Volkswagen prevê demissão de 100 mil funcionários para economizar R$ 64 bilhões

Notícia causou uma onda de protestos organizados por sindicatos na sede da empresa, em Wolfsburg, na Alemanha

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Crise na Volkswagen foi causada pela concorrência no mercado chinês (Foto Divulgação, Wolksvagen)

Crise na Volkswagen foi causada pela concorrência no mercado chinês (Foto: Divulgação, Wolksvagen)

A empresa Volkswagen, a maior montadora da Europa, afirmou que deve demitir 100 mil funcionários e fechar quatro fábricas na Alemanha. O grupo vem enfrentando um dos momentos mais delicados da trajetória recente.

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Pressionada por custos elevados, excesso de capacidade produtiva no mercado doméstico, concorrência crescente de fabricantes chineses e tarifas de importação dos Estados Unidos, a Volkswagen projeta cortar custos em 20% para economizar R$ 64 bilhões (o que equivale a 11 bilhões de euros), segundo dados revelados pelo CEO Oliver Blume ao portal alemão Handelsblatt.

Na época, Blume propôs dobrar o número de demissões já previstas em um acordo anterior, firmado em 2024, elevando o total de 50 mil para 100 mil postos de trabalho. O projeto, se aprovado, resultaria na eliminação de quase um em cada seis dos cerca de 625 mil empregos da empresa no mundo.

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A informação sobre os cortes de trabalhadores e a redução da infraestrutura industrial foi divulgada pelo jornal inglês Financial Times (FT) no dia 26 de junho, segundo o Metrópoles. Na época, a notícia causou uma onda de protestos organizados por sindicatos na sede da empresa, em Wolfsburg, por causa do possível aumento no número de demissões.

Além disso, Blume alertou que quatro fábricas na Alemanha correm o risco de ser fechadas após 2030. Apesar disso, o CEO não conseguiu aprovar integralmente seu plano de reestruturação durante uma reunião do conselho de supervisão realizada no início de julho. A decisão abre caminho para uma nova rodada de negociações com os sindicatos.

Segundo o g1, analistas da Bernstein afirmaram que a diretoria da Volkswagen tenta “equilibrar a necessidade de tranquilizar os investidores enquanto alerta os funcionários de que a situação é grave”.

Protestos na empresa

Em Wolfsburg, cerca de 400 trabalhadores protestaram no início de julho com apitos, bandeiras vermelhas do sindicato e faixas. Os representantes dos trabalhadores exigiam o cumprimento do acordo anterior, que garantia a estabilidade dos empregos e impedia o fechamento de unidades na Alemanha.

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Em nota, um porta-voz da Volkswagen afirmou que a empresa compartilha das preocupações dos trabalhadores sobre o futuro, mas considera necessária uma reestruturação para preservar a competitividade.

Plano de demissões pode ser o maior da história

Além disso, o plano proposto por Blume pode se tornar um dos maiores programas de demissão da história, superando os 74 mil empregos cortados pela General Motors nos anos 1990 e os 60 mil postos de trabalho eliminados pela IBM em 1993, segundo o Metrópoles.

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Além das demissões, o CEO também estuda a possibilidade de fechar quatro fábricas na Alemanha, localizadas em Hanover, Emden, Zwickau e Neckarsulm, onde funciona uma unidade da Audi.

Segundo a revista Spiegel, a produção nas unidades de Zwickau e Emden seria encerrada gradualmente ao longo dos próximos cinco anos. A fábrica em Hanover seria fechada em 2032 e a unidade da Audi teria as atividades encerradas em 2034.

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Negociações devem continuar

O conselho de trabalhadores da Volkswagen afirmou que apenas reduzir custos não será suficiente para recuperar a competitividade da empresa. Os trabalhadores defendem mais investimentos em tecnologia e desenvolvimento de novos produtos, segundo o g1.

De acordo com um porta-voz do conselho, após o recesso de verão nas fábricas alemãs, os representantes dos trabalhadores retomarão as negociações com a diretoria para discutir as medidas necessárias para garantir a sustentabilidade da companhia no longo prazo. Blume afirmou que espera concluir essas decisões antes do fim do ano.

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Crise foi causada pela concorrência no mercado chinês

A crise vivenciada pela Volkswagen começou em razão dos resultados comerciais negativos registrados na China. Ao longo de 2024, as vendas da empresa caíram consideravelmente no país, que até então era seu principal mercado. A perda de espaço foi ocasionada principalmente pelo avanço dos carros elétricos produzidos por fabricantes locais, que passaram a ter a preferência do consumidor chinês.

Nos Estados Unidos, a Volkswagen enfrentas os desafios das tarifas impostas pelo presidente Donald Trump. Já na Europa, terra natal da marca, a montadora também perdeu espaço para os carros elétricos chineses, principalmente após a pandemia. Com esse recuo, deixou de vender pelo menos 500 mil carros por ano, afetando diretamente as previsões de lucro e gerando ociosidade nas fábricas.

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Ao menos 20 novos modelos devem ser lançados pela Volkswagen

A empresa preferiu não dizer quais modelos ou plataforma serão descontinuados, mas já anunciou que alguns modelos não serão mais produzidos. Na Audi, por exemplo, dois modelos saíram de linha recentemente: o hatch compacto A1 e o SUV compacto Q2. Na própria Volkswagen, a minivan Touran e o T-Roc Cabriolet terão sua produção encerrada.

Já na outra ponta, a Volkswagen diz que vai investir mais em carros com altos volumes de vendas. Nesse sentido, planeja lançar pelo menos 20 novidades ao longo de 2026 (incluindo todas as marcas do grupo) e dar prioridade a produtos realmente demandados pelo mercado.

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Nas palavras do CEO do grupo Oliver Blume, a “empresa precisa focar nos veículos certos em cada região e gerar volumes mais elevados por modelo”.