A peça “Eu não falo sua língua” conta sobre os desafios e as experiências das pessoas com dificuldades auditivas em todo o Brasil, mas principalmente em Joinville, cidade da atriz surda Dayane Cristina Gomes. Ela é a responsável por interpretar a história e contracenar com personagens que representam situações da vida real. O espetáculo será apresentado neste sábado (25) às 19h.
Inspirações da atriz surda
Dayane contou, em entrevista ao NSC Total, que sempre sonhou em ser atriz. Desde pequena acompanhava novelas e filmes transmitidos na televisão. Como é uma pessoa surda, no entanto, enfrentou dificuldades para encontrar um curso adaptado à sua realidade.
— E eu falava para a minha mãe: vamos procurar um curso para ser atriz. Mas a gente não encontrava e eu fiquei muito triste mesmo com isso — relembra a atriz.
Ela conta que uma amiga sua, que é professora da Língua Brasileira de Sinais (Libras), contou que uma aluna participava de um grupo de teatro. Dayane iniciou contato com a Manoella Carolina Rego. Em pouco tempo, também se tornaram amigas e idealizaram o Grupo de Teatro Libração, que atualmente é composto por quatro atores.
Conforme foi se especializando, Dayane conquistou diversos sonhos. Ela se formou em Recursos Humanos e, atualmente, se especializa em Letras/Libras. Mas, além disso, alcançou um sonho de infância: aparecer na telinha.
Dayane participou da 2ª temporada da série Crisálida da Netflix. A obra também foi exibida na TV Cultura em 2024.
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Espetáculo “Eu não falo sua língua”
Agora, Dayane dá vida à peça “Eu não falo sua língua”, que retrata suas experiências e desafios. A obra expõe como seria viver no próprio país e ninguém entender o que você diz. No palco, a atriz surda joinvilense contracena com personagens que surgem projetados no cenário e representam situações da vida real.
— Ela [a peça] representa tudo. É a minha vida. Porque as pessoas surdas sofrem muitas barreiras no trabalho, no dia a dia. As pessoas falam que os surdos não são capazes, de ter um futuro melhor. Eu sou formada, eu fiz faculdade, né? Por que eu não seria capaz? — diz.
De acordo com o Grupo de Teatro Libração, a falta de letramento dos brasileiros ouvintes em Libras se traduz, na prática, nas dificuldades encontradas pela população surda em acessar a educação, o trabalho e em conviver socialmente.
O espetáculo busca dar visibilidade a essas questões e promover a reflexão do público sobre acessibilidade das pessoas com deficiência e outras características que integram o amplo espectro da diversidade humana e dos direitos constitucionais.
O florescer da identidade surda também é representado na peça pelo ator surdo Darley Goulart, que aparece nas projeções. Linguista, Darley escreve e interpreta poesias em Libras que transmitem os desafios, mas também a força da comunidade surda, reafirmando suas possibilidades e potencialidades.
Espetáculo gratuito
A obra é interpretada em Libras, com locução em Português e audiodescrição. A apresentação também tem intérprete de Libras para a acessibilidade comunicacional das pessoas surdas no teatro e da atriz com o público ouvinte.
A peça ocorre no Galpão de Teatro da Ajote neste sábado (25), às 19h, com entrada gratuita.







