Aos 33 anos, Lucas Costa está na reta final de um projeto que decidiu retomar já adulto. Depois de voltar a estudar aos 30, o estudante concilia trabalho, faculdade e uma rotina que exige planejamento para não deixar de lado o objetivo de conquistar o diploma. As informações são do g1.
Durante o dia, Lucas trabalha como agente administrativo escolar, acompanhando crianças com apoio pedagógico voltado à inclusão. No fim do expediente, às 17h, ele segue para casa, se prepara e começa outra parte da jornada: a ida para a faculdade.
Para assistir às aulas do curso de licenciatura em História da Universidade Estadual de Goiás (UEG), em Morrinhos, Lucas percorre cerca de 130 km de moto por noite, quatro vezes por semana. O trajeto liga a cidade onde mora, Goiatuba, ao campus onde está concluindo a graduação.
“Sem transporte, sem moto no começo e cheio de incertezas, mas eu só sabia de uma coisa: eu não iria parar. […] Valeu cada quilômetro, cada gota de suor e cada noite encarando a estrada”, escreveu em publicações nas redes sociais.
A rotina nem sempre foi feita sobre duas rodas. Em 2025, Lucas utilizava dois ônibus para chegar ao campus. Segundo ele, porém, o transporte particular que levava estudantes até a universidade deixou de atender aos alunos da UEG após estudantes de outra instituição reclamarem do tempo de espera provocado pelo horário de término das aulas.
“Recebi uma mensagem informando que os alunos da UEG não poderiam mais usar o transporte, que era pago e não era barato. Como éramos só dois alunos, a prioridade era a maioria, então ficamos impedidos de usar o transporte”, contou.
Estudante rodou 30 mil quilômetros em dois anos
Diante da situação, Lucas procurou a Prefeitura de Goiatuba, que já oferecia um auxílio destinado à linha de ônibus contratada. Segundo o estudante, as conversas contribuíram para a criação do Programa Bolsa Transporte Universitário, que passou a disponibilizar a ajuda de custo diretamente aos alunos que estudavam em outras cidades.
Algum tempo depois, no entanto, a linha noturna deixou de funcionar por falta de viabilidade financeira, já que poucos estudantes utilizavam o serviço. Foi então que Lucas decidiu encontrar outra maneira de continuar frequentando as aulas.
Ele conta que chegou a pedir a Deus que, se tivesse uma moto, faria o percurso sem reclamar. No início, um amigo emprestou um veículo para que conseguisse terminar o semestre.
A partir daí, Lucas passou a conciliar diferentes atividades para conseguir comprar a própria moto. “Enquanto isso, virei bolsista, voltei a trabalhar na obra, fiz bicos aos fins de semana, R$ 1.500+ por mês em consórcios até conseguir comprar a minha própria moto”, relatou.
Desde então, foram mais de 30 mil quilômetros percorridos em dois anos. A distância acumulada inclui as viagens entre Goiatuba e Morrinhos, feitas para que ele pudesse continuar frequentando a universidade.
O trajeto também já trouxe imprevistos. “Já aconteceu de queimar o farol e ter que voltar de Morrinhos só com a luz da seta. […] São quase R$ 600 de gasolina”, contou.
Agora, Lucas está no 8º período da licenciatura e se aproxima da conclusão do curso. A rotina começa no trabalho durante o dia e termina por volta das 22h, quando deixam as aulas na UEG e ele encara novamente a estrada de volta para casa.
Apesar do cansaço e das dificuldades enfrentadas ao longo do caminho, o estudante afirma que não se arrepende do esforço. “Valeu cada quilômetro, cada gota de suor e cada noite encarando a estrada. O diploma de Licenciado em História está logo ali!”, comemorou.
