Boni fala nos 76 anos da TV brasileira qual o gênero precisar ser resgatado com urgência

Ex-executivo da Globo defendeu mais espaço para programas humorísticos e criticou o medo de arriscar na televisão aberta

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Boni fala nos 76 anos da TV brasileira qual o gênero precisar ser resgatado com urgência

Boni defendeu o resgate do humor na TV brasileira. (Foto: Reprodução, TV Brasil)

José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, fez um apelo durante o especial do Sem Censura em comemoração aos 76 anos da televisão brasileira: o resgate do humor na TV aberta. Para o ex-executivo da Globo, o gênero perdeu espaço justamente quando as emissoras passaram a ter mais receio de apostar em novas ideias.

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“Hoje é uma coisa que eu sinto falta imensa: não tem humor na televisão”, afirmou Boni. Para ele, depois das novelas e do esporte, os programas humorísticos deveriam ocupar um espaço importante na programação.

“É uma pena que a gente não invista em criação de humor, por exemplo. Não precisa ser um reality show, mas nós podemos exportar outras coisas que nós temos competência para fazer”, defendeu.

A fala surgiu durante uma conversa entre Boni, Boninho, que é diretor de televisão e filho do ex-executivo, Lilia Cabral e Cissa Guimarães sobre criatividade na televisão brasileira. Boni destacou que produções nacionais podem se inspirar em formatos estrangeiros, mas precisam ganhar características próprias para conversar com o público do país.

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Boninho citou o Big Brother como exemplo. O formato foi criado nos Países Baixos, mas, segundo Boninho, ganhou elementos brasileiros ao ser adaptado para o país. A versão nacional incorporou humor e uma estética mais ligada à dramaturgia, além de uma casa ampla, ensolarada e com áreas externas.

Para o diretor, essa capacidade de transformar formatos estrangeiros em produtos com identidade brasileira foi uma das marcas da televisão nacional. Ele lembrou ainda de uma época em que programas e novelas produzidos no Brasil eram vendidos para dezenas de países.

“O que eu acho muito importante é que ampliava, de qualquer maneira, o nosso mercado de trabalho. Então, eu acho que a criatividade brasileira me dá muito orgulho quando a gente exerce”, afirmou.

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Ao falar especificamente sobre o humor, José Bonifácio rejeitou a ideia de que o gênero tenha desaparecido apenas por causa do chamado politicamente correto. Para ele, as emissoras também passaram a demonstrar receio diante das reações nas redes sociais.

“Nós nos acovardamos diante da dificuldade de produzir humor e, mais, diante de pequenos grupos que, através das redes sociais e tal, vão reclamar disso aí”, disse. Em seguida, resumiu o que considera necessário neste momento: “Nós temos que resgatar, neste momento, a primeira coisa a ser feita é resgatar o humor na televisão brasileira”.

Boninho concordou com a necessidade de apostar em novos formatos e afirmou que a TV aberta não pode ter medo de arriscar. Ele também citou a possibilidade de recuperar nomes e projetos ligados ao humor.

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Boni ainda fez um apelo à Globo ao lembrar que a emissora possui um grande elenco de humoristas, mas, na avaliação dele, não utiliza esse potencial como poderia.

A conversa terminou com uma brincadeira envolvendo Pablo e Luisão, série de humor da Globo. Lilia Cabral insistiu para que Boni assistisse à produção, mas ele revelou que não costuma assistir à televisão em casa. “A minha mulher não deixa”, brincou.