Preço da cebola cai pela metade, deixa produtores em apuros e prefeitura decreta emergência em SC

Valor médio ponderado do quilo caiu de R$ 1,2 no ano passado para apenas R$ 0,67 em 2026

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município vai buscar alternativas para ajudar os produtores a renegociar as dívidas e, se possível, abrir novas linhas de crédito (Foto: Especial NSC)

Os produtores de cebola do Alto Vale do Itajaí estão em apuros. O preço por quilo pago ao agricultor caiu pela metade do ano passado para agora. O cenário é descrito como preocupante. O prefeito de Ituporanga, Geison Kurtz, decretou situação de emergência econômica na cidade. O município leva o título de capital nacional do produto. Sai dali cerca de 10% da produção que chega às mesas brasileiras.

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Volmir Borssatto, engenheiro agrônomo da prefeitura, conta que o preço médio ponderado do produto está na casa dos R$ 0,67 por quilo. Isso não é nem metade do valor gasto pelo agricultor para produzir essa mesma quantidade do legume. A situação é reflexo da safra acima da média em todo o Sul do Brasil, que colocou bastante produto no mercado, mas a demanda não cresceu no mesmo ritmo.

Com o decreto, Ituporanga espera encontrar alternativas para ajudar os produtores de cebola a administrar uma equação que não está fechando. Segundo Volmir, fevereiro e março são os meses de começar a pagar os financiamentos da safra, mas quem investiu, por exemplo, entre R$ 40 mil e R$ 50 mil por hectare vai receber entre R$ 25 mil e R$ 30 mil com a venda.

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O município vai buscar alternativas para ajudar os produtores a renegociar as dívidas e, se possível, abrir novas linhas de crédito. Os governos do Estado e federal devem ser acionados.

Um levantamento técnico apontou que o custo médio de produção da cebola, compreendendo mudas, defensivos, máquinas e mão de obra seria de R$ 1,33 por quilo. Na safra passada, já não foi esse o valor que o agricultor catarinense conseguiu na hora de vender a produção. O preço ficou na casa de R$ 1,20. O cenário ideal, conforme Volmir, seria de R$ 2 o quilo, para pagar os custos e sobrar para investimentos.

A última vez que o preço ficou dentro do esperado foi na safra 2023/2024.

Para ter uma ideia do tamanho do impacto na economia local, o engenheiro agrônomo exemplifica: com o valor de R$ 2 pagos ao agricultor, isso renderia uma arrecadação na casa dos R$ 200 milhões ou até R$ 250 milhões. Com o valor atual, fica na ordem de R$ 100 milhões. A produção da cebola é uma das principais fontes de renda da cidade de 28 mil habitantes no Alto Vale do Itajaí.

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Neste ano, foram colhidas cerca de 158 mil toneladas do alimento em Ituporanga. Quem tem como armazenar e esperar uma eventual mudança no preço, espera. Mas também não se pode aguardar muito. É que, a partir de março, a cebola argentina passa a entrar no mercado brasileiro. Com o preço baixo por aqui, não deve haver muita importação, porém é outro fator preocupante.

Um relatório assinado pela prefeitura, Epagri e Sindicato Rural de Ituporanga cita: “Apesar dos elevados custos de produção, a produção de cebola mostra-se tecnicamente consolidada, mas no momento economicamente inviável. Políticas de apoio, assistência técnica e gestão de mercado são fundamentais para garantir a sustentabilidade da cadeia produtiva”.

Os números da cebola em SC

  • SC produz cerca de 40% da cebola que abastece o mercado brasileiro
  • Cerca de 30% disso vem de produtores do Alto Vale do Itajaí
  • São 10% saindo especificamente de Ituporanga