SC é o sexto estado com mais afastamentos por vício em bets; número de casos disparou no Brasil em 2026

Levantamento levou em conta casos registrados entre 2018 e 2026

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Santa Catarina é o sexto estado com mais afastamentos por ludopatia (Foto: Chris F, Pexels)

Um levantamento exclusivo do g1 registrou recorde de afastamentos do trabalho por ludopatia, o vício em jogo, no Brasil em 2026. Em Santa Catarina, os casos ultrapassam a marca de 50 afastamentos durante toda a séria histórica, colocando o Estado em sexto lugar no ranking nacional.

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De acordo com o levantamento coletados com dados da Previdência Social, cerca de 377 casos de afastamentos foram registrados até agosto deste ano no Brasil. O número é o maior em todo o período observado e representa um aumento de 20,83% em relação ao valor total do ano passado, com 312 casos.

Além disso, o custo com a concessão de benefícios em junho deste ano foi seis vezes maior do que em 2023. Neste ano, até agosto, os benefícios somavam R$ 1,9 milhão. Até o momento, segundo o levantamento do g1, os afastamentos por ludopatia custaram pelo menos R$ 4,8 milhões à Previdência desde junho de 2023 até agosto desde ano.

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SC é o sexto estado com mais casos

De acordo com o g1, Santa Catarina aparece na lista de estados com o maior número de afastamentos por causa do vício em bets entre os anos de 2018 até 2026. São Paulo é o primeiro na lista, com 297 casos. Confira:

  • São Paulo: 297 casos
  • Minas Gerais: 110 casos
  • Rio Grande do Sul: 76 casos
  • Rio de Janeiro: 68 casos
  • Paraná: 58 casos
  • Santa Catarina: 52 casos

Homens são maioria nos casos de afastamentos

Ao todo, o Brasil já registrou 914 afastamentos entre 2028 e 2026. Segundo o g1, do total, 654 dos afastamentos são de homens, com média de 64 dias afastados. Mulheres somam 260 casos, com 60 dias afastamento.

O levantamento realizado usa dados baseados no benefício por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença) concedidos com o código F63.0 da Classificação Internacional de Doenças (CID), usado para o jogo patológico.

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Antes de serem afastadas, as pessoas passam por uma perícia médica no INSS, que define a doença que justifica a licença. Depois, constado a doença, no caso, a ludopatia, o trabalhador recebe um benefício pago se precisar se afastar por mais de 15 dias.

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Segundo o g1, o valor depende é proporcional à média salarial de cada colaborador. Para os homens, o valor médio do benefício é de R$ 2.727 e, para as mulheres, o valor chega a R$ 2.143.

Como o vício em apostas funciona no cérebro

A psiquiatria reconhece o transtorno do jogo como doença desde 1980. Foi a primeira dependência identificada sem o uso de uma substância, segundo o g1. Segundo o psiquiatra e especialista em ludopatia, Emílio Giroldo Tazinaffo, o vício em apostas segue a mesma lógica das dependências químicas e mexe com os mesmos circuitos do cérebro que o álcool e as drogas.

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“O transtorno do jogo é cruel no sentido de que eu até posso decidir parar, mas os prejuízos que aquilo causou na minha vida… Se eu estou devendo no banco, eu vou ficar devendo no banco por quantos anos à frente? O meu nome vai ficar sujo por quantos anos à frente? É preciso acompanhamento em várias frentes além da saúde mental” disse Tazinaffo ao g1.

Além disso, o problema também afetada a economia nacional. Só na saúde, o Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) estima que os custos ligados às apostas sejam de pelo menos R$ 30,6 bilhões por ano.

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“É um dos maiores desafios de saúde mental do país e o SUS não está preparado. O sistema tem necessitado de mais profissionais, espaços de CAPS, treinar médicos, aumentar o atendimento. Além de medicações”, explica o Tazinaffo.

Bets foram proibidas no Brasil

As bets estão proibidas no Brasil por uma medida provisória (MP) do governo federal desde o dia 25 de outubro. O texto vale por até 120 dias e precisa ser aprovado pelo Congresso para virar lei. A vedação inclui também jogos online e cassinos virtuais no país, como por exemplo, o “Jogo do Tigrinho”.

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A proibição foi assinada pelo presidente reeleito Lula (PT). A medida foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União (DOU). Ao g1, o promotor de Justiça de Defesa do Consumidor do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), Paulo Roberto Binicheski, disse que tem dúvida sobre a efetividade da suspensão das bets sobre a dependência da maneira como foi feita.

“O reflexo imediato dessa medida provisória é a migração para o mercado ilegal. Se as bets continuarem de forma ilegal, nós vamos todos perder porque nem mesmo as indenizações vão ser pagas. Essas casas deixam o dinheiro todo no exterior”, explica.

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O promotor defende medidas duras nos meios de pagamento para sufocar as formas de aposta e que, segundo ele, não vem acontecendo. Além de mais fiscalização sobre o mercado, agora, ilegal. Já o médico psiquiatra Tazinaffo defende o fim das bets, mas explica que é necessário uma frente forte de combate ao mercado ilegal.

“Não existe solução simples para um fenômeno tão complexo. Mas é preciso reconhecer que a disponibilidade irrestrita das apostas aumenta o risco de adoecimento. A regulação precisa levar em conta os impactos na saúde mental da população”, explica.