Amora Mautner tem um jeito pouco convencional de preparar as cenas de Quem Ama Cuida. Diretora artística da novela das nove, ela revelou a Marcos Mion que evita estudar previamente as sequências que irá dirigir. Em vez disso, espera até estar no carro, a caminho dos Estúdios Globo, para descobrir o que vai gravar.
Eu leio o bloco e só no carro, a caminho dos Estúdios Globo, vejo as cenas que eu vou fazer, porque eu quero este ‘ao vivo’, eu quero o erro. Porque quando a gente não tem, aí sim a gente sai da caixa
A revelação aconteceu no Caldeirão deste sábado (5), quando Mion visitou o MG4, módulo de gravação dos Estúdios Globo onde a novela criada e escrita por Walcyr Carrasco e Cláudia Souto é filmada. O apresentador conheceu de perto o processo criativo da trama e conversou com Amora e Isabel Teixeira, intérprete de Pilar, a grande vilã da história.
Conhecida por estimular a improvisação entre o elenco, Amora aposta justamente no inesperado para construir as cenas. Para ela, deixar espaço para o erro e para aquilo que não estava planejado pode fazer com que atores e direção saiam do que já estava previsto no roteiro.
Durante a visita, Mion também elogiou o trabalho de Isabel Teixeira, que falou sobre a experiência de interpretar uma vilã e sobre a relação que criou com o público. A atriz explicou que antagonistas têm justamente a função de provocar emoções fortes em quem acompanha a novela.
Isabel lembrou ainda das sessões de novela em família, em Ubatuba, quando todos se reuniam para assistir à televisão, dar palpites e até xingar os personagens. Entre suas referências está Perpétua, vilã interpretada por Joana Fomm em Tieta, de 1989.
Acho que vilã é feita para ser odiada mesmo. Me lembro muito da minha família em Ubatuba. A gente se arrumava para ver televisão, novela. E todo mundo começava a xingar, dar palpite. Me questionava o porquê de todo mundo estar tão mexido
Para a atriz, essa reação também faz parte da função de uma antagonista.
E, ao mesmo tempo, é para isso mesmo, desopilar o fígado
Isabel ainda relacionou o papel da ficção ao momento vivido pelo país e defendeu que o público canalize as emoções provocadas pela trama para os próprios personagens.
O Brasil é um país continental e a gente tem brigado muito. Se a gente tem um lugar para xingar, digo para xingarem mesmo a Pilar, ao invés de xingarmos uns aos outros. E vamos viver em harmonia, fazendo o país inteiro, juntos e juntas, se movimentar.













