A doutoranda em ecologia, Talita Motta Beneli, passou por uma situação constrangedora na última semana. Após solicitar ajuda de influencer para divulgação de vaquinha para seu intercâmbio na Austrália, a situação repercutiu de maneira inesperada. O NSC Total conversou com exclusividade com a pesquisadora pra entender em detalhes a situação.
O caso começou na segunda-feira (20), quando Barbra Marcondes, publicou um vídeo em suas redes sociais, criticando quem pede ajuda monetária na internet. No vídeo, a influenciadora com 987 mil seguidores, comentou que havia recebido uma mensagem para divulgação de vaquinha e que “não iria financiar o sonho de ninguém”. No vídeo, de quase 10 minutos, ela explica:
— Eu sou muito orgulhosa para fazer vaquinha, mas eu ajudo. Agora qualquer outra coisa que não seja saúde. E tem uns motivos assim, que eu pego um ranço. Teve uma menina que acabou de mandar um textão na DM que ela quer fazer um intercâmbio para outro país, é o sonho dela e tá fazendo vaquinha. A galera não é obrigada a financiar o seu sonho — disse.
A circulação do vídeo foi instantânea e Talita comentou sobre como descobriu:
— Após mais ou menos 1 hora e meia de eu ter enviado para ela, eu abro o meu TikTok e o primeiro conteúdo que pula assim na minha tela é o vídeo dela me esculachando — contou.
Ao tentar se defender, Talita divulgou reagiu aos comentários e divulgou a sua versão do ocorrido. Em poucas horas, a história já estava em todas as redes.
— Mais de 80% dos comentários eram me esculachando de todos os nomes possíveis — afirmou Talita.
Segundo a pesquisadora, a influencer postou os vídeos sem dar nenhuma satisfação à mensagem que Talita havia enviado, e só respondeu quando foi confrontada pela situação.
Nos prints divulgados pela estudante, Barbra responde a conversa e pede para Talita “se descentralizar”. Confira:
Alguns dias depois, a discussão ficou maior quando outros influencers passaram a divulgar a história e tomar lados. Talita contou que algumas pessoas entraram em contato com ela pedindo para divulgar o caso e defender a vaquinha.
Essa ação causou outra onda de ataques, desta vez direcionados a Barbra, que deletou os vídeos e comentários da briga, deixando apenas um story na rede Instagram, afirmando que a discussão não estava mais saudável.
No sábado (26), Talita conseguiu bater a meta da vaquinha, em menos de 24 horas após os vídeos em sua defesa.
O intercâmbio e o motivo da vaquinha
Talita é pesquisadora e doutoranda de ecologia na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Ela foi aprovada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), para um intercâmbio-sanduíche na Edith Cowan University, em Perth, na Austrália.
Intercâmbio-sanduíche é quando o estudante realiza parte dos seus estudos fora do país e depois retorna a faculdade de origem para terminar o curso.
Entretanto, o valor disponibilizado pelo Capes, não é o suficiente para cobrir todas as despesas da viagem. Além disso, o principal objetivo para a vaquinha foi o visto.
A jovem já estava realizando os trâmites de emissão do documento de estudante, quando foi avisada pela universidade que precisaria de um visto de atividade temporária (subclass 408). A diferença destes dois registros, é que o pedido pela instituição não dá direito a trabalho remunerado complementar e deve ser feito em uma agência particular. O custo para a emissão é de R$8 mil.
Por ser pesquisadora exclusiva, Talita tem renda única de R$3.100 pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc).
Qual a pesquisa de Talita?
Antes do doutorado, a jovem já tinha alguns trabalhos científicos publicados em seu nome. Os estudos na Austrália vão servir como complemento para estas pesquisas.
A curiosidade de Talita é entender o que os peixes comem dentro dos recifes. Não só isso, mas a pesquisa é um avanço nos estudos de controle de algas e habitats aquáticos.
A ideia é entender o papel dos peixes no recife e as vulnerabilidades ambientais frente a mudanças climáticas e estruturais.
*Sob Supervisão de Nicoly Souza



