Os lugares míticos da Odisseia existem de verdade? 5 destinos que podem ter inspirado Homero e aparecem no filme de Nolan

Jornada de Odisseu pode ter passado por sítios arqueológicos, ilhas turísticas e tradições antigas no Mediterrâneo

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Cenários de A Odisseia

Alguns cenários da Odisseia têm sítios reconhecidos, enquanto outros seguem ligados à tradição oral (Fotos: Reprodução, YouTube, Universal Pictures Brasil)

Com a nova adaptação de “A Odisseia”, de Christopher Nolan, a jornada de Odisseu voltou a despertar uma pergunta antiga: os lugares narrados por Homero existiram de verdade ou fazem parte apenas do mito?

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Para sanar essa dúvida, o NSC Total levantou o que sabemos de mais relevante sobre a existência das cinco principais localidades do épico, e que podem aparecer no filme: a cidade de Troia, Ítaca, Ogígia, Edéia e a Ilha dos Ciclopes.

Troia

Na Odisseia, Troia não é a protagonista como na Ilíada, mas o ponto de começo da história. Neste conto, acompanhamos Odisseu retornando para sua casa após a queda troiana e sua jornada de anos para chegar à Ítaca.

Dentre os sítios conhecidos, o melhor candidato real é Hisarlik, no noroeste da atual Turquia. O sítio é reconhecido pela Unesco como o Sítio Arqueológico de Troia, com cerca de 4 mil anos de história e escavações iniciadas por Heinrich Schliemann em 1870.

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Hisarlik reúne uma sequência de cidades sobrepostas, com muralhas, portões, rampas, bastiões e estruturas de diferentes períodos. A Unesco destaca ainda uma cidade baixa de cerca de 30 hectares na Idade do Bronze tardia.

Ítaca

Ítaca é o centro emocional da Odisseia. É para lá que Odisseu tenta voltar, onde Penélope resiste aos pretendentes e onde Telêmaco espera o retorno do pai. Sem Ítaca, a viagem não tem sentido.

O candidato tradicional é a atual ilha de Ithaki, na Grécia. A ligação se tornou ainda mais forte quando, em 2025, o Ministério da Cultura da Grécia encontrou na região registros de um complexo helenístico identificado como Odysseion de Ítaca, um santuário ou heroon dedicado a Odisseu.

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Ainda assim, há debate. Uma hipótese recente, ligada ao projeto Odysseus Unbound, defende que a Ítaca homérica poderia corresponder à península de Paliki, em Cefalônia, e não à ilha moderna de Ithaki. Porém, este projeto enfrenta maiores dificuldades.

Na época, os autores defendiam que Paliki poderia ter sido uma ilha separada na Idade do Bronze, antes de ser ligada a Cefalônia por mudanças geológicas. Estudos posteriores, porém, indicaram que Paliki provavelmente não era uma ilha independente nesse período.

Ogígia, a ilha de Calipso

Ogígia é a ilha onde Odisseu fica preso pelos deuses, sob os cuidados da deslumbrante Calipso. Na obra, o lugar representa uma espécie de pausa sedutora e perigosa: ele poderia ficar ali, mas isso significaria desistir de Ítaca.

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O melhor candidato é a Ilha de Gozo, em Malta. Essa ligação já é utilizada no imaginário local e turístico, especialmente ao redor da Caverna de Calipso. O vínculo, porém, é mais literário e tradicional do que arqueológico.

Um estudo do arqueólogo Anthony Bonanno reforça que a associação entre Gozo e Ogígia é antiga, citada desde autores helenísticos como Calímaco. Ainda assim, o elo segue no campo da tradição: há indícios de contato micênico em Malta, mas nenhuma prova de que a ilha de Calipso tenha sido ali.

Ilha dos Ciclopes

A ilha dos Ciclopes é um dos pontos mais famosos da Odisseia. É ali que Odisseu encontra Polifemo, o gigante de um olho só, fica preso em sua caverna e usa o nome “Ninguém” para escapar depois de cegá-lo.

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O melhor candidato geográfico costuma ser a Sicília oriental, especialmente a região de Aci Trezza, perto de Catânia na Itália. O local é famoso pelos faraglioni, formações rochosas de basalto associadas à chamada Riviera dos Ciclopes.

O sítio arqueológico mais interessante ligado ao mito, embora não seja “a ilha dos Ciclopes”, fica em Sperlonga, na Itália. A Villa de Tibério revelou grupos escultóricos monumentais inspirados na Odisseia, encontrados em milhares de fragmentos no fim dos anos 1950.

Eéia, a ilha de Circe

Eéia é a ilha de Circe, a feiticeira que transforma os companheiros de Odisseu em porcos. Na narrativa, o episódio marca outro tipo de ameaça: não apenas o monstro físico, mas a perda da identidade humana.

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O melhor candidato tradicional é o Monte Circeo, no litoral do Lácio, na Itália. O promontório fica dentro do Parque Nacional do Circeo e há séculos é associado à morada da maga Circe.