Quase 30 anos depois da morte de Tupac Shakur, o assassinato do rapper volta as atenções com o início do julgamento em Las Vegas, nos Estados Unidos. O processo pode ajudar a esclarecer qual foi o papel de Duane “Keffe D” Davis no crime e por que a investigação levou tanto tempo para chegar a um acusado.
Tupac foi baleado na noite de 7 de setembro de 1996, quando estava em uma BMW com Suge Knight, perto da Las Vegas Strip. O rapper chegou a ser levado ao hospital, mas morreu seis dias depois, aos 25 anos, o amigo também foi atingido e sobreviveu.
O que aconteceu antes dos tiros
Horas antes do ataque, Tupac se envolveu em uma briga com Orlando “Baby Lane” Anderson dentro do MGM Grand, após uma luta de boxe de Mike Tyson. Anderson era sobrinho de Davis e se tornou um dos primeiros suspeitos relacionados ao assassinato. A acusação sustenta que a briga teria sido o motivo para uma retaliação contra Tupac naquela mesma noite. Imagens de segurança do confronto foram apresentadas aos jurados no início do julgamento. Para os promotores, a sequência de acontecimentos ajuda a explicar o que teria levado ao ataque contra o rapper.
Anderson, porém, nunca foi acusado pela morte de Tupac negando envolvimento no crime e acabou morreu baleado em Compton, na Califórnia, em 1998.
O papel de Duane “Keffe D” Davis
As autoridades descreveram Davis como o “mandante” da ação que terminou com a morte de Tupac. A acusação, no entanto, não sustenta que ele tenha disparado contra o rapper, mas afirma que ele teria conseguido a arma e planejado a o crime.
Segundo os promotores, Davis estava em um Cadillac branco que se aproximou da BMW onde Tupac e Knight estavam. Uma arma teria sido entregue e de acordo com a versão apresentada no tribunal Anderson teria efetuado os disparos. Já Davis se declarou inocente da acusação de homicídio, mas a defesa contesta a versão da promotoria e questiona justamente a falta de provas materiais que poderiam confirmar a participação de Davis.
Por que o caso demorou tanto
Uma das principais questões que o julgamento pode ajudar a esclarecer é por que o assassinato de Tupac permaneceu sem um acusado por quase três décadas já que a polícia nunca encontrou a arma que teria sido usada no ataque e o Cadillac branco mencionado na investigação também não foi localizado. Além disso, mesmo que Davis tenha falado sobre o caso em uma entrevista com autoridades em 2018, ele não foi acusado naquele momento.
Segundo a defesa, se as declarações fossem suficientes para comprovar a participação de Davis, ele teria sido denunciado naquela época. Os advogados também questionam a existência de registros, como recibos, transações ou fotografias, que comprovassem que Davis estava em Las Vegas na noite do crime. Para a acusação, por outro lado, as próprias declarações de Davis ao longo dos anos ajudam a estabelecer sua participação. Em seu livro de memórias, publicado em 2019, ele também contou detalhes sobre sua trajetória no mundo das gangues.
O que ainda falta esclarecer sobre a morte de Tupac
Mesmo depois de quase três décadas de investigação, o caso ainda reúne perguntas sem resposta. A arma do crime nunca foi encontrada, o carro usado pelos suspeitos também desapareceu e Orlando Anderson morreu dois anos depois de Tupac sem ter sido formalmente acusado pelo assassinato.
Outro ponto envolve as próprias declarações de Davis. Ele só foi preso em setembro de 2023, mais de 15 anos depois de ter prestado depoimento às autoridades e quase 27 anos após a morte do rapper.
Aos 25 anos, o Tupac havia se tornado uma das figuras mais conhecidas do hip hop. Sua morte, decorrente à rivalidade entre artistas e gravadoras das costas Leste e Oeste dos Estados Unidos, permaneceu cercada de suspeitas durante décadas.
Agora, quase 30 anos depois, cabe aos jurados avaliar as provas e decidir se a acusação conseguiu demonstrar qual foi, de fato, o papel de Duane “Keffe D” Davis no assassinato do rapper.
