SC Ainda Melhor: Estado tem queda na taxa de evasão, mas metas de alfabetização não são batidas

Educação aparece entre as cinco prioridades dos eleitores catarinenses; Estado tem números baixos de matrículas em tempo integral e enfrenta desafios na formação de novos professores

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SC Ainda Melhor: educação aparece entre prioridades dos eleitores em SC (Foto: Banco de imagens)

Considerada o principal motor de transformação social, desenvolvimento econômico e evolução individual de uma sociedade, a educação também aparece entre as cinco maiores preocupações de eleitoras e eleitores catarinenses na quinta edição do projeto SC Ainda Melhor. O debate sobre o tema marca o último episódio desta edição do projeto.

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No ranking de competitividade dos Estados divulgado em 2025 pelo Centro de Liderança Pública, Santa Catarina aparece em segundo lugar na classificação geral. Contudo, no pilar “educação”, o Estado cai para nono.

Uma das explicações pode estar no último relatório do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) na educação fundamental e ensino médio, referente a 2023. Na ocasião, Santa Catarina ficou com notas abaixo do projetado.

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A situação mais crítica aparece nos anos finais do ensino fundamental e ensino médio. Nos anos finais, a meta era de que o Estado atingisse 6,2, mas ficou em 5,2. Já no ensino médio, o esperado era atingir 5,6 pontos, mas Santa Catarina fez 4,2.

Segundo os dados do Ideb, em um recorte somente de escolas públicas no ensino médio, o número é ainda mais baixo, de 3,8. Comparando com outros estados do país, Santa Catarina alcança a 16ª posição, empatado com o Mato Grosso do Sul.

O novo levantamento, com dados relativos a 2025, deve ser divulgado em 28 de agosto.

Santa Catarina não bateu metas de alfabetização

A dificuldade em bater as taxas de alfabetização, que são de reponsabilidade dos municípios, acaba gerando um efeito cascata para os anos seguintes. No Estado, 63% das crianças estão sendo alfabetizadas na idade certa.

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Isso significa que quatro a cada dez crianças de Santa Catarina não estão aprendendo a ler e escrever na idade em que deveriam. E esse mau desempenho educacional persiste ao longo de toda a trajetória.

Taxa de evasão caiu

Entre 2022 e 2025, a taxa de abandono nas escolas públicas do estado caiu de 5,7% para 3,95%, segundo o censo escolar da educação divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (Inep), em junho deste ano.

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Para as entidades ouvidas pelo projeto, dar mais acesso à educação em tempo integral pode ser um dos caminhos para diminuir a evasão escolar.

Número de matrículas em tempo integral é baixo

Santa Catarina está em antepenúltimo lugar no ranking de matrículas em tempo integral nos anos finais do ensino fundamental, com apenas 6%. Existem poucas oportunidades de estudar em escolas de tempo integral no Estado.

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“É uma situação que acaba acompanhando a trajetória do estudante como um todo. O que a gente percebe é que existem poucas oportunidades de estudar em escolas de tempo integral no Estado de Santa Catarina”, destaca Pedro Rodrigues, coordenador de Políticas Educacionais do Todos Pela Educação.

Isso faz com que SC fique à frente apenas do Distrito Federal em matrículas em tempo integral no ensino médio. O Piauí, que é o estado que tem mais matrículas em tempo integral no ensino médio, tem 75% das matrículas totais sendo em tempo integral no ensino médio.

“Quando pensamos na educação em tempo integral, fazemos com que esse estudante permaneça mais tempo na escola. Quando ele permanecer mais tempo na escola, ele tem mais tempo recebendo alimentação adequada, ele tem mais tempo realizando atividades que contribuem para essa integralidade, essa abordagem mais integral do ser humano. Ele tem mais tempo, muitas vezes protegido de violências que acontecem em outros espaços. Então, a educação em tempo integral é fundamental”, avalia Ana Paula Silveira, diretora-executiva do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC)

Quais as sugestões para melhorar?

As entidades ouvidas pelo projeto SC ainda Melhor sugeriram as seguintes ações para fortalecer a educação do Estado nos próximos anos:

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  • A criação de um plano de metas para melhorar os índices nacionais de desempenho escolar de Santa Catarina, com acompanhamento anual.
  • Investimento em tecnologia, inovação e formação de professores para melhorar a atratividade do ensino.
  • Estreitar os caminhos entre escolas, universidades e empresas.
  • Fomentar a inserção dos jovens no mercado de trabalho por meio de programas de aprendizagem.
  • Criação de programas estruturados para redução da evasão escolar e ampliação da educação em tempo integral.
  • Ampliação ou implementação de conteúdos relacionados a finanças pessoais e empreendedorismo.
  • Ampliação da acessibilidade e inclusão de alunos com necessidades especiais nas escolas.
  • Reforço na formação de professores para acolhimento e aplicação de Plano de Ensino Individualizado (PEI).
  • Manutenção do acesso gratuito de alunos à educação superior por meio de bolsas.

Formação continuada dos professores também é debatida

Outra questão levantada dentro do projeto SC Ainda Melhor é a formação continuada dos professores, que pode ser uma forma de atualização dos docentes para que as aulas se tornem mais atrativas e haja maior engajamento dos alunos em sala.

“Que a Secretaria de Educação consiga formar muito bem os professores, que tenha avaliações que apoiem os professores a diagnosticar quais são os alunos que estão com maiores defasagens, a entender o que deve ser priorizado no currículo local, no currículo do Estado e, enfim, a desenhar melhores materiais didáticos que chegam para os alunos. Santa Catarina deve investir muito nesse núcleo pedagógico que é hoje o que entendemos ser o núcleo que está apresentando mais fragilidades”, mesmo no Estado de Santa Catarina”, conclui Pedro.

Também é um desafio garantir a atratividade para a formação de novos professores para as gerações futuras.

“Temos visto nos cursos de licenciaturas poucos alunos. Vou dar um exemplo, tivemos agora recorde de número de calouros na área de TI, cinco turmas. Na licenciatura de Matemática, Língua e Letras, não consegui praticamente fechar uma turma. Então, são questões que a gente precisa considerar na valorização do professor, na formação do professor. Por que, se não, quem vai ser? Quem será o professor desses jovens? Nós temos que pensar nisso. E quando falamos em educação são todas as políticas, do governo, das universidades e das famílias. Eu acho que todos juntos têm que estar preocupados e trabalhando por isso”, indagou Marcia Cristina Sardá Espindola reitora da Universidade Regional de Blumenau (FURB).