Feitos a várias mãos, trajes da realeza da Festa do Pinhão 2026 exaltam a força da mulher serrana

Coleção “As Guerreiras do Tempo” foi lançada em uma noite de muita arte e cultura lageana

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rainha e princesas da Festa do Pinhão, em um campo, vestindo os trajes oficiais

"As Guerreiras do Tempo": trajes oficiais da realeza da Festa do Pinhão (Foto: Sabrina Rodrigues e Fábio Pavan, Divulgação)

Na noite de quinta-feira (21) foi realizado o evento de lançamento dos trajes oficiais da realeza da 36ª Festa Nacional do Pinhão, no Casarão Juca Antunes. Os vestidos foram idealizados pela estilista Ana Lopes, do La Unica Ateliê, e feitos com a participação de diversas pessoas.

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 Na ocasião, também foi lançada a exposição “Costurando Memórias”, que nasce de uma parceria entre Ana Lopes e a companhia de teatro lageana “Bravo Bravíssimo!”. O evento também marcou a primeira aparição pública das realezas adulta e mirim com os trajes oficiais.

A coleção de trajes se chama “As Guerreiras do Tempo” e enaltece a força da mulher serrana, a identidade lageana, a permanência e a atemporalidade. Os vestidos da rainha Maria Júlia Branco da Silveira e as princesas Maria Luisa Furtado Boeno e Emilie da Silva Pereira foram feitos inteiramente de crochê, realizando um sonho antigo da mãe de Ana, a estilista Berenice Omizzolo.

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O vestido da rainha possui um manto inspirado na gralha-azul e ombreiras mais altas e estruturadas, com o propósito de remeter a uma armadura. Os trajes das princesas seguem essa ideia de armadura através dos corpetes estruturados, para reforçar o ideal de força feminina. 

Esse vestido é um reflexo de toda a minha vida até aqui. Antes não me considerava artista, hoje tenho orgulho de dizer que sou — declarou Ana Lopes, emocionada.

Foram os vestidos da realeza que demoraram mais tempo para serem produzidos na história da festa. Feitos por várias mãos, com as crocheteiras Cleci, Joelma, Ivone, Rita, Vera, Elza, Odete, Rose, Dora, Sandra, Andreia e Nilceia, com apoio do setor de artesanato da Secretaria da Mulher de Lages.

Os vestidos são repletos de detalhes que contam a história e as tradições da Serra Catarinense, como apliques em crochê e biscuit pintados manualmente. Além disso, a tintura dos vestidos foi feita com cascas de pinhão e de araucária, através da fervura no fogão à lenha.

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Já os trajes da realeza mirim são feitos de tecidos nas cores da araucária, com detalhes e apliques em crochê, incluindo “amigurumis” (bonecos feitos de crochê) das gralhas mascotes da festa.

As coroas da realeza também seguem a temática dos vestidos, com pedrarias formando araucárias, flores, pinhas abertas e penas de gralha-azul. Toda a coleção remete à natureza serrana.

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Passeio pelas memórias de Lages

A exposição “Costurando Memórias” conta a história dos vestidos da realeza da Festa do Pinhão, exibindo trajes de diferentes edições, produzidos por diversos estilistas. O caminho é guiado por dois personagens ao longo do três atos: “Lembranças”, “Histórias” e “Transformações”.

As peças são dispostas em meio a um jogo de luzes e podem ser tocadas cuidadosamente. Junto à exibição dos vestidos, acessórios e croquis, são contadas histórias sobre os símbolos representados nas confecções e sobre a própria cidade, como a famosa lenda da serpente do Tanque. Também são exibidas telas do artista local Jonas Malinverni.

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— A gente procurou realmente exaltar a nossa cultura, exaltar tudo que a gente tem aqui, tanto na arte, quanto no material que a gente usou — afirmou a diretora da companhia de teatro Bravo “Bravíssimo!”, Kiara Leal. 

A exposição como um todo é uma homenagem à arte e cultura de Lages, unindo moda, teatro, música e pintura. A mostra estará aberta ao público no Casarão Juca Antunes. Os horários da visita guiada ainda não foram divulgados.

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Música inédita

O evento de lançamento dos trajes da realeza de 2026 contou com mais uma novidade: uma música inspirada pelos vestidos, interpretada pela realeza da edição passada. A letra é assinada por Ana Lopes e Amanda Bianchini Moraes, rainha da 35ª Festa do Pinhão.

Confira um trecho da letra:

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E hoje a arte se revela, no crochê que o povo criou

Fio a fio tingido em pinheiro, na cor que a terra doou

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E quando Lages se ilumina, pra celebrar seu chão

As asas da gralha se abrem, abraçando a tradição

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Gralha-azul soberana, mensageira desse chão

Voa pelos pinheirais semeando história e pinhão

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Tuas asas viram manto sobre a nossa tradição

Cultivando sonhos da serra na nossa Festa do Pinhão