Aos 16 anos, médicos disseram que ela poderia nunca mais andar ou falar e 10 anos depois, jovem surpreendeu a todos com essa conquista

Ashley Mayhew passou quase um mês em coma após grave acidente de carro, precisou reaprender tarefas básicas e conquistou quatro diplomas universitários

Compartilhe:
Após passar quase um mês em coma e reaprender a andar e falar, Ashley Mayhew concluiu seu quarto diploma universitário (Foto: Travis Clayton – Liberty University)

Após passar quase um mês em coma e reaprender a andar e falar, Ashley Mayhew concluiu seu quarto diploma universitário (Foto: Travis Clayton – Liberty University)

Aos 16 anos, Ashley Mayhew tinha uma vida inteira pela frente quando um acidente de carro mudou completamente seu futuro. A adolescente passou quase um mês em coma e sua família recebeu um prognóstico difícil: ela poderia nunca mais andar, falar ou enxergar.

Continua após a publicidade

Mais de uma década depois, a jovem conquistou quatro diplomas universitários, incluindo um doutorado.

A última conquista veio em maio de 2026, aos 27 anos, durante a cerimônia de formatura da Liberty University, nos Estados Unidos. O diploma representava muito mais do que uma etapa acadêmica.

Era o resultado de uma trajetória de superação marcada por meses de reabilitação, dificuldades de memória e limitações físicas que ainda fazem parte de sua rotina.

Continua após a publicidade

Antes do acidente, Ashley praticava futebol, dançava e mantinha notas excelentes na escola. Moradora de Hurt, uma pequena cidade da Virgínia, ela tinha planos de continuar estudando.

Tudo mudou em 27 de setembro de 2015, quando perdeu o controle do carro enquanto voltava da igreja e colidiu contra uma árvore.

Um mês em coma

O impacto provocou uma lesão axonal difusa, um tipo grave de traumatismo cranioencefálico, e deixou Ashley inconsciente. Durante a internação, os médicos identificaram inchaço e sangramento no cérebro, além da necessidade de alimentação por sonda.

Continua após a publicidade

A situação ficou ainda mais delicada quando a adolescente desenvolveu pneumonia nos dois pulmões. Diante da gravidade do quadro, os profissionais alertaram sua mãe, Rhonda Parsons, de que a filha poderia permanecer acamada caso sobrevivesse.

Quase um mês depois, Ashley finalmente abriu os olhos. Entretanto, não se lembrava do acidente, tinha poucas recordações sobre a própria vida e não compreendia completamente o que havia acontecido.

Transferida para o Shepherd Center, em Atlanta, instituição especializada na recuperação de pacientes com lesões cerebrais e medulares, ela precisou reaprender atividades básicas, como andar e falar. Foram quatro meses de reabilitação intensiva, em um processo que exigiu esforço físico e emocional.

Continua após a publicidade

O processo também foi documentado pelo Shepherd Center em um relato sobre a recuperação de Ashley, publicado quando ela tinha 18 anos. Na ocasião, a jovem já havia recuperado parte de sua independência e conseguido voltar a dirigir.

A educação virou recomeço

Apenas cinco meses após o acidente, Ashley conseguiu retornar à escola. Mesmo enfrentando dificuldades de memória e limitações decorrentes da lesão cerebral, decidiu que não abriria mão de concluir o ensino médio com seus colegas.

O retorno exigiu dedicação para recuperar o conteúdo perdido. Ainda assim, a estudante conseguiu acompanhar as aulas e terminou o período escolar com notas excelentes. Para ela, aprender representava uma maneira de recuperar parte da autonomia que havia perdido.

Continua após a publicidade

Com o passar dos anos, o desejo de continuar estudando ganhou ainda mais força. Em 2021, concluiu sua primeira graduação em Estudos Interdisciplinares pela Liberty University, com formação complementar em liderança feminina e escrita criativa.

A trajetória acadêmica continuou com um mestrado em Estudos Teológicos, em 2022, e outro em Divindade, em 2024. Dois anos depois, Ashley conquistou o quarto diploma, um doutorado em Ministério, especialidade ligada à atuação religiosa e pastoral.

A conquista emocionou especialmente sua mãe. Rhonda, que durante a internação desejava apenas que a filha sobrevivesse e conseguisse terminar a escola, contou à universidade que nunca imaginou vê-la concluir um doutorado.

Continua após a publicidade

Marcas que permanecem

Apesar dos avanços, Ashley ainda convive com consequências do acidente. Enxaquecas intensas, problemas de memória e alterações no sistema nervoso fazem parte das dificuldades que enfrenta, além de outras complicações de saúde.

Durante o doutorado, a jovem começou a trabalhar como capelã substituta no Lynchburg General Hospital. A função permite que ofereça apoio espiritual a pacientes e familiares em momentos de sofrimento, experiência que ganhou um significado especial diante de sua própria história.

Hoje, ela também pretende escrever livros sobre saúde mental, deficiência e espiritualidade. A proposta é abordar experiências que conhece de perto e ampliar as discussões sobre os desafios enfrentados por pessoas com limitações físicas e neurológicas.

Continua após a publicidade

Aos 27 anos, Ashley continua convivendo com as consequências de uma lesão que quase lhe tirou a vida. O caminho percorrido desde o acidente não apagou essas dificuldades, mas permitiu que construísse uma trajetória que sua família, diante daquele primeiro prognóstico, sequer imaginava ser possível.