O escritor, jornalista e músico nordestino Pedro Rhuas, com mais de 100 mil exemplares vendidos no Brasil e publicação em Portugal, vai lançar em 2027 seu novo romance, SwapLife. Escrito em inglês em parceria com o autor e roteirista iraniano Abdi Nazemian, o livro chega ao mercado norte-americano em maio do próximo ano pelo selo Balzer + Bray, da Macmillan Children’s Books. No Brasil, a publicação está garantida pela Editora Seguinte.
Escrito originalmente em inglês, o livro é uma comédia romântica do gênero young adult e acompanha Natan, um jovem brasileiro de família nordestina que vive no Rio de Janeiro e sonha em ser cineasta, e Pasha, um jovem de origem iraniana que mora em Los Angeles e é apaixonado por música brasileira. Os dois se conectam por meio de um aplicativo de troca de vidas temporárias, o SwapLife, que dá nome ao livro. Ao assumirem a rotina e o espaço geográfico um do outro, entre o Rio de Janeiro e Los Angeles, os personagens acabam se apaixonando, mesmo sem se encontrar fisicamente.
Eu adoro dizer que o SwapLife, aplicativo que criamos para o livro, é uma mistura de Tinder, Couchsurfing e Airbnb. Exceto que, através dele, os viajantes trocam de vida por um tempo determinado. Não é uma troca de corpos, mas uma viagem combinada após um match. Nesse universo, apaixonar-se pela pessoa com quem você está trocando de vida não é o comum. Mas, como amamos uma boa comédia romântica, nossos personagens são a exceção e vivem uma linda história de amor! Queria poder contar mais detalhes, mas isso deixamos para quando o livro sair, certo?
Parceria internacional e construção a quatro mãos
A ideia da narrativa amadureceu após encontros presenciais dos autores em eventos literários no Brasil. Em entrevista ao NSC Total, Rhuas contou que em 2023, os dois autores tiveram a oportunidade de se conhecer na Bienal do Livro do Rio de Janeiro. Logo no primeiro encontro, houve uma troca entre a dupla e a revelação de um desejo de escrever um livro juntos. O autor lembra que tempos depois, em um café da manhã de um hotel em Salvador, os dois começaram a pensar na história que daria origem a SwapLife.
Sempre foi nossa ideia que o livro abordasse uma troca temporária de países e famílias. Justificar a troca parecia complicado até entendermos que o caminho mais divertido seria inventar um aplicativo para a trama! Foi assim que surgiu o SwapLife, que acabou se tornando o título da versão estadunidense
Segundo o autor, o aplicativo funciona como um catalisador de descobertas e afeto no universo do romance. “Qual é a melhor maneira de se apaixonar por alguém do que conhecer a vida dessa pessoa por dentro?”, reflete Rhuas. “No lugar de ficar hospedado em um hotel, você troca de casa com alguém e tem a chance de conhecer temporariamente o universo dessa pessoa. O diferencial do livro é acompanhar como esse adentrar no ‘infinito particular’ do outro, como diria Marisa Monte, faz Natan e Pasha se apaixonarem”, destaca.
A escrita a quatro mãos ocorreu de forma colaborativa ao longo de dois anos, com Rhuas e Nazemian dividindo a criação dos núcleos centrais, intercalando a redação e edição dos capítulos. Segundo Rhuas, a parceria com um autor nativo foi fundamental para o desenvolvimento da narrativa no idioma inglês.
Desafios do idioma e representatividade cultural
Para Pedro, escrever diretamente em inglês funcionou como uma ferramenta para contornar a própria autocobrança. “Tenho experimentado escrever em inglês há alguns anos. Inicialmente, era uma estratégia para fugir da cobrança do perfeccionismo na escrita em português, culpa da minha Lua em Virgem, como gosto de brincar. Em inglês, eu deixava a criatividade fluir. Quando a proposta da parceria com o Abdi se concretizou, eu já tinha uma bagagem com o idioma, e amadureci esse laço através de estudo e com a paciente mentoria do meu companheiro de escrita”, relembra.
Ele destaca ainda a importância do trabalho em conjunto com Nazemian durante as revisões. “Em SwapLife, tive a imensa sorte de ter um co-autor tão sensível e talentoso quanto Abdi Nazemian. Abdi me ajudou a encontrar a melhor forma de fazer a minha escrita brilhar em outro idioma. Sou muito grato pelo que aprendi ao longo dos mais de dois anos de processo criativo que compartilhamos, com horas de trabalho e longas ligações intercontinentais”, ressalta.
Apesar da ambientação dividida entre o Rio de Janeiro e Los Angeles, o livro carrega as origens dos dois escritores, com a bagagem nordestina de Natan e a ancestralidade iraniana de Pasha desempenhando papeis importantes no desenvolvimento dos personagens.
“Embora não sejam os locais onde SwapLife se passa, o Irã e o Nordeste do Brasil estão profundamente presentes no livro! A memória, cultura, ancestralidade e o imaginário desses lugares permeiam a voz dos nossos protagonistas, suas experiências e sonhos. É lindo ver como o Irã e o Nordeste ecoam na narrativa”, pontua Rhuas, que complementa:
Me apaixonei pelo Rio de Janeiro durante minhas muitas viagens à cidade, e foi lindo trazer um Rio diferente para SwapLife: o Rio com tempero nordestino que carrego comigo. Me sinto orgulhoso da representação do nosso país em SwapLife! Nossa diversidade é inspiradora. O Brasil é um país mágico. Queríamos mostrar isso para nossos jovens leitores ao redor do mundo
Para o escritor, a mensagem principal da obra é que “em tempos de guerras e conflitos, em que o diferente é tratado com hostilidade, um dos nossos exercícios com SwapLife é apostar no diálogo e no respeito como ferramentas de convívio global. Trocar de vida aqui é uma metáfora para o acolhimento que nasce na empatia da alteridade, ou seja, no mergulho das nossas diferenças. Esperamos que nosso livro inspire muitos leitores enquanto viaja o mundo”, defende.
Para a editora Nathalia Dimambro, responsável pelo selo Seguinte, a aquisição de SwapLife representa um passo natural para o catálogo da empresa, destacando o valor da obra em apresentar novas perspectivas e promover representatividade para o público leitor LGBTQIAPN+.
“Tenho certeza que o romance de Natan e Pasha vai encantar leitores do mundo inteiro”, pontua Dimambro




