Google fecha acordo no RS para reduzir metano e carbono de arrozais em projeto que pode chegar a 1,5 milhão

Parceria com a startup Terradot usa rochas moídas e manejo de água para cortar emissões de metano e retirar CO₂ da atmosfera; veja como funciona

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Google fecha acordo no Rio Grande do Sul para cortar emissões e capturar CO₂ em 200 mil hectares de arrozais. Projeto em parceria com a Terradot utiliza rochas moídas e manejo de água no solo (Foto: Kelly, Pexels)

Um acordo do Google para cobrir 200 mil hectares de arrozais no Rio Grande do Sul vai aplicar técnicas para reduzir o metano liberado pelo cultivo e fazer a remoção do dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera por meio de uma técnica que acelera a reação natural de determinadas rochas. A parceria com a startup Terradot vai utilizar rochas moídas e manejo de água no solo gaúcho para combater um dos gases de maior impacto no aquecimento imediato do planeta e neutralizar emissões da gigante da tecnologia.

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Manejo de água e combate às emissões no Rio Grande do Sul

A iniciativa une a gigante da tecnologia à Terradot, startup da qual o Google é investidor desde 2024. O objetivo central é criar um modelo de grande escala no solo gaúcho que reduza emissões agrícolas e, ao mesmo tempo, remova gases que já estão no ar. As empresas tratam o plano como um projeto anunciado e em fase de implementação, e não como uma solução já concluída ou com resultados ambientais totalmente comprovados.

A frente de remoção de dióxido de carbono utilizará a técnica de meteorização aprimorada de rochas. O processo consiste em espalhar pós de minerais específicos sobre o solo agrícola.

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Em contato com a água da chuva e o ar, as rochas reagem acelerando um processo natural de fixação química, capturando o CO₂ da atmosfera e armazenando o elemento no solo e nos lençóis freáticos de forma permanente.

Custo da remoção de carbono por tonelada

O custo financeiro continua sendo o maior gargalo para a consolidação dessas tecnologias no mercado global. O Google e a Terradot não divulgaram os valores envolvidos no novo contrato. No entanto, o histórico da startup ajuda a contextualizar o desafio financeiro do setor.

Em um acordo público anterior, firmado em 2024, a Terradot se comprometeu remover 90 mil toneladas fixava o custo em cerca de US$ 300 por tonelada. Desenvolvedores apontam que a tecnologia precisa atingir cerca de US$ 100 por tonelada para gerar demanda em massa.

A Terradot afirma que o valor praticado no Rio Grande do Sul é inferior aos contratos anteriores, mas a empresa ressalta que processos de medição e verificação ainda podem adicionar mais de US$ 100 por tonelada ao custo final

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Impacto do alagamento do solo na emissão

O plantio de arroz no Rio Grande do Sul ocorre predominantemente em áreas alagadas. Esse ambiente sem oxigênio favorece a proliferação de microrganismos que liberam grandes volumes de metano durante a decomposição da matéria orgânica.

  • Os arrozais respondem por 10% a 12% das emissões globais de metano, segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).
  • O metano tem um potencial de aquecimento global dezenas de vezes superior ao do dióxido de carbono nas primeiras décadas após a emissão.
  • A redução do gás exige mudanças práticas no manejo do solo e da água nas lavouras.

Metas de neutralização para 2030 e 2040

As estimativas divulgadas pela Terradot estabelecem metas distintas para cada frente do projeto, com verificação e contabilização separadas para cada tipo de crédito de carbono gerado:

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As duas frentes também se conectam à meta do governo brasileiro de reduzir as emissões de gases de efeito estufa para cerca de 1,2 bilhão de toneladas anuais até 2030. A redução do metano e a remoção de dióxido de carbono da atmosfera colocam o campo no centro da transição para uma produção agrícola de menor impacto climático.

Potencial de escala no agronegócio

O investimento do Google ocorre em um momento de expansão acelerada dos data centers dedicados à inteligência artificial, estruturas que demandam alto consumo de energia e elevam a busca das Big Techs por neutralidade de carbono.

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A área de 200 mil hectares no Rio Grande do Sul serve como um campo de testes em escala inédita. Caso o projeto demonstre viabilidade técnica e financeira, a Terradot pretende expandir o modelo para os 1,5 milhão de hectares de arrozal existentes no Brasil e levar projetos-piloto para gigantes produtores da Ásia, como Índia e Vietnã, a partir de 2026.

Randy Spock, chefe de remoção de carbono do Google argumentou a Business Wire:

Elaboramos este acordo para ser um modelo, não um caso isolado. É a maior compra de remoção de carbono que o Google já fez e, ao incorporar ações contra superpoluentes, concretizamos esse impacto até 2030. Acreditamos que ele oferece um caminho replicável para causar um impacto real nas mudanças climáticas, tanto a curto quanto a longo prazo, e o estruturamos de forma que qualquer comprador, fornecedor ou governo possa seguir essa mesma abordagem.

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*Com edição de Nicoly Souza