Quem mora em Florianópolis conhece bem o fenômeno: basta o verão chegar para as praias da Ilha receberem farofeiros de todos os cantos do Brasil (e da Argentina também). Pois a turma mais famosa desse universo agora resolveu exportar a farofa. Os Farofeiros 3 chegou aos cinemas de todo o país nesta quinta-feira (5) e leva o grupo de amigos e suas famílias para a primeira viagem internacional da franquia, rumo às águas azul-turquesa do Caribe.
A NSC conversou com o elenco do longa, que reúne mais uma vez Cacau Protásio, Maurício Manfrini, Danielle Winits, Antônio Fragoso, Charles Paraventi, Elisa Pinheiro, Aline Campos e Nilton Bicudo. A direção segue com Roberto Santucci e o roteiro com Paulo Cursino, a mesma dupla dos dois primeiros filmes.
A química que não esfria
O primeiro Os Farofeiros estreou em março de 2018. O segundo só chegou às telonas em março de 2024, depois de um intervalo longo, atravessado pela pandemia. Mesmo assim, quem assiste ao terceiro filme tem a impressão de que o elenco nunca se separou.
Maurício Manfrini, o Lima, conta que a espera entre um filme e outro é cheia de expectativa.
A gente fica muito ansioso. Lançou o 1, a gente teve um espaço muito grande, veio a pandemia, a gente teve que esperar bastante para poder filmar o 2. Filmamos o 2 e ficamos na ansiedade para encontrar todo mundo para fazer o 3.
Para ele, o segredo está justamente nas diferenças entre os casais da história. “São casais completamente diferentes um do outro, mas a cumplicidade é muito grande. E o elenco inteiro se completa. Eu acho que isso é o sucesso do filme”, diz.
Cacau Protásio, a Jussara, resume o reencontro de um jeito bem carioca:
A gente fica um tempo sem se ver, mas, quando se encontra, parece que a gente dormiu junto no dia anterior. Não tem esse vácuo, não tem essa distância. Mesmo porque a gente tem um grupo de WhatsApp até hoje. Cada um tem a sua vida, o seu trabalho, mas a intimidade volta na hora.
O grupo de WhatsApp do elenco, aliás, já existe há nove anos. E há ainda um mérito atribuído ao diretor. “Tem também a direção do Santucci, que deixa a gente muito livre e, ao mesmo tempo, sabe muito o que quer. Ele vai conduzindo a gente de uma maneira que remonta ao que a gente já tinha nos outros filmes, trazendo claro as novidades que todo filme vai ter”, completa.
Do Paulinho Gogó ao Lima: o sucesso entre as crianças
Somados, os dois primeiros filmes levaram cerca de 5 milhões de pessoas aos cinemas e arrecadaram mais de R$ 55 milhões em bilheteria. Para Cacau, a explicação é simples: identificação.
É a história. Todo mundo já passou perrengue em passeio de família, em férias. Cada um no seu lugar, mas todo mundo já passou. Festa de família, viagem de escola, todo mundo passou por aí.
Maurício Manfrini acrescenta outro ingrediente: o público infantil. Conhecido nacionalmente pelo Paulinho Gogó, personagem que marcou a carreira do humorista, ele conta que o Lima mudou o perfil de quem o para na rua.
Meu trabalho antes era feito mais para o público adulto. Depois do Lima, comecei a ter muitos fãs infantis. No aeroporto, a criançada pede foto e me chama de Lima, nem chama de Paulinho Gogó, que é o personagem mais conhecido que eu tenho.
Segundo ele, o colorido do filme e a presença de crianças no elenco ajudam a abraçar a família inteira. “Os pais passam a gostar também, por causa da identificação e por causa das crianças. E isso tudo faz o filme ser o sucesso que é.”
Jussara, a bruta que ama do jeito dela
Nas redes sociais, Jussara aparece entre as personagens mais queridas da franquia. Cacau Protásio reconhece que a esposa do Lima não tem papas na língua, mas acredita que o público entende o que está por trás da brutalidade.
A Jussara é, sei lá, sem noção às vezes, porque ela é bruta. Mas acho que o pessoal entende que a brutalidade dela é a forma que ela tem de amar o Lima. Ele é mais zoeiro, mais tiozão do pavê. Mas a Jussara ama isso, e o Lima ama o jeito da Jussara.
A atriz destaca ainda a lealdade da personagem. Em público, Jussara defende o marido de qualquer crítica. A bronca fica para depois, longe dos outros. E, ao longo dos filmes, ela vai se transformando aos poucos, observando as outras mulheres do grupo. “Ela vai querer ser elegante um pouquinho igual a elas, vai tentar ser mais vaidosa, mas dentro do jeito que ela entende”, explica.
Cacau também conta que se surpreendeu quando leu, no roteiro do segundo filme, que Jussara queria ter mais um filho. “Eu falei: gente, não imagino a Jussara querendo ser mãe de mais criança, porque ela é tão bruta. Mas, mesmo bruta, ela é essa mulher que tem amor para dar, que quer cuidar. É uma mulher que cuida do jeito dela.”
A responsabilidade de fazer rir
O lançamento acontece num momento em que a comédia nacional volta a puxar público para as salas. Para o elenco, estar à frente de uma franquia consolidada é motivo de orgulho e também de cobrança.
“É uma grande responsabilidade e uma honra estar nesse lugar. Mesmo com cinco anos sem gravar de um filme para o outro, já existiam pessoas que lembravam e perguntavam quando ia ter o próximo. A gente tem essa responsabilidade de dar o nosso melhor para que o cinema todo se beneficie”, diz Alinne Campos, a Ellen do longa.
O elenco também defende que o caminho do sucesso passa por um humor com sotaque brasileiro. “Os norte-americanos fazem comédia muito bem, só que é a comédia deles. Quanto mais a gente se apropria do nosso humor, que é muito específico e diferente, mais chance de sucesso a gente tem. Esse humor que vem dos Farofeiros, do Paulo Gustavo, da Ingrid Guimarães, da Mônica Martelli, é tudo muito brasileiro, e isso chama o público para junto da gente”, afirma Elisa Pinheiro que interpreta a Vanete.
Sobre o que é Os Farofeiros 3
Na nova história, Rocha (Charles Paraventi) decide bancar o casamento da filha na ilha fictícia de San Martinez, no Caribe, e convida os parceiros de trabalho Alexandre (Antônio Fragoso), Lima (Maurício Manfrini) e Diguinho (Nilton Bicudo), com suas famílias, para a celebração. Tudo pago, em um resort de luxo. Pelo menos era o que eles achavam.
Ao chegar, o grupo descobre que Rocha mentiu: para garantir uma festa de alto nível, colocou todo mundo no hotel mais barato da América Latina. A partir daí, cada um enfrenta o próprio perrengue. Renata (Danielle Winits) implica com tudo antes mesmo de chegar ao destino, Vanete (Elisa Pinheiro), a mãe da noiva, vive à beira de explodir, Ellen (Aline Campos) tem a autoconfiança posta à prova e Diguinho precisa lidar com questões do passado. Enquanto isso, Lima e Jussara levam o “jeitinho brasileiro” para terras gringas.
O filme tem ainda participação especial do cantor Leo Jaime, que canta alguns dos próprios sucessos.
Ficha técnica
- Estreia: 5 de novembro de 2026, exclusivamente nos cinemas
- Duração: 1h42
- Classificação: 12 anos
- Direção: Roberto Santucci
- Roteiro: Paulo Cursino
- Elenco: Cacau Protásio (Jussara), Maurício Manfrini (Lima), Danielle Winits (Renata), Antônio Fragoso (Alexandre), Elisa Pinheiro (Vanete), Charles Paraventi (Rocha), Aline Campos (Ellen) e Nilton Bicudo (Diguinho)
- Produção: Camisa Listrada, com coprodução de Globo Filmes, Telecine e Panorama Filmes
- Distribuição: Downtown Filmes







