O grupo varejista Casas Bahia anunciou na última sexta-feira (14) que fechou 298 lojas e demitiu 1.900 colaboradores em todo o Brasil. Em Santa Catarina, apenas cinco unidades seguem funcionando e 18 foram fechadas.
Segundo a empresa, um rombo bilionário forçou o grupo a encerrar algumas unidades consideradas deficitárias. Em Santa Catarina, das 23 lojas, 18 foram fechadas na última sexta-feira (14), de acordo com informações da colunista do NSC Total Estela Benetti. Agora, apenas cinco continuam operando nas cidades de Balneário Camboriú, Itajaí, Navegantes, Brusque e uma em Joinville.
Neste domingo (16), o grupo também afirmou que entrou com um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo, uma medida geralmente utilizada para evitar a falência. O objetivo da medida é congelar cobranças e dívidas temporariamente para evitar a falência, permitindo que o negócio continue aberto, produza e pague funcionários enquanto negocia um plano de pagamento com quem deve.
A empresa informou que pretende manter o funcionamento das lojas físicas, do comércio eletrônico e dos demais canais de venda, sem interrupções relevantes para os consumidores. O pedido foi apresentado em caráter de urgência e ainda deve ser ratificado pelos acionistas em Assembleia Geral Extraordinária.
Casas Bahia acumula dívidas de R$ 17,3 bilhões
Na petição em que reivindica os efeitos da recuperação judicial, o grupo informou que acumula dívidas de R$ 17,3 bilhões. Um dos motivos para a pior crise financeira já vivida pela rede é a alta da taxa de juros, inflação que afeta o poder de compra e o aumento da concorrência de plataformas internacionais, como Mercado Livre e Amazon.
No primeiro semestre de 2026, a Casas Bahia registrou um prejuízo de R$ 11,1 bilhões. Só no segundo trimestre, entre abril e junho, o rombo chegou a R$ 10,1 bilhões. Boa parte desse prejuízo (R$ 9,1 bilhões) são de impactos não recorrentes, ligados à reestruturação da empresa, que começou em 2023, segundo o g1.
De acordo com o g1, a companhia lançou um Plano de Transformação para reduzir custos, aumentar a eficiência operacional e fortalecer a geração de caixa em 2023. Só na primeira etapa, 55 lojas consideradas deficitárias foram fechadas até o fim do ano e outros 8.600 postos de trabalho foram reduzidos.
Além disso, em 2024, a Casas Bahia também realizou uma recuperação extrajudicial e renegociou cerca de R$ 4,1 bilhões em dívidas com instituições financeiras, mas o cenário continuou desfavorável.
Em agosto deste ano, a empresa promoveu uma nova rodada de cortes, com a demissão de cerca de 3 mil funcionários e o fechamento de quase 300 lojas, segundo o g1. Segundo a petição, o grupo emprega atualmente mais de 20 mil pessoas. A companhia afirma que a recuperação judicial é necessária para preservar esses empregos e garantir a continuidade das operações.
