Sete em cada dez grandes corporações ignoram os novos campos da reforma tributária; erros podem travar créditos do IBS e CBS

Estudo de 76 dias mostra avanço irrisório na emissão de notas fiscais com novos tributos; saiba o que muda no caixa das companhias

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Auditoria indica que sete em cada dez grandes corporações brasileiras mantêm emissão de notas fiscais sem os campos da nova tributação (Foto: Marcello Casal jr, Agência Brasil)

Auditoria com 11,6 milhões de notas fiscais mostra que 70,3% das grandes empresas ainda ignoram os novos impostos da Reforma Tributária. O levantamento feito pela V360 durante 76 dias, entre maio e julho, indica estagnação na adaptação de corporações do país ao preenchimento de Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). O avanço de apenas 0,2 ponto percentual no período acende o alerta sobre o risco de gargalos fiscais e falta de conformidade no setor produtivo.

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FOTOS: Entenda o que é o “Imposto do Pecado”

Bloqueio de crédito tributário

O gargalo das empresas decorre da falta de parametrização dos novos tributos nos sistemas de ERP pelos fornecedores, somada à autorização temporária do Fisco para a emissão de notas sem esses campos, resultando o represamento de R$ 1 a cada R$ 3 transacionados.

Dos 11,6 milhões de documentos fiscais auditados ao longo de 76 dias no levantamento do ecossistema V360, 65,2% trafegaram sem qualquer registro das alíquotas do IBS e da CBS.

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Essa falha sistêmica na origem da cadeia repassou a fatura diretamente para a ponta compradora, e fez com que 63,7% dos adquirentes enfrentassem entraves para homologar o aproveitamento de créditos tributários legítimos.

Gargalo nos fornecedores de empresas

Embora o número de emissores que testaram o envio dos novos campos tenha saltado 34,6% no período, o comportamento ambíguo das empresas impede a consolidação da transição.

O mesmo fornecedor altera a emissão entre notas válidas e inconsistentes, pulverizando a conformidade fiscal e expondo cerca de 91 gigantes corporativas a passivos operacionais desnecessários.

Transição nos sistemas fiscais para a Reforma Tributária

A inércia ganha contornos mais graves quando contrastada com a infraestrutura tecnológica disponível. A quase totalidade das corporações brasileiras já possui sistemas de TI prontos para processar a recepção das novas taxas, mas a postergação da rejeição automática de arquivos zerados, medida que entraria em vigor no início de agosto, relaxou os controles de emissão e inflacionou o retrabalho na contabilidade.

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Diante do rito gradual da Reforma Tributária, a ausência de rigor no ajuste dos sistemas deixa de ser apenas uma pendência técnica e passa a minar o fluxo de caixa das empresas, postergando ganhos de competitividade na extremidade final da economia.

Você sabia?

A Reforma Tributária simplifica o sistema brasileiro substituindo vários impostos (PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS) por dois Impostos sobre Bens e Serviços (IBS e CBS). A grande novidade é a criação do Imposto do Pecado (Imposto Seletivo), que taxará mais pesado produtos nocivos à saúde e ao meio ambiente, como cigarros e bebidas alcoólicas.

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A ideia, programada para entrar em vigor a partir de 2027, é unificar a cobrança e deixar o valor real dos impostos transparente no bolso do consumidor.

*Com edição de Nicoly Souza