Contudo, não foram detalhadas as medidas que são estudadas até o momento.

Analistas pedem corte de gastos “urgente”

Um corte de gastos públicos tem sido cobrado por analistas desde o início do governo, sendo que nos últimos meses a pressão se intensificou, com aumento da dívida pública e gastos fora da meta fiscal e do orçamento.

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Os economistas Armando Castelar Pinheiro e Silvia Matos apontam em análise do boletim Macro de outubro da FGV Ibre que esse ajuste é “necessário e urgente”.

“Desde o final de 2022, o Brasil vem experimentando uma sensível deterioração fiscal, com forte aumento dos gastos e persistente elevação da dívida pública. Isso sem que sejam adotadas medidas capazes de dar resposta adequada aos riscos daí decorrentes”, diz o boletim.

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“Pelo contrário, o que se viu foram sucessivas propostas de mais e novos gastos, como se o problema não existisse”, continuam os economistas.

Dessa forma, o “risco fiscal”, relativo às contas, volta a atenção dos agentes de mercado, com forte elevação da curva de juros e desvalorização do real. Alguns desses fatores, como a piora na curva de juros e alta do dólar, estão relacionados a notícias negativas sobre as eleições nos Estados Unidos e sobre a economia chinesa.

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Impedir limitação de políticas públicas

Além de conter a taxa de juros futura, o corte de gastos públicos teria como objetivo impedir a limitação de políticas públicas. O Tribunal de Contas da União teme que o espaço para gastos livres do governo acabe nos próximo anos, o que geraria uma “paralisia do Estado”.

Pela regra geral do arcabouço fiscal, algumas despesas do governo tem crescimento atrelado ao aumento das receitas. A alta das despesas também não pode ser maior do que 2,5% por ano acima da inflação.

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Porém, alguns gastos possuem regras específicas, e tem crescido acima dos 2,5% limite para as despesas totais do governo. São eles:

  • aposentadorias dos trabalhadores (vinculadas ao salário mínimo)
  • despesas em saúde e educação
  • emendas parlamentares (indexadas à arrecadação)

Se o corte de gastos não for feito, o espaço que existe para as despesas livres dos ministérios, conhecidos como “gastos discricionários”, pode terminar nos próximos anos. No governo Temer, o mesmo ocorreu, época do teto de gastos aprovado em 2017, que durou até ano passado.

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Durante os últimos anos do governo Bolsonaro, houve falta de recursos para alguns gastos livres dos ministérios, como:

  • defesa agropecuária;
  • bolsas do CNPq e da Capes;
  • Pronatec;
  • emissão de passaportes;
  • programa Farmácia Popular;
  • bolsas para atletas
  • fiscalização ambiental e do trabalho, entre outros.

A revisão de gastos públicos deve ser foco da área econômica em 2025, segundo o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron.

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*Com informações de g1 e O Globo

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