Por trás de alguns dos crimes mais famosos da literatura, havia uma mulher cuja própria vida parecia ter saído de um romance. Agatha Christie, autora de personagens como Hercule Poirot e Miss Marple, terá sua trajetória revisitada em uma grande exposição na British Library, em Londres.
A mostra “Agatha Christie: A World of Mystery” abre em 30 de outubro de 2026 e ficará em cartaz até 20 de junho de 2027. A proposta é ir além dos livros e mostrar como as experiências pessoais, viagens e interesses da escritora ajudaram a construir algumas de suas histórias mais conhecidas.
A mulher por trás dos mistérios
Christie é considerada a romancista mais vendida de todos os tempos, e sua obra ajudou a transformar a literatura policial.
Mas, dessa vez, o foco não estará apenas nos assassinatos fictícios e nos detetives que conquistaram leitores ao redor do mundo. A exposição pretende mostrar a escritora por outro ângulo: a partir de sua própria vida.
Entre os materiais estarão cartas pessoais, fotografias de família, cadernos, manuscritos e objetos que ajudam a reconstruir momentos importantes de sua trajetória. Alguns deles nunca haviam sido exibidos publicamente.
De viagens de trem a escavações arqueológicas
Uma das partes mais curiosas da história de Christie está na relação entre suas experiências e os cenários que aparecem em seus livros.
A escritora viajou por diferentes partes do mundo e acompanhou trabalhos arqueológicos no Iraque e na Síria durante a década de 1930. Essas experiências influenciaram obras como Murder in Mesopotamia e They Came to Baghdad.
A exposição vai recriar justamente esse universo.
O visitante poderá passar por ambientes inspirados em uma casa de campo inglesa, uma dispensaria da Primeira Guerra Mundial, um vagão no estilo do Expresso do Oriente, uma escavação arqueológica e um teatro do West End.
A ideia é aproximar o público das situações que fizeram parte da vida da escritora e que, de alguma maneira, acabaram alimentando sua imaginação.
Objetos que contam uma história
Entre as peças apresentadas está uma máquina de escrever Remington de 1937, que teria sido usada por Christie quando ainda era adolescente, além de anotações para a adaptação teatral de Witness for the Prosecution.
Outro detalhe chama atenção: documentos relacionados aos estudos de Christie para seu exame de farmacologia, realizado em 1917.
O interesse pela área médica também aparece em sua obra e faz parte da tentativa da exposição de mostrar interesses menos conhecidos da autora, indo além da imagem tradicional da escritora de romances policiais.
Até a voz da escritora estará presente
Para quem gosta de conhecer o processo criativo por trás de um livro, a exposição reserva outro material raro.
O público poderá ouvir gravações feitas pela própria Agatha Christie em um ditafone, além de ter contato com seus cadernos, cartas e primeiros rascunhos de manuscritos.
Também haverá fotografias da escritora durante viagens pelo Egito, Havaí e África do Sul, além de uma carta enviada ao segundo marido sobre uma viagem no Expresso do Oriente.
A mostra ainda vai explorar a influência de Christie na literatura policial e a forma como seus livros foram adaptados para os palcos e continuam sendo reinterpretados para novas gerações.
Em meio aos objetos, manuscritos e fotografias, a própria exposição promete ainda uma brincadeira digna dos livros da autora: pistas e pequenos “easter eggs” estarão espalhados pelos espaços para os visitantes encontrarem.






