A Receita Federal reduziu de R$ 28 bilhões para R$ 17,2 bilhões a projeção de arrecadação do Imposto de Renda sobre dividendos em 2026. A revisão ocorre após um desempenho fraco no primeiro semestre, que somou apenas R$ 2,2 bilhões nos cofres públicos. Para bater a nova estimativa, que analistas de mercado já consideram um teto otimista, o governo precisa recolher R$ 15 bilhões entre julho e dezembro.
Concentração de pagamentos no fim do ano
O Fisco atribui o resultado inicial ao comportamento sazonal das empresas, que costumam distribuir proventos nos últimos meses do ano. O chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita, Claudemir Malaquias, afirma que o fluxo do tributo não é linear e exige acompanhamento rigoroso até dezembro.
Conta para bancar isenção do IR
A cobrança instituída pela Lei nº 15.270/2025 é a fonte escolhida pelo governo para compensar a isenção do IRPF para salários de até R$ 5 mil. A regra fixa alíquota de 10% para pessoas físicas, inclusive em remessas ao exterior, mantendo a isenção para ganhos de até R$ 50 mil por mês por empresa para proteger pequenos investidores.
Impacto no orçamento do governo
Apesar do recuo de R$ 10,8 bilhões na projeção, o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, descartou riscos para as metas fiscais de 2026. Segundo Moretti, o cumprimento está garantido porque a arrecadação total do Imposto de Renda saltou R$ 12,7 bilhões nos últimos meses, impulsionada por outras fontes corporativas e pelo setor de petróleo, compensando a frustração dos dividendos. Além disso, a equipe econômica conta com uma margem de segurança de R$ 10,8 bilhões dentro da banda de tolerância da meta fiscal.
*Com edição de Nicoly Souza
