Oscar de gesso, grito escondido e letreiro que vendia terrenos: 11 segredos de Hollywood que poucos conhecem 

Bastidores do cinema guardam histórias curiosas sobre estatuetas, efeitos sonoros, estrelas da calçada e truques usados há décadas

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Letreiro de Hollywood se tornou um dos símbolos mais conhecidos da indústria cinematográfica mundial (Foto: Gnaphron/Wikimedia Commons)

Letreiro de Hollywood se tornou um dos símbolos mais conhecidos da indústria cinematográfica mundial (Foto: Gnaphron/Wikimedia Commons)

Um homem cai de uma nave em Star Wars, outro despenca durante uma cena de ação anos depois e, apesar de os filmes não terem qualquer relação entre si, o grito ouvido nas duas sequências é exatamente o mesmo. O som foi gravado originalmente em 1951, acabou arquivado e, décadas mais tarde, passou a ser reutilizado por profissionais de Hollywood como uma espécie de brincadeira escondida entre editores de som.

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Conhecido como “Wilhelm scream”, o efeito atravessou gerações e virou apenas uma entre muitas histórias curiosas acumuladas pela maior indústria cinematográfica do mundo. 

Nos bastidores, Hollywood já entregou estatuetas do Oscar feitas de gesso, manteve durante décadas um código que determinava o que poderia aparecer nas telas e transformou uma propaganda imobiliária provisória em um dos símbolos mais reconhecidos do planeta.

Até hábitos atuais carregam histórias pouco conhecidas. Há uma taxa para instalar uma estrela na Calçada da Fama, técnicas de roteiro pensadas para fazer o público simpatizar rapidamente com um personagem e decisões tomadas há quase um século que ainda ajudam a explicar como os grandes estúdios funcionam.

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Veja 11 curiosidades que mostram um lado de Hollywood que normalmente fica fora das telas.

1. Um grito virou tradição

O “Wilhelm scream” apareceu pela primeira vez em Distant Drums, filme de 1951. Na cena, um personagem é atacado por um jacaré e solta o grito que mais tarde seria reaproveitado em outras produções.

O nome só surgiu depois, quando profissionais de som passaram a associá-lo a um personagem chamado Wilhelm, do faroeste The Charge at Feather River, de 1953. Anos mais tarde, o designer de som Ben Burtt encontrou a gravação nos arquivos da Warner Bros. e começou a inseri-la em filmes nos quais trabalhava.

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A partir daí, o efeito ganhou vida própria. Ele apareceu em produções como Star Wars e Indiana Jones e acabou adotado por outros profissionais como uma referência interna. Para quem conhece o som, reconhecê-lo no meio de uma cena virou quase um jogo.

2. O Oscar já foi de gesso

A aparência dourada da estatueta ajuda a transformá-la em um dos objetos mais reconhecidos do cinema, mas nem todos os vencedores levaram para casa uma peça de metal.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a necessidade de economizar metais fez a Academia produzir Oscars de gesso pintado por três anos. Terminada a guerra, os premiados puderam trocar essas versões pelas estatuetas tradicionais.

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Há ainda um detalhe pouco percebido na base da peça. O rolo de filme sobre o qual a figura está posicionada tem cinco raios, representação dos cinco grupos que formavam a Academia em seus primeiros anos: atores, diretores, produtores, técnicos e roteiristas.

3. A estrela não sai de graça

Ter o nome na Calçada da Fama depende de uma seleção, mas também envolve dinheiro. Em 2026, uma candidatura precisa ser apresentada formalmente e contar com a autorização do próprio artista ou de seus representantes.

Caso o nome seja aprovado, um patrocinador precisa pagar US$ 85 mil. O valor cobre a produção e instalação da estrela, a cerimônia e custos relacionados à manutenção do espaço.

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Por isso, ser famoso não garante automaticamente um lugar na calçada. Há artistas mundialmente conhecidos que nunca receberam a homenagem, seja porque não foram indicados, não aceitaram participar ou não cumpriram alguma etapa do processo.

4. O primeiro Oscar não teve suspense

Na primeira cerimônia do Oscar, realizada em 1929, ninguém precisou abrir envelope para descobrir quem havia vencido. Os resultados já tinham sido divulgados cerca de três meses antes.

A premiação aconteceu durante um jantar no Hollywood Roosevelt Hotel e reuniu aproximadamente 270 pessoas. Os convidados pagaram US$ 5 para participar, e toda a cerimônia durou muito menos do que as transmissões atuais.

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Durante alguns anos, jornais ainda recebiam antecipadamente os nomes dos vencedores com a condição de só publicá-los depois da entrega dos prêmios. Esse acordo começou a mudar depois que o Los Angeles Times divulgou a lista antes da cerimônia de 1940, ajudando a consolidar o sistema dos envelopes lacrados.

5. O letreiro vendia terrenos

Hoje é difícil separar aquelas letras brancas da imagem de Hollywood. Em 1923, porém, quem olhasse para a encosta encontraria uma palavra maior: Hollywoodland.

A estrutura havia sido instalada para divulgar um empreendimento imobiliário e deveria permanecer ali por apenas cerca de 18 meses. Aproximadamente 4 mil lâmpadas iluminavam as letras à noite, fazendo com que partes do nome acendessem em sequência.

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O anúncio sobreviveu ao próprio projeto. Com o passar dos anos, o letreiro se deteriorou e, em 1949, as quatro letras finais foram retiradas durante uma reforma. Restou “Hollywood”, que já começava a ser identificado não apenas com um bairro, mas com toda uma indústria.

6. Existia uma lista do que não podia aparecer

Beijos longos demais, determinados tipos de violência, referências a drogas e relações consideradas impróprias podiam colocar um filme em dificuldade durante boa parte da Era de Ouro.

O chamado Código Hays passou a ser aplicado com rigor a partir de 1934. As regras estabeleciam limites sobre aquilo que as grandes produtoras poderiam mostrar e até sobre a maneira como crimes e relacionamentos deveriam ser representados.

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Roteiristas e diretores aprenderam a contornar parte dessas restrições com diálogos indiretos, enquadramentos e insinuações. O sistema perdeu força nas décadas seguintes e foi abandonado em 1968, quando a indústria americana adotou um modelo de classificação por faixa etária.

7. “Tubarão” mudou as bilheterias

Antes de 1975, nenhum filme havia ultrapassado a marca de US$ 100 milhões nas bilheterias americanas. Quem rompeu essa barreira foi Tubarão, dirigido por Steven Spielberg.

O sucesso não ocorreu apenas porque o público gostou do longa. A Universal apostou em uma campanha de televisão incomum para a época e lançou o filme simultaneamente em centenas de salas durante o verão americano.

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A estratégia ajudou a transformar Tubarão em referência para o modelo de blockbuster que Hollywood exploraria nas décadas seguintes: grandes campanhas, estreia ampla e expectativa concentrada em torno dos primeiros dias em cartaz.

8. Estúdios já eram donos dos cinemas

Durante décadas, algumas das principais empresas de Hollywood controlavam praticamente todas as etapas de um lançamento. Produziam o filme, faziam a distribuição e ainda possuíam salas onde ele seria exibido.

Paramount, MGM, Warner Bros., 20th Century Fox e RKO ficaram conhecidas como as “Big Five”. Esse domínio permitia que os estúdios organizassem uma cadeia que começava no roteiro e terminava diante do espectador.

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A situação mudou em 1948, quando uma decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos atingiu práticas consideradas anticompetitivas. As companhias tiveram de se desfazer de suas redes de cinemas, alterando uma estrutura que havia ajudado a sustentar a chamada Era de Ouro.

9. Hollywood começou bem menor

No início do século 20, o bairro ainda estava longe das grandes fachadas, estúdios gigantescos e congestionamentos de equipes de filmagem que passariam a marcar sua imagem.

Em 1911, a Nestor Film Company instalou uma unidade na esquina da Sunset Boulevard com a Gower Street. O local havia abrigado uma taberna e foi adaptado para receber as primeiras produções.

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Outras empresas chegaram nos anos seguintes atraídas pelo clima, pela variedade de cenários naturais da Califórnia e pela possibilidade de filmar durante boa parte do ano. Pouco tempo depois, a concentração de estúdios havia transformado definitivamente a região.

10. Existe uma técnica chamada “salve o gato”

Um protagonista desagradável aparece pela primeira vez e, antes que o público decida odiá-lo, faz alguma coisa inesperadamente gentil. Pode ajudar alguém, proteger uma criança ou mostrar preocupação com um animal.

O roteirista Blake Snyder popularizou a expressão “Save the Cat” para descrever esse recurso. O nome não deve ser interpretado literalmente: o objetivo é criar uma ação capaz de revelar rapidamente uma qualidade do personagem.

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A técnica se tornou tão conhecida que também passou a ser discutida como uma fórmula. Nem todo protagonista precisa conquistar o público dessa maneira, mas a ideia ajuda a explicar por que alguns roteiros apresentam um gesto de empatia logo nos primeiros minutos.

11. Filmes diferentes podem ter o mesmo esqueleto

Uma casa onde ninguém consegue escapar, uma pessoa comum diante de um problema gigantesco, dois personagens obrigados a conviver ou um mistério que precisa ser resolvido. Mudam os cenários, os atores e as épocas, mas certas estruturas voltam repetidamente.

Snyder agrupou histórias comerciais em dez categorias, entre elas “Monster in the House”, “Dude with a Problem”, “Buddy Love”, “Whydunit” e “Superhero”. A divisão não significa que todos os filmes sejam iguais, mas mostra como histórias muito diferentes podem partir de uma lógica semelhante.

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É justamente aí que Hollywood costuma trabalhar com algo familiar sem necessariamente entregar a mesma experiência. Um filme sobre um tubarão, outro sobre um alienígena e um terceiro sobre uma criatura sobrenatural podem compartilhar parte da estrutura e, ainda assim, levar o espectador para lugares completamente distintos.

Depois de conhecer alguns desses bastidores, certos detalhes começam a saltar aos olhos. Um grito que parecia comum pode ter mais de 70 anos, uma estrela na calçada envolve um processo caro e até o símbolo mais famoso de Hollywood começou como uma propaganda que deveria durar poucos meses.