Em 2006 foi lançado o filme Carros, que trouxe para a cultura pop um dos personagens mais icônicos da Pixar: o Relâmpago McQueen. Mas McQueen não era apenas um carro vermelho; muito antes disso, ele foi um homem apaixonado pelo seu trabalho.
Era um homem que passava os dias diante de computadores, tentando resolver uma questão estranhamente humana: como fazer um personagem que não existe parecer capaz de sentir alguma coisa? Seu nome era Glenn McQueen.
Antes do carro
Porém, foi em 1994 que ele chegou à Pixar, apenas um ano antes de Toy Story. A obra que transformaria o estúdio, como a própria história da animação digital.
Ali, Glenn ajudaria a construir justamente aquilo que as máquinas tinham dificuldade de produzir sozinhas: personalidade. Ele foi um dos principais membros do time de animadores que se encarregou dos personagens que hoje o público passou a amor.
Woody precisava parecer sarcástico, inseguro, ciumento e afetuoso. Boo precisava convencer o público de que era realmente uma criança diante de monstros. Formigas, brinquedos e criaturas cobertas de pelos precisavam olhar para alguém e dar a impressão de que estavam pensando.

Fazer alguém viver
Em uma entrevista à série NOVA, da PBS, Glenn explicou que movimentar objetos no computador era relativamente simples. O difícil era fazê-los parecer vivos, conscientes do que estavam fazendo.
Para ele, os olhos eram fundamentais. Se duas pessoas conversam, elas procuram os olhos uma da outra. Por isso, sobrancelhas, postura, silhueta e pequenas mudanças de expressão podiam carregar algo que nenhum algoritmo entregaria sozinho: intenção.

Glenn tornou-se supervisor de animação e ganhou entre os colegas uma reputação que ia muito além da habilidade técnica.
Darla Anderson, produtora de Vida de Inseto e Monstros S.A., descreveu-o ao San Francisco Chronicle após sua morte como uma espécie de força vital dentro da Pixar. Para ela, Glenn era, em poucas palavras, “o nosso coração”.
Tempo curto demais
Em dezembro de 2001, Glenn recebeu o diagnóstico de melanoma, uma forma agressiva de câncer de pele. Ele continuou trabalhando mesmo após o diagnóstico, pelo seu amor à profissão e pela certeza de que venceria a doença, segundo relatos posteriores à sua morte.
Naquela altura, a Pixar já preparava as histórias que ocupariam os anos seguintes do estúdio. Glenn havia começado a trabalhar em um projeto particularmente próximo de seus interesses: uma animação inteira sobre automóveis.
Glenn era também apaixonado por carros. Mas não teria tempo de acompanhar aquela produção até o fim.
Em 29 de outubro de 2002, morreu em Berkeley, na Califórnia, aos 41 anos. Deixou a mulher, Terry, uma filha, amigos dentro do estúdio e personagens que milhões de pessoas já conheciam sem conhecer o homem que ajudara a fazê-los respirar.

Primeiro, uma dedicatória
O próximo longa lançado pela Pixar foi Procurando Nemo, em 2003.
Depois que a aventura de Marlin e Nemo terminava, havia um nome esperando o público nos créditos: Glenn McQueen, 1960–2002. O filme havia sido dedicado à memória do animador. Mas a homenagem não terminaria ali.
Enquanto Carros avançava, a Pixar precisava batizar o jovem piloto vermelho que conduziria sua história. O homem desapareceu cedo demais. Porém, McQueen continuou correndo.






