Mulher com “a pior dor do mundo” se forma aos 30 anos após 11 cirurgias: “Eu achei que a minha vida não ia pra frente”

Carolina Arruda convive há 13 anos com neuralgia do trigêmeo, passou por diferentes tratamentos e concluiu o sonho de infância no mesmo dia em que completou três décadas

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Mulher com “a pior dor do mundo” se forma aos 30 anos após 11 cirurgias “Eu achei que a minha vida não ia pra frente”

Carolina Arruda comemorou os 30 anos e a formatura em Medicina Veterinária após 13 anos convivendo com a neuralgia do trigêmeo. (Foto: Redes sociais, Reprodução)

Carolina Arruda completou 30 anos na segunda-feira (29) com um motivo especial para comemorar: além de celebrar o aniversário, ela recebeu o diploma de Medicina Veterinária pelo Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG), em Bambuí, no Centro-Oeste de Minas Gerais. As informações são do g1.

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A conquista representa a realização de um sonho que Carolina carregava desde a infância e que precisou ser adiado diversas vezes. Há 13 anos, ela convive com a neuralgia do trigêmeo, condição neurológica associada a crises de dor extremamente intensa. Ao longo desse período, foram 11 cirurgias, diversas internações e interrupções na graduação.

Aos 30 anos, porém, ela conseguiu concluir o curso justamente no dia em que comemorava mais um ano de vida.

“Eu ganhei presente em dobro. Meus 30 anos de vida e o meu diploma tão sonhado e tão lutado. A caminhada foi tão longa, tão complicada, mas deu certo. Valeu a pena”, disse emocionada.

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Agravamento das crises da “pior dor do mundo” fez Carolina trancar o curso

A trajetória até a formatura esteve longe de ser linear. Em 2023, com o agravamento das crises, Carolina precisou trancar o curso. Em março de 2026, voltou a Bambuí para cumprir as horas que faltavam para concluir a graduação. A formatura foi oficializada em uma cerimônia on-line.

Antes de receber o diploma, ela parou para olhar para a própria trajetória como se estivesse observando a vida de outra pessoa. Foi quando percebeu a dimensão de tudo o que havia enfrentado para chegar àquele momento.

“Eu passei olhando minha vida de fora, como se eu fosse outra pessoa. Eu vi a minha vida inteira, tudo o que eu passei, tudo o que eu precisei fazer, todas as cirurgias, todas as dificuldades, todos esses 13 anos de doença”, contou.

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Ao relembrar os últimos anos, Carolina enumerou momentos que poderiam ter interrompido seus planos: duas faculdades, a maternidade, o casamento, 11 cirurgias e inúmeras internações.

“Foram duas faculdades, uma filha, um casamento, 11 cirurgias, muitas e muitas internações e centenas, milhares de vezes que eu só sentava e chorava, porque eu achei que a minha vida não ia pra frente. Mas ela foi”, afirmou.

A formatura, no entanto, não representa o fim da doença. Carolina continua convivendo com as dores e deixa claro que a conquista não apagou o que enfrenta diariamente.

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“A dor continua a mesma, mas hoje eu estou aqui. Estou com meu diploma, estou feliz, apesar de tudo.”

Para ela, a conquista também trouxe uma nova percepção sobre a própria força.

“Eu tive uma força que eu não imaginei que teria ao longo desses anos todos, desse caminho, desse fardo inteiro que eu carreguei durante muito tempo”, afirmou.

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Emocionada, Carolina reconheceu que chegou a pensar em desistir diversas vezes, mas conseguiu enxergar a própria resistência apenas ao olhar para a trajetória de fora.

“Eu queria desistir todos os dias da minha vida, eu chorava todos os dias da minha vida, eu ainda choro todos os dias da minha vida, mas, me olhando de fora, eu fui forte. É isso. Eu consigo enxergar só agora. Eu estou muito satisfeita comigo.”

Desde criança, Carolina tinha o objetivo de chegar aos 30 anos formada. A doença, entretanto, fez com que o caminho até o diploma fosse muito mais longo do que ela havia imaginado.

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“Eu cumpri o meu objetivo de criança. Até os 30 eu queria ter um diploma, queria me formar, queria fazer faculdade. Sempre sonhei em fazer faculdade e finalmente hoje eu consegui esse feito”, disse.

Por isso, comemorar o aniversário e a formatura na mesma data ganhou um significado ainda maior.

“Parece que tudo se encaixou no exato dia para cumprir o que aquela menina de alguns anos atrás, de 10, 15 anos atrás, já sonhava.”

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Desafios nos últimos anos

A conquista aconteceu depois de anos marcados por tratamentos médicos. Em 2024, Carolina passou por uma internação prolongada na Santa Casa de Alfenas, no Sul de Minas, onde foi submetida a procedimentos para tentar controlar a neuralgia do trigêmeo.

No ano seguinte, passou por uma sedação profunda com cetamina em uma nova tentativa de melhorar a resposta do organismo aos tratamentos. Segundo ela, não houve melhora e os sintomas ficaram ainda mais intensos.

Carolina também fundou a Associação de Neuralgia do Trigêmeo Brasil (ANTBR), voltada à conscientização sobre a doença, e passou a compartilhar a própria experiência nas redes sociais.

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Ao receber o diploma, ela celebrou não apenas a conclusão da graduação, mas também o cumprimento da promessa feita à menina que sonhava em chegar aos 30 anos com um diploma nas mãos.

“Estou muito mais leve, muito agradecida e, principalmente, muito orgulhosa de mim mesma.”

Carolina é natural de São Lourenço, no Sul de Minas, e morou em Bambuí durante a graduação. Casada e mãe de uma menina, começou a sentir as primeiras dores aos 16 anos, durante a gravidez e enquanto se recuperava de uma dengue.

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No início, os sintomas foram confundidos com problemas odontológicos. Depois de exames, ela recebeu o diagnóstico de neuralgia do trigêmeo.

A doença afeta o nervo trigêmeo, responsável por levar ao cérebro informações relacionadas à sensibilidade do rosto. As crises podem ser descritas como choques elétricos ou facadas na face e podem ser desencadeadas por ações simples, como falar, mastigar ou escovar os dentes.

No caso de Carolina, a condição é bilateral e provoca dores nos dois lados do rosto.

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Antes de receber o diagnóstico, ela estudava e trabalhava normalmente e tinha planos acadêmicos e profissionais. Com o avanço da doença, precisou interromper parte dessa rotina e passou por diferentes tratamentos, incluindo medicamentos, radiocirurgia, fisioterapia e cirurgia de descompressão do nervo trigêmeo.

Os efeitos, porém, foram temporários e as crises retornaram. Em 2024, Carolina ganhou repercussão nacional ao revelar que cogitava recorrer ao suicídio assistido na Suíça diante da intensidade da dor e do desgaste provocado pela doença.

Atualmente, ela afirma que não pretende passar por novas cirurgias ou procedimentos experimentais. O tratamento segue com recursos já implantados, como a bomba de fármacos e os eletrodos.