Em outubro de 2015, Jerome Robinson, então com 12 anos, fez uma pergunta inesperada à professora Chelsea Haley: ele poderia morar com ela?
Naquele período, Haley tinha 22 anos e dava aulas em Baton Rouge, na Louisiana. Jerome era aluno de sua turma do 4º ano e enfrentava dificuldades na escola, com suspensões e baixo desempenho acadêmico.
Antes que o garoto se tornasse seu filho, Chelsea já tentava entender o que havia por trás do comportamento que aparecia diariamente em sala de aula. Ela percebeu que as dificuldades do garoto não desapareciam com broncas ou tarefas extras.
Aproximação fora do ambiente escolar
Depois de tentar ajudá-lo durante as aulas, a professora decidiu acompanhar Jerome em outros momentos. Ela passou a ir aos jogos de futebol americano e basquete, visitá-lo em casa e comprar materiais escolares, além de mantimentos.
A convivência revelou um menino diferente daquele que costumava enfrentar problemas na escola. Haley descreveu Jerome como inteligente, espirituoso; um garotinho gentil.
Mesmo nos dias mais difíceis, quando o comportamento do aluno “testava” sua paciência, a professora dizia enxergar nele “uma criança implorando por amor”.
A relação deixou de acontecer apenas entre carteiras, provas e advertências. Aos poucos, Chelsea passou a ocupar um espaço maior no ambiente do meninp, enquanto Jerome encontrou nela alguém disposto a permanecer por perto.
O pedido feito por Jerome
Foi nesse período de aproximação que Jerome perguntou se poderia morar com a professora. O pedido aconteceu em outubro de 2015 e fez Chelsea começar a procurar uma solução legal para acolher também o irmão mais novo dele, Jace.
Em entrevista ao Good Morning America, Haley relatou que teve um sonho naquele mesmo mês. Segundo ela, Deus teria dito que estava destinada a ser mãe de Jerome.
A guarda dos irmãos saiu em cerca de dois meses. Jace tinha 3 anos na época, e a mãe biológica autorizou que Chelsea adotasse os meninos.
A professora, que era solteira, tinha 24 anos quando a adoção foi concluída. O que começou como uma tentativa de ajudar um estudante, passou a exigir dela uma nova organização de vida, trabalho e responsabilidades.
Chelsea reorganizou a própria vida
A maternidade mudou as prioridades de Haley. Durante a entrevista, ela afirmou que suas decisões deixaram de ser concentradas nela mesma e passaram a considerar principalmente Jerome e Jace.
Além do emprego em período integral, Chelsea assumiu dois trabalhos de meio período para conseguir manter a família. Uma campanha no GoFundMe também foi criada para ajudar nas despesas.
Na época da reportagem, publicada em 12 de fevereiro de 2018, os três moravam em Marietta, na Geórgia. O que virou cotidiano da casa, agora, passou a ser dividido entre o trabalho da mãe, os cuidados com Jace e o acompanhamento da vida escolar de Jerome.
Aluno começou a mostrar seu potencial
Jerome se tornou aluno do quadro de honra. Para Chelsea, as conquistas mostravam que o garoto sempre teve capacidade, mas precisava de apoio e confiança para demonstrá-la.
O menino que antes era lembrado pelas suspensões passou a ser reconhecido pelo desempenho acadêmico. E isso era uma combustão de felicidade, para ela.
Haley afirmou que se sentia muito orgulhosa ao celebrar cada conquista do filho. Jerome não havia se tornado capaz de repente. Apenas passou a ter condições para mostrar o que já podia fazer.
“Ela realmente acredita em mim”
Jerome conheceu Chelsea quando ela ainda era sua professora. Depois, ela passou a acompanhá-lo nos jogos, visitá-lo em casa e participar de costumes que também envolvia o irmão mais novo.
Na entrevista, ele disse que sabia que Chelsea realmente acreditava nele. Quando perguntaram o que diria a outras crianças que enfrentavam dificuldades, Jerome respondeu:
“Nunca desistir e continuar tentando, não importa o que as pessoas digam. Você sempre tem que acreditar que pode fazer qualquer coisa.”





