Doze anos depois de apresentar ao público uma jovem que tentava aprender a se amar e a não aceitar relacionamentos que lhe fizessem mal, em Não se apega, não, Isabela Freitas encerra a história de Isa e Pedro, em Não se apaixona, não. No novo livro da escritora mineira, os leitores finalmente acompanham o desfecho da relação entre Isabela e Pedro, personagens que atravessaram cinco livros e conquistaram uma legião de fãs.
A nova obra da série, publicada pela editora Intrínseca, encerra o ciclo iniciado em 2014 com Não se apega, não seguido por Não se iluda, não (2015), Não se enrola, não (2016) e Não se humilha, não (2020). Juntos, os três primeiros títulos venderam 1,5 milhão de exemplares. Agora, a autora revisita os personagens em uma fase mais madura, mas sem deixar de lado as inseguranças que acompanham a vida adulta.
Em entrevista exclusiva ao NSC Total, a autora compartilhou detalhes sobre o encerramento da trajetória dos personagens e abriu o jogo sobre os desafios de escrever sobre a maturidade, o peso da exposição pública na vida dos famosos e como a sua própria evolução ao longo dos anos se refletiu na história.
Como lidar com o amor saudável?
Se nos primeiros livros a proposta era aprender a dizer não para relações tóxicas, promessas vazias e situações que diminuem a autoestima, desta vez o desafio é permitir-se viver um amor saudável. Para a autora, mesmo que a protagonista do livro esteja em um momento bem-sucedido, independente e vivendo o relacionamento que sempre desejou ao lado de Pedro Miller, o maior desafio passou a ser lidar com a própria felicidade.
“Com a dor, com a decepção, a Isa já sabia lidar. Ela já tinha se decepcionado muito, já tinha se machucado muito. Agora com amor, com coisas boas acontecendo na vida dela, isso ela não sabia lidar. E isso foi uma coisa que já aconteceu na minha vida também. Já estraguei bons relacionamentos por não saber me relacionar de forma saudável”, destacou Isabela na entrevista.
Por isso, a autora quis levar para a ficção a reflexão de que encontrar alguém que nos ame não significa que todos os problemas pessoais estejam resolvidos.
“Você ainda precisa se trabalhar como pessoa, trabalhar seus traumas, suas dores. Não adianta só jogar num cantinho da mente e achar que aquilo ali não vai interferir”, pontuou.
A mudança na mensagem da série também acompanha o amadurecimento da autora e dos próprios personagens. Se nos primeiros livros Isabela Freitas incentivava os leitores a não se prenderem a relações tóxicas, a não criarem expectativas sobre promessas vazias e a reconhecerem o próprio valor, em Não se apaixona, não o desafio é aprender a aceitar o amor quando ele finalmente chega. A protagonista já enfrentou decepções e corações partidos, mas precisa lidar com inseguranças que ameaçam justamente a relação que sempre desejou viver.
“Antes de você amar e ser amada, você precisa aprender a falar esses ‘nãos’ necessários na sua vida. Não para um relacionamento tóxico, não para uma pessoa que só fica te enrolando e nunca te assume, não para uma pessoa que te ilude, mente. Tudo que foi ensinado nos livros preparou a Isabela para ela conseguir dizer esse sim, que também é difícil.”
Os impactos reais da exposição pública
Além do romance, Não se apaixona, não aborda os efeitos da exposição pública na vida dos personagens. Enquanto Pedro vive uma ascensão meteórica na carreira musical, Isabela precisa lidar com os comentários, comparações e julgamentos que acompanham a vida de quem se relaciona com uma pessoa famosa.
A autora quis mostrar o lado menos conhecido da fama e chamar a atenção para a maneira como comentários aparentemente inofensivos podem afetar a saúde emocional de quem está do outro lado da tela.
“As pessoas acham que é só uma notícia, é só um comentário, só que para aquela pessoa que está recebendo aquele comentário, não é só um comentário. Isso vira terapia, isso vira ansiedade, isso vira depressão”, alertou a autora ao comentar a crueldade de páginas de fofoca e opiniões precipitadas na internet.
A própria escritora conta que já passou por situações envolvendo páginas de fofoca e informações distorcidas. A experiência contribuiu para a construção desse conflito na narrativa, especialmente ao retratar as inseguranças de Isabela diante das comparações com outras mulheres.
Um último capítulo difícil de escrever
Encerrar uma história que acompanhou tantos anos de sua carreira não foi uma tarefa simples, segundo Isabela, que conta que teve dificuldade especialmente para escrever o último capítulo, antes do epílogo. A vontade de continuar convivendo com os personagens fez com que ela reescrevesse a cena diversas vezes.
“Eu fiquei um mês escrevendo, reescrevendo, escrevendo, reescrevendo. E ela já estava perfeita, nem precisava ficar reescrevendo, mas acho que eu não queria dar o ponto final de jeito nenhum. Até que eu falei: ‘Não, tem que enviar, não adianta ficar ficar remoendo isso daqui’. Aí eu dei uma choradinha, escrevi o ponto final”, revela.
Quando finalmente concluiu o texto, a emoção veio junto. A autora conta que chorou ao escrever o ponto final e ainda decidiu acrescentar um epílogo, como uma maneira de permanecer um pouco mais naquele universo.
O encerramento também representa um reencontro com os leitores que cresceram junto com a série. Muitas leitoras que acompanhavam os primeiros livros ainda participam dos lançamentos e agora aparecem acompanhadas de maridos, namorados e filhos. “Eu vejo uma evolução de meninas inseguras, com medo do futuro, para mulheres muito seguras em si e muito felizes e realizadas na vida delas. É um orgulho. Eu me sinto uma mãe vendo as filhas crescendo”, comenta.
A percepção sobre o que significa ter um final feliz também mudou ao longo dos anos, uma vez qe quando escreveu o primeiro livro, Isabela acreditava que a felicidade estava em sentir-se bem consigo mesma, sem depender de um relacionamento para se sentir completa. Hoje, casada há quase nove anos e mãe, ela enxerga essa realização de outra maneira, mas sem deixar de lado a importância da própria felicidade.
“Para mim, o final feliz é você conseguir ser feliz todos os dias, gostando dessa realidade que você vive, não querendo outra realidade, mas abraçando a sua realidade e se sentindo feliz com o que você tem no hoje”, resume.
Próximo livro terá romance e basquete
Apesar da despedida, ela não descarta revisitar os personagens no futuro, com a possibilidade de um spin-off. Por enquanto, porém, a intenção é abrir espaço para novas histórias, com a autora já trabalhando em uma nova história. A previsão é lançar o próximo romance em 2027, durante a Bienal do Livro do Rio de Janeiro.
Desta vez, a narrativa terá como tema uma segunda chance no amor e vai misturar romance e esportes. A trama será ambientada nos Estados Unidos e terá como protagonistas personagens que já tiveram um relacionamento e acabam se reencontrando.
“Eles se odeiam, e aí…”, adianta de forma divertida a escritora, em um dos poucos spoilers que pode revelar sobre o projeto.
A escolha do basquete também representa uma novidade na escrita de Isabela. “Não vai ser romance com hockey, que eu sei que a galera ama, mas eu gosto de ser a diferente. Então eu vou fazer um romance com basquete”, revela.






