Vendedora da Casas Bahia revela bastidores antes de demissões e lojas fechadas: “Faltava geladeira”

Casas Bahia pediu recuperação judicial em agosto, mas meses antes funcionários entenderam que havia algo de errado

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Casas Bahia fechou quase 300 lojas e demitiu mais de 1,9 mil funcionários em todo o Brasil (Foto: Reprodução)

Casas Bahia fechou quase 300 lojas e demitiu mais de 1,9 mil funcionários em todo o Brasil (Foto: Reprodução)

A crise na rede varejista Casas Bahia pôde ser vista pelos funcionários muito antes do pedido de recuperação judicial da empresa, no dia 16 de agosto. Funcionários revelaram que as dificuldades começaram a aparecer cerca de dois meses antes da 1,9 mil demissões, além do fechamento de 297 lojas, com falta de eletrodomésticos que são “carro-chefe” na rede, como geladeiras, por exemplo.

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É o que aponta a ex-vendedora da Casas Bahia Talita Magalhães, de 42 anos. Ela contou que trabalhou por mais de oito anos na rede, e que os produtos começaram a faltar nos estoques e nas prateleiras da loja, algo que ela nunca tinha visto antes, conforme informações do g1.

“Eu estava na empresa há oito anos e nunca tinha visto faltar produto. Começou a faltar celular, notebook, geladeira, máquina de lavar. A gente perdia venda porque o cliente queria levar o produto na hora e não tinha estoque”, disse.

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Veja fotos das lojas da Casas Bahia

Metas aos vendedores permaneceram iguais

Mesmo com a redução no estoque dos produtos, que impacta diretamente na venda, as metas dos funcionários continuaram as mesmas, segundo Talita. Foi aí que ela percebeu que algo estava errado.

“Na véspera, chamaram todos os funcionários para uma reunião. Muita gente acreditou que seria uma transferência para outras lojas. Mas, quando começaram a chamar um por um, percebemos que era para assinar a demissão”, disse.

A ex-coordenadora de tecnologia Vanessa Marques, de 46 anos, também disse que percebeu problemas na empresa, mas achou que era algo normal, no início, com atrasos no pagamento de fornecedores de sua área e a redução da equipe de prestadores de serviços.

“Para mim, era uma desorganização do financeiro. Eu achava que o financeiro estava enrolado e não estava pagando. Mas deveria ter sido um sinal do que estava acontecendo”, disse.

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A diretoria, por outro lado, dizia aos funcionários que estava tudo bem, segundo Vanessa, com o recebimento em abril da Participação nos Lucros e Resultados (PLR). Quando foi demitida, a funcionária contou que ficou sabendo por outras pessoas.

“O problema não é só a falta de pagamento. Não havia um padrão de comunicação. Algumas pessoas recebiam informações, outras não. Tinha trabalhador sem acesso aos códigos necessários para solicitar o seguro-desemprego e gente que ainda não conseguiu fazer o exame demissional”, afirmou.

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Trabalhadores relatam dificuldades financeiras

Muitos dos funcionários ainda não conseguiram acessar benefícios como o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e o seguro-desemprego depois das demissões. Quando entrou com o pedido de recuperação judicial, a Casas Bahia colocou os demitidos na lista de credores, tendo as verbas rescisórias paralisadas.

Pela CLT, a empresa precisa pagar em até 10 dias corridos as verbas rescisórias. No entanto, como são credores, os funcionários não devem receber no prazo estipulado, mesmo que estejam na categoria destinada aos créditos trabalhistas e que tem prioridade de pagamento em relação a outras dívidas da empresa.

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“O trabalhador entra na fila de credores e passa a aguardar a definição do plano de pagamento. Muitos sequer sabem quanto têm a receber ou quando isso acontecerá”, disse o representante da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC), João André Vidal de Souza.

A ex-vendedora Talita apontou que as dificuldades financeiras são reais após as demissões.

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“Tem gente que paga aluguel, tem mãe solo, pessoas com filhos pequenos. Nós saímos sem receber rescisão, multa do FGTS ou qualquer outro valor. Saímos com uma mão na frente e outra atrás”, afirmou.

Ela mesma afirma que ainda não recebeu as verbas rescisórias e nem a multa de 40% do FGTS. Além disso, o plano de saúde foi cancelado e ela não teve acesso ao pagamento do vale-alimentação.

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Validade das demissões questionada na Justiça

A Justiça já determinou que a Casas Bahia reintegre os funcionários de forma provisória, assim como os benefícios dos trabalhadores. Recentemente, o corregedor-geral da Justiça do Trabalho, ministro José Roberto Freire Pimenta, negou um pedido da empresa para derrubar a decisão.

Ao g1, a Casas Bahia disse que os funcionários demitidos estão assegurado, com os valores de rescisões seguindo as regras previstos no processo de recuperação judicial.