Entenda o processo de desenvolvimento da comunicação de crianças

Compartilhe:
O neurodesenvolvimento não é igual para todas as crianças (Imagem: fizkes | Shutterstock)

O neurodesenvolvimento não é igual para todas as crianças (Imagem: fizkes | Shutterstock)


A comunicação desempenha um papel fundamental no desenvolvimento humano. Por meio da linguagem, da fala e de gestos, conseguimos estabelecer conexões com outras pessoas, construir relacionamentos significativos e expressar emoções e necessidades.

Continua após a publicidade

No entanto, é importante reconhecer que o desenvolvimento da comunicação nem sempre ocorre de maneira uniforme para todas as pessoas, especialmente durante a infância. Algumas crianças podem enfrentar desafios que afetam sua capacidade de se comunicar, o que pode impactar suas interações sociais, emocionais e acadêmicas.

Para desvendar esses mistérios e auxiliar no neurodesenvolvimento infantil, a fonoaudióloga Lourena Costa, especialista em Neurodesenvolvimento, traça um panorama dos marcos esperados e dos sinais de alerta que indicam a necessidade de acompanhamento profissional.

Primeiros passos na comunicação

A partir dos seis meses, a jornada da comunicação se intensifica. “As vocalizações e os balbucios se tornam mais frequentes, e a criança começa a brincar com esses sonzinhos”, destaca a fonoaudióloga. “Aos 12 meses, as primeiras tentativas de palavras surgem, assim como as imitações de caretas e a necessidade de se comunicar, de ter contato com o outro”, acrescenta.

Continua após a publicidade

Com 18 meses, as primeiras palavras já fazem parte do vocabulário da criança, que, segundo Lourena Costa, “já tem por volta de 30 a 50 palavras”. Aos 2 anos, um boom no desenvolvimento da fala acontece: “a criança passa de 50 para 200 a 300 palavrinhas, aprimorando seu vocabulário e, aos 3 anos, já fala frases, sendo muito bem compreendida”. Nessa fase, a criança já entende tudo que se fala para ela e começa a ter noção espacial de realidade, além de realizar jogo compartilhado e entender comandos verbais mais complexos.

Fonoaudiologia como aliada no neurodesenvolvimento

A fonoaudiologia atua como guia nesse processo crucial, identificando dificuldades e direcionando o desenvolvimento da fala e da linguagem. Quando existe qualquer dificuldade nesse processo, os fonoaudiólogos orientam e direcionam esse desenvolvimento.

“Avaliamos e entendemos qual é a dificuldade daquela criança e começamos as intervenções naquilo que cada criança precisa. Direcionamos, literalmente, o desenvolvimento dessa criança e a evolução dela naquilo que é necessário, além de orientar a família em como realizar esse processo de estimulação em casa”, explica Lourena Costa.

Continua após a publicidade

A estimulação precoce, segundo a especialista, é fundamental. “Quanto mais precoce a intervenção fonoaudiológica começar, mais rápido serão os processos de estimulação e desenvolvimento da criança. Então, mais rápido ela vai conseguir aprender”, afirma.

Atuação em distúrbios neurológicos

Em casos de autismo, TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), paralisia cerebral e outras condições neurológicas, a fonoaudiologia assume um papel fundamental. “No autismo, nós vamos auxiliar na parte da comunicação, na parte do uso da linguagem, na parte da cognição, também na parte da interação e todo esse processo que a comunicação envolve”, detalha Lourena Costa.

No TDAH, a fonoaudiologia participa do processo de linguagem, fala e comunicação, além da aprendizagem. “As crianças têm uma dificuldade maior nesse processo de aprendizagem. Então, nós vamos direcionar esse caminho para ser mais simples para essa criança aprender”, explica.

Continua após a publicidade

Já na paralisia cerebral e outras condições neurológicas, a atuação se concentra na alimentação, na fala, na linguagem e na aprendizagem. “Uma criança com paralisia cerebral grave pode ter distúrbio de deglutição, que é a disfagia, e nós vamos trabalhar para a criança ter segurança na alimentação, conforme o prescrito após as avaliações”, acrescenta.

Expectativas e intervenções

As expectativas para o desenvolvimento da fala e da linguagem em crianças com distúrbios neurológicos variam conforme a gravidade do distúrbio, a idade da criança e a qualidade da intervenção fonoaudiológica. “Tem crianças que são TEA com nível 1 de suporte que vão se desenvolver bem nesse processo de aquisição da fala, da linguagem, da comunicação”, explica Lourena Costa.

Em outros casos, pode necessitar de mais tratamento. “Tem crianças nível 2 e 3 de suporte que já terão um desenvolvimento mais aquém do esperado para a idade, assim como a questão do TDAH vai depender muito de como essa criança está, se precisa de medicação para ser regulada, se a família vai aceitar ou não essa medicação. Se o TDAH é puro ou está associado ao autismo, ou a síndrome de Down”, explica a profissional.

Continua após a publicidade

Na síndrome de Down, os graus de deficiência cognitiva também influenciam o desenvolvimento, podendo ser um déficit cognitivo leve ou severo. Quanto mais severo, mais difícil a evolução da fala e da linguagem, então menos expectativas de desenvolvimento dentro do padrão de normalidade. Tudo isso dependerá muito de como é o déficit de cada uma dessas patologias.

Os pais podem incentivar o desenvolvimento da linguagem e da fala realizando atividades com as crianças (Imagem: fast-stock | Shutterstock)

Dicas para estimular a fala e a linguagem

Para impulsionar o desenvolvimento da fala e da linguagem em casa, Lourena Costa oferece dicas valiosas abaixo!

1. Observe a criança

Preste atenção aos interesses da criança e utilize-os como base para as brincadeiras e atividades.

Continua após a publicidade

2. Estimule a conversa

Utilize linguagem simples e clara, narrando suas ações e o que está ao redor.

3. Leia com a criança

A leitura estimula a linguagem, a imaginação e o vocabulário.

4. Incentive o lado musical 

Cantar é uma ótima forma de estimular a fala, a linguagem e a musicalidade.

Continua após a publicidade

5. Brinque com a criança

Brincadeiras que envolvem comunicação, como faz-de-conta e jogos de tabuleiro, são importantes para o desenvolvimento da fala e da linguagem.

6. Dê tempo para a criança responder

Evite responder pela criança, mesmo que demore um pouco.

7. Repita as palavras e frases

Repetir ajuda a criança a fixar as informações e a aprender novas palavras.

Continua após a publicidade

8. Utilize recursos visuais 

Imagens e livros ilustrados podem auxiliar na compreensão e na comunicação.

9. Seja paciente e positivo

O desenvolvimento da fala e da linguagem é um processo gradual. Incentive a criança e comemore suas conquistas.

Em busca de ajuda profissional

Se você notar qualquer dificuldade no desenvolvimento da fala e da linguagem do seu filho, não hesite em buscar ajuda profissional. “Nem que seja perguntar para o pediatra se está tudo bem, perguntar se ele não indica algum tipo de avaliação, ou já ir direto para o profissional fonoaudiólogo, que é o capacitado para avaliar a fala e a linguagem”, orienta Lourena Costa.

Continua após a publicidade

Por Kati Pessoni