Deborah Colker traz “Remix”, espetáculo sobre legado e emoção a Florianópolis

Espetáculo chega a Capital nos dias 17, 18 e 19 de abril, com sessões no Teatro Ademir Rosa (CIC); NSC Total conversou com a coreógrafa, que falou sobre memória e carinho especial que tem pela cidade

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“Remix” chega a Florianópolis com cenas icônicas de três décadas (Foto: Flavio Colker, Divulgação)

Florianópolis recebe, a partir do dia 17 de abril, a turnê de “Remix”, novo espetáculo da Deborah Colker que revisita mais de três décadas de trajetória da companhia que leva seu nome. Em curta temporada no Teatro Ademir Rosa (CIC), a montagem propõe um mergulho sensível no tempo por meio de cenas icônicas recriadas sob um novo olhar.

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Mais do que uma retrospectiva, “Remix” nasce de um momento íntimo. Após a estreia de “Sagração”, em 2024, e de uma trilogia intensa que marcou a companhia, a coreógrafa se viu diante da necessidade de olhar para dentro.

— Era um momento importante para a gente falar do nosso legado, trazer essa assinatura de quem a gente é — comentou ela ao NSC Total.

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Veja em fotos um breve “spoiler” de “Remix”

“Trabalhos que precisam ser dançados de novo”

A decisão de revisitar obras como “Vulcão” (1994), “Rota” (1997), “4×4” (2002) e “Belle” (2014) partiu também de um impulso geracional. Bailarinos mais jovens, muitos deles com pouco mais de 20 anos, não haviam vivido criações marcantes do repertório, segundo Deborah Colker.

— A gente tem muitos trabalhos incríveis que precisam ser dançados de novo.

O resultado é um espetáculo inédito, estruturado em dois atos que dialogam entre si. No primeiro, a densidade: movimentos mais próximos do chão, atravessados por força, risco e visceralidade — como na coreografia com cerca de 90 vasos, onde a delicadeza convive com a tensão. No segundo, a leveza: a suspensão, a roda gigante de sete metros, o corpo em estado de voo.

— A gente criou uma linha poética, uma dramaturgia. Não é uma remontagem, é uma nova obra — explica ela.

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Ao revisitar essas criações, Deborah também redescobriu sentidos. A aproximação entre “Paixão”, de 1994, e “Belle”, de 2014, por exemplo, trouxe novas camadas sobre desejo, feminino e instinto.

— A paixão não é sobre o amor, é sobre ímpeto, descontrole. Ela é patética e sublime. E isso continua muito presente hoje — reflete.

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Para ela, conectar obras tão distantes no tempo é também repensar valores e afetos que atravessam gerações. Essa travessia pessoal e artística, inclusive, está diretamente ligada ao momento que a artista vive.

— Tudo que a gente vive atravessa o trabalho. É um espetáculo com muito amor, muita dor, muita resiliência — diz.

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Com mais de 30 anos de carreira, o que move Deborah continua sendo o risco e a experimentação, de acordo com ela.

— É sobre buscar caminhos desconhecidos, colocar luz onde ainda está escuro. A gente traz para o corpo os questionamentos do nosso tempo; as guerras, o meio ambiente, o que significa estar vivo hoje — afirma.

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“Florianópolis é um lugar de praia, sim, mas também de arte”

A relação com o público, aliás, é parte essencial desse processo, e tem um capítulo especial em Florianópolis. Deborah lembra das primeiras apresentações na cidade, ainda nos anos 1990, quando a plateia era pequena.

— Na época, diziam que aqui não tinha público, que todo mundo só queria praia. Mas a gente foi insistindo. De 40 pessoas, depois 100, até lotar. Hoje é um público fiel. Florianópolis é um lugar de praia e de arte — diz, com carinho.

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Agora, ao retornar com “Remix”, a companhia reencontra esse público já transformado.

— Quem ainda não viu, vem. É um espetáculo que começa pelo Sul com muita energia.

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Com 16 bailarinos em cena e uma estrutura considerada a mais ousada já montada pela companhia, a produção reúne diferentes tecnologias, cenários e desafios físicos em um mesmo espetáculo.

— É quase uma ópera — resume a coreógrafa.

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Para o público, a promessa é de uma experiência intensa.

— Vai ficar com o coração na boca, vai se emocionar, mas também vai ter momentos de leveza, de delicadeza — antecipa.

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“Remix” será apresentado nos dias 17, 18 e 19 de abril, com sessões no CIC. Os ingressos estão à venda online, com valores a partir de R$ 25, via Disk Ingressos.

Confira a ficha técnica do espetáculo

Criação e Direção
DEBORAH COLKER

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Direção Executiva e Dramaturgia
JOÃO ELIAS

Direção Musical
BERNA CEPPAS

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Direção de Arte
GRINGO CARDIA

Figurinos
CLAUDIA KOPKE (figurinista)
YAMÊ REIS (criação original)
SAMUEL CIRNANSCK (criação original)

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Desenho de Luz
JORGINHO DE CARVALHO

Antonietas

Antonietas é um projeto da NSC que tem como objetivo dar visibilidade a força da mulher catarinense, independente da área de atuação, por meio de conteúdos multiplataforma, em todos os veículos do grupo. Saiba mais acessando o link.